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12.6.08

Portugal - Rep.Checa: O rescaldo da qualificação

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Recuando até às primeiras conferências de imprensa de Scolari, poder-se-á concluir que Portugal garantiu após a segunda jornada do Euro estar livre do embaraço. O tempo é para saborear a vitória e depressa regressar ao planeamento competitivo, não podendo os responsáveis cair no erro de euforias precoces. O que Portugal conseguiu foi uma oportunidade rara de poder “saltar” um jogo numa prova tão curta. Deve aproveitá-la, direccionando o seu planeamento de preparação para os quartos de final e encarando o jogo de Domingo com a importância que realmente tem: uma mera exigência de calendário.

O jogo
Bruckner confirmou o 4-2-3-1 de alta densidade numérica no meio campo e assumiu aquilo que os turcos não haviam feito: a superioridade lusa. Por pensar actuar pouco em posse e mais em transição, Bruckner preferiu a profundidade de Baros relativamente à acção de Koller como pivot, e a agressividade de Matejosky em detrimento da melhor qualidade que Jarolim oferece à posse de bola. Por tudo isto, Portugal encontrou, no primeiro tempo, muito pouco espaço para jogar. Esta dificuldade até podia ter sido contornada com o golo madrugador de Deco, mas o empate surgiu rapidamente, impedindo uma alteração da estratégia checa. Até ao intervalo, a partida manteve-se numa toada de equilíbrio, entre as dificuldades de Portugal em furar o denso bloco checo (muitas meias distâncias foram tentadas, indiciando instruções para essa opção) e incapacidade que os checos confirmaram ter para serem perigosos em transição.

No segundo tempo tudo foi diferente, particularmente entre os 50 minutos e o golo de Ronaldo. Nesse período Portugal conseguiu encostar os checos às cordas, criando sucessivas ocasiões de golo. A explicação desta inversão no jogo está num misto de mérito luso e grande demérito checo. Primeiro, a acção de Deco. A bola entrava sempre nele (daí o eclipse de Moutinho em posse de bola) e o 20 juntou a inspiração a uma incompreensível incapacidade adversária para perceber a importância que estava a assumir. A partir de Deco saíram depois alguns passes verticais que solicitaram Nuno Gomes, Ronaldo e Simão que, ou por erros posicionais, ou por alguma falta de determinação na resolução defensiva dos lances (a tal falta de agressividade que havia falado), resultaram em boas ocasiões de golo, fazendo a balança emotiva do jogo pender claramente para o lado de Portugal. Sem surpresas, e mesmo depois dos checos terem assustado novamente de canto, chegou o 2-1 e, aí, o jogo mudou de novo. O assalto checo à baliza de Ricardo passou a ser a estratégia de Bruckner e, nesse período, lamenta-se alguma incapacidade de Portugal para fazer mais circulação de bola, aproveitando mais cedo os espaços que eram criados. Ainda assim, Portugal resistiu sem excessivas dificuldades e acabou por tirar ainda mais um coelho da cartola que serviu de antecipação ao apito final como tranquilizador final das hostes lusas.

Pontos a melhorar
Foi, enfim, mais uma boa exibição portuguesa que se confirma de forma legítima, e a par da Alemanha, como a mais forte candidata ao lugar reservado na final para uma das equipas dos grupos A e B. Ainda assim, creio que mais importante do que salientar os aspectos positivos nestas vitórias – e são muitos – é identificar os pontos em que se poderá melhorar, e o jogo com a Rep.Checa traz ou recupera aspectos que merecem reflexão:

- Bolas paradas. É certo que Portugal encontrou nos checos uma grande oposição neste capítulo, mas tem de haver mais concentração e agressividade na resolução destes lances. Não pondo em causa o método (marcação ao homem, com 2 jogadores à zona), questiono se vale mesmo a pena deixar 3 homens na frente. É certo que retira presença adversária da área, mas também permite mais espaço para serem aproveitados os desequilíbrios individuais, tal como se viu no golo.

- Transição defensiva. Já me referi a isto antes do próprio Euro. Portugal desequilibra-se muito em posse. Até agora não houve uma equipa que se mostra-se realmente forte no aproveitamento deste momento, mas reside aqui uma ameaça para as fases mais adiantadas.

- Espaço entre linhas. Petit é apanhado muitas vezes a pressionar fora da sua zona, não havendo compensação dos outros médios. Esta situação pode provocar a saída dos centrais da sua zona em mais ocasiões do que seria desejável.

Golos
3 golos com 2 protagonistas comuns: Deco e Ronaldo. No primeiro juntou-se Nuno Gomes, com mais uma das suas já celebres “tabelinhas”, no segundo grande visão de Moutinho no passe fundamental para Deco e, no terceiro, o prémio para Quaresma num golo... “à Raul Meireles”!

De resto, 3 grandes jogadas. No primeiro, pena que Ronaldo não conseguiu concluir uma jogada que entraria nos melhores golos do Euro. No segundo, grande visão de Moutinho e Deco, antes de uma finalização fulgurante, à Ronaldo. Finalmente, no terceiro, a visão de Deco tem de ser posta no mesmo patamar da antecipação de Ronaldo, num entendimento telepático que foi o KO checo.

Nota para o golo da Rep.Checa. O problema não esteve em Petit (ou pelo menos é compreensível que tenha perdido o lance), mas no fosso que se criou entre o grupo de jogadores ao primeiro poste e o segundo grupo de jogadores. Foi aí que Sionko apareceu a cabecear.

Individualidades
Primeiro, Deco. Não está tão forte defensivamente como há uns anos, mas afirmou-se (porque a Rep.Checa também o permitiu) como o patrão do jogo português. Ganhou confiança e arrancou para uma grande exibição. Sentiu de tal forma o seu momento positivo que quis marcar aquele livre. E merecia que o tivessem deixado bater!

De resto, Ronaldo denotou grande vontade, reflectida em alguma imprudência na gestão de alguns lances. Ainda assim, foi incansável, acabando por ser altamente decisivo. Pode ser que arranque para um Europeu em crescendo! Pepe foi, de novo, enorme. Arrisco mesmo dizer que é o melhor central do Euro até ao momento. Finalmente, nota para as prestações discretas mas muito importantes de Simão e Moutinho, assim como para a acção de Nuno Gomes cuja performance positiva no Europeu começa a ficar marcada, em paralelo, por alguma incapacidade na finalização (infelicidade no que respeita ao jogo com a Turquia). Um golo tinha-lhe feito bem e talvez fosse importante para a sua confiança na fase em que falhar é proibido.
Na Rep.Checa, saliencia para Sionko. Já o tinha referido como o mais perigoso dos médios checos pela forma como aparece nas zonas decisivas, e confirmou estar a fazer um grande Euro. A questão é: como é que nunca revelou estas capacidades ao longo da sua já longa carreira?

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11.6.08

Portugal - Rep.Checa: Mais do mesmo, se faz favor!

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Depois da Turquia, chega a vez da República Checa, num embate que colocará Portugal entre 2 cenários já vividos em 2000 e 2002. No primeiro caso, poder descansar algumas unidades no derradeiro jogo, no segundo, ter a ingrata missão de ter de conseguir um resultado no último jogo do grupo e perante uma equipa anfitriã.

No rescaldo do jogo com a Turquia, referi que a boa exibição nacional deve ser contextualizada com uma ausência de estratégia específica dos turcos para jogar com Portugal, algo que estou em crer acontecerá sobretudo se Portugal chegar a fases mais adiantadas da prova. Frente aos checos não estou certo que Bruckner possa apresentar algo específico para contrariar o maior potencial português, mas por aquilo que a selecção checa deu a conhecer poderemos ter a certeza de uma oposição diferente da turca.

Rep.Checa: 4-2-3-1, meio campo muito preenchido, mas pouco rotinado
Como antecipei após a experiência de Bruckner frente à Escócia, a Rep.Checa poderia apresentar um sistema diferente do 4-1-3-2 que havia sido responsável por um futebol atractivo em termos ofensivos no passado. A verdade é que as saídas de Nedved, Poborsky e a lesão de Rosicky enfraqueceram de sobremaneira o meio campo que, não só não era capaz de oferecer a mesma vivacidade ofensiva, como passou a tornar-se permeável a transições dos adversários. A solução de Bruckner foi acrescentar um pivot defensivo ao meio campo, retirando o elemento de apoio a Koller. É por aqui que se explica o 4-2-3-1 actual da Rep.Checa, num modelo que deve ser reproduzido frente a Portugal, ainda que possa existir uma ou outra nuance de Bruckner, sobretudo se o treinador assumir que Portugal vai ser o dono do jogo e que será mais aconselhável adoptar uma estratégia que aproveite sobretudo os momentos de transição.

A verdade é que, tanto no último embate de preparação, frente à Escócia, como no jogo com a Suíça, a mecânica do jogo checo revelou-se muito abaixo do exigível, em termos de organização e entrosamento colectivo. Em termos ofensivos a equipa não tira proveito dos imensos apoios que tem no meio campo para a posse de bola, revelando problemas na sua primeira fase de construção e sendo vulnerável a pressão. Outra característica que inibe o jogo ofensivo checo, quando em organização, é a sua pouca apetência para usar os flancos, com Plasil e Sionko (parece-me ser este o mais perigoso dos médios checos) a terem mais tendência para aparecer por dentro. Assim, em termos ofensivos (em bola corrida, entenda-se) o movimento que mais pode preocupar a Selecção nacional é a utilização de Koller como pivot, solicitando depois o aparecimento dos médios no espaço entre linhas. Este movimento pode ser mais perigoso se Moutinho e Deco forem atraídos para zonas muito distantes de Pepe e Carvalho e merece algumas atenções de Scolari, recomendando-se uma atenção aos laterais para não ficarem demasiado abertos.
Em termos defensivos, espera-se que a Rep.Checa possa ser mais forte do que a Turquia quando Portugal atacar em organização. Primeiro pela qualidade individual dos seus jogadores (guarda redes incluído), depois pela maior presença numérica de jogadores checos no meio campo defensivo. Há, no entanto, potencial para aproveitar as tais dificuldades checas em posse de bola, podendo iniciar aí transições perigosas. Para além deste aspecto, os checos revelaram-se pouco agressivos nos duelos individuais, o que explicou alguns desequilíbrios consentidos frente à Suíça. Mais um ponto a explorar...

Portugal: Mesma fórmula: concentração máxima
Depois da exibição frente à Turquia e numa fase precoce (espera-se!) da competição, aconselha-se que o modelo de jogo idealizado se possa consolidar dentro de um onze. Num jogo como aquele frente à Rep.Checa não há qualquer motivo para contrariar essa intenção, não querendo isto dizer, obviamente, que se ignorem ou deixem de estudar pequenas nuances específicas do adversário. De resto, e para além desses tais ajustes, volto a reforçar a ideia da importância decisiva de fazer um jogo de máxima intensidade, tanto em termos de concentração como de ritmo (leia-se gestão de ritmos). Portugal esteve muito bem neste plano frente à Turquia, errando muito pouco e gerindo de forma exemplar os ritmos do jogo. Nova faceta neste plano deverá garantir a qualificação.

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6.6.08

A alternativa táctica dos Checos

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Já aqui tinha deixado uma primeira ideia sobre aquilo que se pode esperar da Rep.Checa, adversário de Portugal no grupo A do Euro 2008. Essa ideia, que resultou do que foi apresentado no particular frente à Lituânia, choca, no entanto, com aquilo que se pode ver mais tarde frente à Escócia. Daqui resulta o primeiro ponto de particular interesse nesta selecção checa: a sua imprevisibilidade táctica. Aqui importa contextualizar esta “ginástica táctica” com o perfil do treinador checo, Karel Bruckner que chega a este Europeu com 68 anos e uma carreira cheia de episódios que confirmam a sua obsessão por esquemas tácticos. Claro que, actualmente, esta variação só é recomendável com uma boa dose de sessões de treino que possam consolidar os princípios sobre os diferentes esqueletos. Tal não será o caso na selecção checa, dada a falta de tempo, mas isso não quer dizer que não seja útil ter dois sistemas preparados (ainda que um pouco rotinado) para uma prova com as características de um europeu.

Com efeito, a exibição frente à Lituânia não fora brilhante, particularmente devido à pouca capacidade do meio campo checo. Frente a selecções como Portugal ou Turquia, mais povoadas na zona central, essa situação pode ser fatal para os checos e Bruckner terá frente à Escócia, creio eu, revelado a sua solução para o problema: Em vez do 4-1-3-2, apresentar um 4-2-3-1.

A forma de abordar a posse de bola fica alterada neste sistema, com o recurso ao jogo directo, recorrente no 4-1-3-2, tirando partido do poderio de Koller, desaparece, em detrimento de um jogo mais apoiado e que tem a particularidade de ser direccionado essencialmente pela zona central, havendo pouca utilização das alas (com a entrada dos laterais Jankulovski e Grygera, talvez essa característica se deixe de notar de forma tão acentuada). No meio campo, a utilização do duplo pivot defensivo concede em alternância mais liberdade ofensiva a um dos dois, algo que não acontece quando actua apenas 1 (no 4-1-3-2), mas o principal realce vai para a mobilidade e, diria mesmo, alguma anarquia posicional do trio ofensivo. Esta característica tem as suas vantagens e desvantagens, sendo que o principal problema para as defesas adversárias está no factor surpresa dessas movimentações.

Quanto a individualidades, referir que o esquema que apresento diz respeito à equipa que foi apresentada na segunda parte frente à Escócia e não aquele que poderá ser o 11 mais provável neste figurino. Assim, na baliza Cech (Chelsea) é presença segura. Nas laterais, Grygera (Juventus) e Jankulovki (Milan) são os mais que prováveis titulares. No centro surge a primeira dúvida: entre Radoslav Kovac (Spartak Moscovo), Ujfalusi (Fiorentina) e Rozenhal (Newcastle) jogará apenas 1, mas qualquer que seja a opção, pode dizer-se que Bruckner está bem servido no seu elenco defensivo. No miolo, Galasek (Nuremberga) e Polak (Anderlecht) deverão ser as opções para o duplo pivot e ambos cumprem bem o papel que lhes é destinado. Também no trio mais ofensivo do meio campo poderá não haver alterações face ao que é apresentado. Com as saídas de Nedved, Poborsky e a lesão de Rosicki, Jarolim (Hamburgo) passa a ser a principal referência deste sector, onde Plasil (Osasuna) e Sionko (Copenhaga) são duas alternativas de qualidade. Aqui destaque para a capacidade de Sionko em aparecer em zonas de finalização, o que faz dele um goleador de respeito. Finalmente, na frente há várias opções da nova geração do futebol checo, mas a opção deverá ser entre os conhecidos Koller (Nuremberga) e Baros (Portsmouth), com o primeiro a levar vantagem pela capacidade que oferece ao jogo aéreo. No 4-1-3-2, as opções principais deverão manter-se, com Koller e Baros a serem os homens da frente, saindo um dos 2 pivots defensivos.

Para terminar, fica a minha projecção de que Bruckner, devido ao 4-4-2 dos suíços menos poderoso na zona intermediária, tal como expliquei ontem, possa optar pelo 4-1-3-2, surpreendendo depois com este 4-2-3-1 nos jogos seguintes. A ver vamos... já falta pouco!


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28.5.08

As primeiras notas para o Euro: Turquia e Rep.Checa

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Os dias para o inicio do Euro são já muito poucos e enquanto em Viseu se pode observar uma série de treinos com pouco tempo dedicado à vertente táctica, não se perspectivando qualquer novidade no modelo de Scolari, alguns dos nossos adversários já deram algumas pistas do que deles se poderá esperar na fase final da competição. Aqui ficam algumas notas que retirei dos jogos da Turquia com o Uruguai e República Checa com a Lituania.

Turquia
Esta formação turca marca a viragem de uma geração muito marcada principalmente pela figura de Hakan Sukur. Pois bem aquilo que se prepara para o Euro é uma formação com uma referência de ataque bem mais móvel, oscilando entre nomes já consagrados no futebol turco com outras figuras de grande futuro.
Em termos de sistema, a Turquia apresentou-se em 4-3-3, com algumas especificidades. Mehmet Topal é um jovem do Galatasaray que promete ser o ponto de equilíbrio da equipa. Na sua frente estão dois jogadores de grande qualidade em posse de bola e que tentarão ser o motor do meio campo: os experientes Emre e Basturk. Como extremo esquerdo, um dos nomes a acompanhar no Euro: Arda Turan. 21 anos apenas, mas muita qualidade e mobilidade, partindo da sua posição aberta para movimentos interiores que merecem toda atenção dos adversários. Do outro lado Kazim Kazim, com um perfil bem mais estático do que Arda Turan, Kazim Kazim revela no entanto um nível técnico assinalável, sendo um jogador particularmente para as primeiras bolas aéreas. Normalmente é ele a referência dos pontapés longos do guarda redes, tentando permitir a Basturk a conquista da segunda bola, saindo a jogar dessa situação e tirando partido do cariz ofensivo de Hamit Altintop. Na frente, a mobilidade de Nihat promete ser um problema para os centrais que busquem uma referência de marcação, sendo igualmente importante para as transições e para a primeira fase de pressão.
Resta fazer uma referência aos aspectos defensivos, onde parece não haver grande qualidade nas individualidades da rectaguarda, e das opções que poderão entrar nestas contas, particularmente Tuncay e o outro Altintop, Halil.

República Checa
A primeira coisa que devo referir deste que é o mais bem cotado dos adversários portugueses no grupo A, é alguma limitação qualitativa daquilo que para já apresentou.
Começando pela defesa, estará aqui individualmente o sector onde existem maiores garantias de qualidade. Cech dispensa apresentações, Grygera e Jankulovski são dois laterais experientes que actual em Juventus e Milan, respectivamente, e Rozenthal e Ujfalusi dois centrais com grande experiência, tendo actuado em 2008 na Lazio e Fiorentina. O problema poderá estar, no entanto, no processo defensivo, mas já lá vamos...
Com bola a equipa tem duas soluções. A primeira e a que recorre frequentemente é o recurso directo a Koller, provavelmente o mais forte jogador do mundo a jogar como pivot neste tipo de solicitações, e tentar sair a jogar a partir da segunda bola (esta solução poderá ser uma arma igualmente mortífera com defesas mais adiantadas, lançando Baros nas costas). A outra hipótese é sair a jogar desde trás. Aí a equipa abre-se enormemente, com Vicek e Plasil a colarem-se às linhas e deixando a zona central para Polak e, sobretudo, Jarolim, já que Polak tem uma função muito defensiva. Nesta alternativa, há ainda que salientar a participação ofensiva dos laterais, o que deixa uma equipa profundamente desequilibrada no momento da perda de bola.
Com o eclipse das estrelas que foram o motor desta selecção durante muitos anos e a ausência de Rosicki, a República Checa tem em Koller um recurso muito importante em termos ofensivos que, se não houver novidades, pode ser essencial neutralizar.

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3.5.08

História do Europeu - Jugoslávia 1976

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Enquadramento Futebol Português
Em 1976, o Benfica conquistava o segundo título do último tri campeonato da sua história. Pela mão do carismático Mario Wilson, que abandonaria o comando técnico dos encarnados no final dessa época para dar lugar à primeira passagem de John Mortimore pela Luz. Na equipa do Benfica estavam nomes como José Henrique, Vitor Baptista, Shéu, Toni ou Nené. Mas o destaque vai para dois homens. Chalana que com apenas 17 anos chegava ao Benfica, vindo do Barreirense, e Jordão, melhor marcador com 30 golos, o que justificou o interesse e a contratação por parte do Saragoça no avançado.
Ao triunfo do Benfica, juntou-se uma época desastrada de Sporting e FC Porto. No caso do Sporting, o pior resultado de sempre no campeonato, 5º lugar, o que lhe valeu a primeira ausência da Europa em 76/77. Na equipa de Juca, a nota positiva vai para os 26 golos do estreante Manuel Fernandes, chegado da CUF. No Porto, o 4º lugar foi particularmente amargo, por ter sido ficado, inclusive, atrás do seu rival da cidade, o Boavista. Nos dragões, no entanto, este seria o último 4º lugar até aos dias que correm, e a época de viragem estava prestes a começar. António Oliveira já era o artista nas Antas, que serviu de apoio à melhor época do goleador Peruano Cubillas no clube (28 golos). Cubillas não voltaria a repetir tamanho exito em Portugal e a época seguinte abriria o ciclo de um novo goleador azul e branco: Fernando Gomes (tinha 20 anos em 1976).
Tal como acontecera em 1972, é obrigatório falar de um clube de menor dimensão, neste caso, o Boavista. A coincidência entre o Boavista de 76 e o Setúbal de 72 está num nome: José Maria Pedroto. Pedroto, com João Alves entre os seus jogadores, foi o timoneiro da equipa que ficaria conhecida como “Boavistão”, pelo 2ºlugar conseguido 2 finais da Taça seguidas, culminando com a vitória na prova precisamente em 1976, batendo o Guimarães por 2-1. No final dessa época, Pedroto daria mais um passo para marcar o futebol português, transferindo-se para o FC Porto e criando as bases, não só para interromper o longo jejum de campeonatos em 1979, como para iniciar um novo ciclo no futebol português, que Pinto da Costa e FC Porto se encarregariam de prolongar até aos dias de hoje.
Nota final para a representação fraca dos clubes portugueses nas provas europeias, sem grandes brilharetes para registo. Aliás, a década de 70 seria uma das piores em termos de representação nacional na Europa.

Enquadramento do Futebol Europeu
No futebol europeu, 1976 marcou o último dos 3 títulos conseguidos pelo Bayern Munique na Taça dos Campeões. A Europa do futebol, aliás, entrava num período de domínio Anglo-Germânico em termos de competições europeias. Em Inglaterra, o principal destaque vai, claramente, para ascenção do Liverpool. Os “Reds” entraram nos anos 60 no segundo escalão do futebol, mas a contratação do “Boss” Bill Shankly revelou-se determinante. Shankly, não só devolveu o clube ao primeiro escalão, como o colocou rapidamente como principal emblema do país vencendo o título em 64 e repetindo-o em 73, quando juntaria uma Taça Uefa. Shankly abandonaria em 74, tendo criado as bases para aquele que foi o mais bem sucedido dos treinadores que Anfield alguma vez viu: Bob Paisley. Paisley conseguiu ultrapassar o fantasma de Shankly e ganharia 6 campeonatos, 1 Taça Uefa e 3 Taças dos campeões Europeus. Paisley foi regenerando a equipa que herdou de Shankly e, sempre no seu 4-4-2, encontrou figuras emblemáticas do clube como os Hansen, Thompson, Souness e Dalglish.
Na Alemanha, nota para o Monchengladbach, finalista em 77 da Taça dos Campeões Europeus e vencedor da Uefa em 75 e 79. O Borussia foi o grande rival interno do poderoso Bayern de Beckenbauer e conseguiu mesmo mais títulos do que os bávaros nos anos 70 (5 contra 3). Nesta rivalidade, destaca-se o nome de um treinador: Udo Lattek. Lattek começou por estar ligado à Selecção Alemã, como treinador adjunto de Schoen em 66. Em 1970 foi aconselhado por Beckenbauer para treinador do Bayern, causando alguma controvérsia a sua falta de experiência. Mas a qualidade, como sempre, é o principal factor de sucesso de um treinador, e Lattek levou o clube a 3 campeonatos e uma Taça dos Campeões Europeus. Em 1975, no entanto, o Bayern precipitar-se-ia ao dispensar o treinador no seguimento de uma crise interna. O clube seria campeão europeu mais 2 anos sob o comando Dettmar Cramer, mas não voltaria a ser campeão até 1980. Lattek, por seu lado, serviu fria a vingança, transferindo-se para o Monchengladbach, onde conquistaria 2 campeonatos (76 e 77), chegaria a uma final da Taça dos Campeões Europeus (77) e conquistaria uma Taça Uefa (79). Lattek voltaria mais tarde ao Bayern para ser o protagonista de mais uma época de sucesso dos bávaros, agora nos anos 80. 3 Bundesliga e 2 Taças em 4 anos marcaram o sucesso desta passagem, apenas amargurada pela final perdida em 1987 para o FC Porto. Lattek é, a par de Trapattoni, o único treinador que, até hoje, venceu os 3 troféus Europeus, tendo-o conseguido por 3 clubes distintos (Bayern Munique, Monchengladbach e Barcelona). Feito que, dada a extinção da Taça das Taças, se torna muito difícil de igualar.

Qualificação
A fase de qualificação para o Euro 76 não foi das mais surpreendentes. Afinal, Checoslováquia, Alemanha Ocidental, Jugoslávia e Holanda eram das mais fortes Selecções do contexto europeu da altura.
Ainda assim, na fase de grupos, destaque para a eliminação da Inglaterra que foi segunda no grupo ganho pela Checoslováquia e onde constava ainda Portugal. Os ingleses, dominadores do panorama europeu de clubes passavam por uma década negra no que respeita a grandes competições, falhando igualmente as presenças nos mundiais de 74 e 78. Os ingleses lamentar-se-ão dos dois empates concedidos frente a Portugal (particularmente o 0-0 de Wembley), bem como da derrota em Bratislava por 2-1, depois de terem começado a vencer por 0-1 num jogo que durou 2 dias devido ao nevoeiro.
Outro grupo que importa destacar é da Holanda, Polónia e Itália, com os holandeses a levar a melhor. Em segundo ficou uma forte formação polaca (que havia sido terceira classificada em 74), enquanto que a Itália ficou-se pelo terceiro lugar, apesar de ter derrotado os holandeses em Roma com um golo solitário de Capello.
Nos quartos de final que definiram os 4 finalistas da prova, a Checoslováquia derrotou a formação com mais tradição até aqui em fases finais de Europeus, a União Soviética. Uma vitória em Bratislava (2-0) e um difícil empate em Kiev (2-2), carimbaram o passaporte para aquela que seria a mais gloriosa página do futebol Checoslovaco. A Jugoslávia, que seria anfitriã da prova, eliminou o País de Gales com um concludente 3-1 no total dos dois jogos. Mas as eliminatórias mais interessantes foram as outras duas... Num duelo de campeões europeus, a Alemanha Ocidental confirmou o seu momento de superioridade em relação à Espanha. Santillana deu vantagem aos Espanhóis em Madrid, mas o golo de Beer no segundo tempo determinou um muito positivo empate a uma bola (Vídeo) com que os germânicos encararam o jogo decisivo no estádio Olímpico de Munique. Aí, os alemães foram superiores, vencendo por 2-0. Nos países baixos disputou-se mais um acesso aos 4 finalistas. Numa espécie de maldição que impediu uma muito interessante formação belga de estar presente nas grandes competições do final dos anos 70, a Holanda foi mais uma vez o carrásco dos seus vizinhos e rivais. Algo que já acontecera na qualificação para o Mundial de 74 e que se repetiria no acesso ao Argentina 78. Nesta eliminatória a superioridade holandesa foi inequívoca. 5-0 na banheira de Roterdão e 1-2 em Heysel. Destaque para o hat-trick de Rensenbrink, um holandês que fez a sua carreira por clubes belgas, particularmente no Anderlecht onde foi ídolo (aliás foi o melhor jogador do campeonato belga nesse ano).
Nota, finalmente, para a prestação portuguesa. Uma selecção onde pontificavam Damas, Humberto Coelho, Nené, Toni, Octávio, Vitor Baptista ou João Alves, confirmava aquilo que também se passava ao nível de clubes na década de 70: uma grande incapacidade de afirmação internacional. Os portugueses até começaram de forma prometedora com um empate a zero em Wembley. Mas a ilusão começou a desfazer-se no jogo seguinte com a derrocada (5-0) em Praga. Os portugueses apenas conseguiriam vencer a mais fraca formação do grupo, o Chipre, ficando pelo terceiro lugar, atrás de Checoslováquia e Inglaterra.

Fase Final
Tendo palco as cidades de Zagreb e Belgrado, esta prova ficou marcada pelo enorme equilíbrio entre as formações, sendo que nos 4 jogos disputados houve lugar a prolongamento. Na primeira meia final, em Zagreb, houve um protagonista especial: Anton Ondrus. O capitão da Checoslováquia começou por ser decisivo ao dar a vantagem à sua formação ainda no primeiro tempo, mas já perto final foi o próprio Ondrus a marcar na própria baliza, originando o empate holandês que forçou o prolongamento. Nos 30 minutos suplementares, os checoslovacos garantiriam um lugar na final. A equipa da casa actuou em Belgrado frente à detentora do título e poderosa Alemanha Ocidental. O inicio de jogo prometia uma noite gloriosa para os anfitriões. Ao intervalo venciam por 2-0 com golos de Popivoda e Dzajic. Flohe reduziu à entrada da última meia hora, mas o minuto mais importante na história deste jogo é o 79’. Um tal de Muller, que não o famoso Gerd, entrou para o lugar de Wimmer e 3 minutos depois empatou, levando o jogo para prolongamento. Aí Dieter Muller tornou-se numa das estrelas da competição, marcando 2 golos que colocaram a Alemanha Ocidental na final da prova.
Um dia depois da Jugoslávia ter desperdiçado no prolongamento o esforço da recuperação que anulou os dois golos que os holandeses conseguiram de vantagem no inicio do jogo, disputou-se em Belgrado a final da competição. Pela terceira vez em quatro jogos, registou-se um empate a 2 no final dos 90 minutos, com Muller a marcar mais um golo e os alemães a conseguirem evitar a derrota no minuto 89. Só que desta vez o prolongamento não teve golos e, pela primeira vez na história da competição, a decisão teve de ser feita por penaltis. Todos converteram, até que Hoeness falhou oitava cobrança, colocando nos pés de Panenka a possibilidade de garantir a conquista da competição. Perante o categorizado Sepp Maier, Antonín Panenka protagonizou um dos momentos mais memoráveis da história do futebol, iludindo o guardião germânico e dando a vitória à Checoslováquia com uma execução que se encarregaria de imortalizar o seu nome: o penalti “à Panenka”.

Meias finais
Checoslováquia 3-1 Holanda (1-1 no final dos 90 minutos) (Vídeo Parte1 e Parte2)
Jugoslávia 2-4 Alemanha Ocidental (2-2 no final dos 90 minutos)
3º/4º Lugar
Holanda 3-2 Jugoslávia (2-2 no final dos 90 minutos)
Final
Checoslováquia *2-2 Alemanha Ocidental ((2-2 no final dos 90 minutos e 5-3 nas grandes penalidades)

Equipas

Checoslováquia (Campeã)
Orientada por Vavlav Jezek, a Selecção Checoslovaca tinha credenciais de respeito no futebol europeu, nem que fosse pelo comportamento na qualificação, onde deixou para trás a Inglaterra e União Soviética. No entanto, esta Selecção que falhou os mundiais de 74 e 78 às custas da Escócia estava longe de se constituir como um candidato à vitória final. A nível de clubes, o Slovan Bratislava vivia os seus tempos aureos depois de ter conquistado uma Taça das Taças em 69 e alguns campeonatos durante o inicio da década de 70. Precisamente o Slovan era o principal fornecedor de jogadores para esta Selecção. Na formação que iniciou a final 6 jogadores eram do Slovan, sendo estes sobretudo representantes do sector defensivo.

Alemanha Ocidental
Helmut Schoen comandou a única selecção a entrar numa fase final de um Europeu como campeã Europeia e Mundial em título. Uma boa parte da equipa fazia parte do elenco que triunfara em 72, mas também houve várias ausências. Da Selecção que entrou na final, Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Wimmer e Hoeness repetiram a titularidade de 4 anos antes. No conjunto de jogadores escolhidos por Schoen, havia agora muito mais diversidade de clubes de origem, com o Bayern de Munique e Monchengladbach a serem, sem surpresa, os maiores representantes com 4 jogadores. Esta final representa a última em grandes competições para uma geração de jogadores como Beckenbauer, Hoeness ou Maier. Nomes como Gerd Muller ou Paul Breitner não figuraram neste Europeu por terem decidido deixar de representar a Selecção, apesar de continuarem bem activos nos seus clubes. No caso de Muller, foi uma decisão sem retorno, mas Breitner (que em 76 tinha apenas 25 anos) regressaria mais tarde à Selecção para jogar o Mundial de 82.

Holanda
George Knobel
foi o sucessor de Rinus Michels após o Mundial de 74. O seu primeiro teste foi comandar esta equipa de estrelas no Euro 76 e, se se pode dizer que não desiludiu na qualificação, o mesmo não se pode dizer da fase final. Esperava-se a qualificação da Holanda para a final, numa hipotética repetição da final do Mundial 2 anos antes. A Checoslováquia, no entanto, foi um adversário que se mostrou à altura desta potencia mundial da altura, e na vitória no playoff para o terceiro lugar já não jogaram figuras como Cruijff, Neeskens e Rep. Esta foi a primeira Selecção de um Europeu a ter um conjunto de estrelas a actuar fora do seu país: No Barcelona, Johan Neeskens e Johan Cruijff, no Valencia, Johnny Rep e no Anderlecht Rensenbrink. Nota para a realidade da altura no futebol Holandês. Os tradicionais gigantes, Feyenoord e Ajax viviam períodos baixos depois de gloriosas equipas, com destaque para a saída das estrelas do Ajax que conquistaram o tri campeonato europeu. Na Holanda vivia-se uma experiência nova mas que se repetiria diversas vezes após os anos oitenta: uma fase de domínio do PSV. Nos de Eindhoven, destaque para uma dupla de gémeos que fez história também nos Mundiais de 74 e 78: os médios René e Willy Van de Kerkhof.

Jugoslávia
Uma das decisões que talvez pudesse ter ajudado a equipa Jugoslava seria escolher Split como cidade anfitriã. É que, apesar do campeão em 76 ter sido o Partizan, o Hajduk Split vivera tempos de domínio no futebol Jugoslavo do inicio da década e Ante Mladinic escolhera para o seu elenco sobretudo jogadores do Split, 6 deles com honras de titularidade. Aqui, importa lembrar que Mladinic era, ele próprio, croata e ex-jogador do Hajduk, não se sabendo até que ponto a rivalidade com os Sérvios e os clubes de Belgrado condicionaria as suas opções. Na Selecção Jugoslava, destacam-se ainda alguns jogadores que actuavam em clubes estrangeiros. Katalinski (Nice), Popivoda (Eintracht Braunschweig), Oblak (Schalke 04) e Dragan Dzajic (Bastia).

Estrelas
Ivo Viktor (Checoslováquia) – Fica ligado à história desta competição por uma memorável exibição frente à Holanda nas meias finais. Era já veterano, com 34 anos, e havia passado a carreira “escondido” no Brno e Dukla Praga, mas em 1976 a Europa ficou convencida com as suas exibições, ao ponto de ter sido terceiro na eleição para Bola de Ouro da France Football nesse ano.

Anton Ondrus (Checoslováquia) – Central do Slovan de Bratislava e capitão da selecção vencedora, ainda que não fosse o mais experiente dos seus elementos. Ondrus fica marcado pela peculiaridade de ter marcado os dois golos do tempo regulamentar frente à Holanda na meia final, só que um em cada baliza. De resto teve uma actuação que revelou as suas potencialidades, nomeadamente no jogo aéreo.

Antonin Panenka (Checoslováquia) – Naturalmente a figura da prova, por aquele gesto mitico que fica gravado na história do futebol como qualquer grande momento de Maradona ou Pelé. Sobre o penalti, Panenka confessou tratar-se de uma invenção sua para ganhar apostas nos treinos com o guarda redes da sua equipa. A técnica foi desenvolvida depois em treinos e jogos de menor importância até surpreender Maier com a execução vitoriosa. Panenka era um médio ofensivo, dotado tecnicamente que jogou até aos 45 anos de idade. O seu clube era o Bohemians de Praga (onde hoje é Presidente), mas mais tarde jogou também no Rapid Viena. Participaria ainda no Europeu 80 e Mundial 82 (já com 33 anos).

Zdenek Nehoda (Checoslováquia) – Um dos maiores avançados da história do futebol Checo, jogou 90 vezes pela Selecção, marcando 31 golos. Em 1976 foi figura importante na conquista do título, destacando-se o golo que marcou no prolongamento da meia final frente à Holanda. Ponta de lança forte no jogo aéreo mas também dotado tecnicamente.

Berti Vogts (Alemanha O.) – Para os mais jovens este nome é sobretudo conhecido pelos feitos como treinador, nomeadamente pela conquista do Euro 96. A verdade é que Vogts foi um dos melhores (talvez o melhor) lateral direito da história do futebol germânico. “Der Terrier” era assim conhecido pela sua entrega ao jogo. Faria quase 100 jogos pela Selecção, o mais famoso dos quais, a final do Mundial 74, onde marcou Cruijff. Fez toda a carreira no Monchengladbach.

Franz Beckenbauer (Alemanha O.) – Pode não ter ganho o título colectivo, mas isso não impediu que fosse, mais uma vez, nomeado Bola de Ouro pela France Football. Uma distinção que diz tudo sobre as qualidades de “Der Kaiser”, também neste Europeu. Um episódio curioso aconteceu na final – na sua centésima internacionalização – quando ninguém parecia querer marcar os penaltis. A demora foi tanta por parte dos alemães que o público reagiu, assobiando. Foi aí que apareceu a liderança de “der Kaiser”, nomeando ele próprio os eleitos.

Dieter Muller (Alemanha O.) – Independentemente da sua importância como goleador no futebol alemão, esta competição está para a carreira internacional de Muller como os mundiais de 90 ou 82 estão para Schilacci ou Rossi. É que Muller marcou apenas 9 golos na sua carreira pela Selecção, em 12 aparições... 4 deles foram neste jogo, destacando-se o facto de nem ter sido titular no primeiro jogo, entrando aos 79’, a tempo de fazer um hat-trick na sua estreia com a camisola da Selecção. Goleador de várias equipas, mas sobretudo do Colónia e, mais tarde, do Bordéus, Muller tem o maior registo de golos num jogo da Bundesliga, 6 frente ao Werder Bremen em 77. Em mais um episódio curioso da sua carreira, o registo não ficou gravado porque... os “camaramen” estavam de greve!

Ruud Krol (Holanda) – Um defesa que é um dos marcos do ‘Futebol Total’ dos anos 70. Defesa polivalente e de grande classe, Krol usava a sua versatilidade para desempenhar várias funções ao longo dos jogos. Jogador do Ajax durante grande parte da carreira, onde foi capitão, já depois da saída de Cruijff. Seria o terceiro melhor jogador europeu em 79.

Johan Crujff (Holanda) – Falar de Cruijff é, obviamente, falar de um dos maiores génios de sempre. A verdade, no entanto, é que Crujff estava já na fase descendente da sua carreira quando, com 29 anos, disputou esta competição. Depois de 3 títulos europeus pelo Ajax, Crujff juntou-se a Rinus Michels no Barcelona. A verdade é que a armada holandesa apenas conseguiu uma liga em 74 (apesar da importância por ter sido a única entre 60 e 85), em 5 anos de Barça. Também na Selecção, Cruijff invocaria problemas com ameaças à sua familia para abdicar da Selecção em 77, não participando no Mundial 78.

Johan Neeskens (Holanda) - Médio criativo foi a “sombra” de Crujff em grande parte da carreira. Isto partilhou com o génio holandês as experiências no Ajax e no Barcelona – onde se juntou um ano após o ingresso de Cruijff – bem como o Mundial de 74 e o Euro 76. Neeskens jogaria, no entanto, o Argentina 78. Tal como Cruijff apenas jogou a meia final.

Rob Rensenbrink (Holanda) – Fez grande parte da carreira na Bélgica, tornando-se uma glória do Anderlecht após ter entrado no país para jogar no rival Club Brugge. Em 76 foi jogador do ano na Bélgica e segundo mais votado na eleição de Melhor Europeu do Ano para a France Football. Dois anos mais tarde, após um brilhante Mundial 78, voltou a constar entre os 3 mais votados numa eleição ganha por Kevin Keegan. Rensenbrink era um canhoto dinâmico e goleador. As suas funções na Selecção holandesa não foram facilmente incorporadas, primeiro pela sobreposição de funções com Cruijff e, depois, pelo facto de não ser originário do Ajax ou Feyenoord, bem mais rotinados com a novidade do ‘Futebol Total’. Com o abandono de Cruijff, Rensenbrink tornar-se-ia numa das principais estrelas da “Laranja”.

Dragan Dzajic (Jugoslávia) – Figura já destacada no Euro 68, Dzajic voltou a brilhar em 76, agora com 30 anos. Nesta altura havia já abandonado o seu clube de origem, o Estrela Vermelha, para ingressar num Bastia que se preparava para atingir o topo da sua história. Dzajic marcou 2 golos na prova, distinguindo-se, mais uma vez, pela qualidade sublime do seu pé esquerdo que o notabilizou como um dos melhores extremos esquerdos da história do futebol e o nome escolhido pela Federação Sérvia como jogador do século, no Jubileu da Uefa.

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11.6.07

Antevisão Euro Sub 21 - Grupo B

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Sérvia
É a única representante da ex-Jugoslávia nesta fase final, tendo, por isso, a responsabilidade de dar seguimento a uma série de gerações que se pautaram pela qualidade, quer ao nível técnico, quer no que respeita à vertente física. A selecção da Sérvia teve uma primeira fase tranquila na qualificação para os Play-off – Lituania e Georgia foram presas fáceis. Já na fase seguinte, o confronto com a Suécia foi o mais sensacional dos Play-off, tendo vencido fora por 5-0, após uma contundente derrota por 3-0 no seu próprio reduto. Trata-se de uma selecção que reúne vários jogadores ainda por revelar com outros nomes já em plena fase de afirmação.

Destaques individuais:
Slobodan Rajkovic – defesa/médio centro, camisola 20, 18 anos do OFK Belgrado – Estreou-se nos seniores com apenas 15 anos e nos sub-21 aos 16. É um prodígio amplamente reconhecido, tendo o Chelsea garantido o seu concurso, em 2005, por mais de 5 milhões de Euros. A sua mudança para Stamford Bridge deverá dar-se este ano.

Bosko Jankovic – médio ofensivo, camisola 8, 23 anos do Maiorca – é, provavelmente, a estrela da equipa. Jankovic transferiu-se esta temporada para Espanha, sendo uma das revelações do campeonato do país vizinho e tendo atraído as atenções dos maiores clubes da Europa. Dele podem esperar grandes golos (marcou 9, este ano) e uma notável sentido dos espaços no campo. É, também, um indiscutível da selecção principal, tendo marcado o golo do empate contra Portugal.

Milos Krasic – médio ala, camisola 17, 22 anos do CSKA Moscovo – tem-se cruzado por diversas vezes com equipas portuguesas, e, provavelmente, poucos dos que viram com atenção esses encontros não se lembraram das suas actuações. É, de facto, um talento emergente, revelando-se rápido e explosivo nas suas incursões pelo flanco onde actua. É, também, uma das presenças nas mais recentes convocatórias para a selecção principal.

Republica Checa
Se olharmos às individualidades, esta equipa Checa será, à partida, um dos pontos mais fracos do torneio. De facto, são poucos os nomes consagrados entre o elenco Checo, onde se apresenta apenas 1 internacional pela selecção principal. Ainda assim, o anonimato deve ser encarado, quer por jogadores, quer por observadores, como uma oportunidade real para se revelarem talentos ainda pouco valorizados. O caminho para a fase final foi cumprido à custa de três selecções modestas: Bielorrussia e Chipre na fase de grupos e a Bosnia nos Play-off.

Destaques individuais:
Michal Kadlec – defesa esquerdo, camisola 5, 22 anos do Sparta de Praga – é tido como um dos talentos do futebol Checo. Rápido e forte na marcação, tem bom tempo de subida nas incursões ofensivas. Foi apontado como potencial reforço do Celtic.

Daniel Pudil – médio centro, camisola 11, 21 anos do Slovan Liberec – é o único internacional A no elenco e esse é o motivo do destaque. Joga com os dois pés e é daqueles médios com cultura de área, fazendo uso da boa leitura dos espaços para aparecer com propósito nas zonas de finalização.

Jan Blazek – avançado, camisola 22, 19 anos do Slovan Liberec – é o mais jovem dos eleitos e um dos mais promissores herdeiros da vasta legião de ponta-de-lança de qualidade que o futebol checo tem sabido gerar. Esta foi a sua época de afirmação e, quem sabe, não espreita uma oportunidade que lhe seja dada para dar nas vista...


Itália
É, sem dúvida, uma das selecções candidatas à vitória final. A tradição e cultura do futebol italiano a isso obrigam e, neste caso, não há excepção. A selecção italiana chega a esta fase após eliminar a poderosa Espanha nos Play-off, representando este facto o principal cartão de visita dos azzurri. Grande curiosidade em torno de vários jogadores que ainda não fazem parte dos quadros dos “colossos” italianos, sendo, por isso, possíveis alvos de outros emblemas europeus.

Destaques individuais:
Giorgio Chiellini – defesa esquerdo, camisola 3, 22 anos da Juventus – lateral ofensivo que é internacional A desde 2004. Há muito visto como um potencial herdeiro da ala esquerda da selecção principal, Chiellini deverá querer impor-se definitivamente no futebol italiano em 2007/2008.

Alberto Aquilani – médio centro, camisola 8, 22 anos da Roma – há muito visto como um dos mais prodigiosos produtos das escolas de formação romanas, Aquilani afirmou-se este ano no Calcio, tendo merecido uma chamada à selecção principal. Com um completo leque de atributos que fazem dele um médio de eleição, Aquilani deverá ser presença segura no meio campo.

Alessandro Rosina – extremo, camisola 10, 23 anos do Torino – produto das escolas de formação do Parma, tem feito furor em Turim. Primeiro ajudando o Torino à promoção em 05/06 e, esta temporada, tornando-se numa das revelações da Serie A, apontado 9 golos. É um jogador baixo, rápido e muito habilidoso, sendo a sua técnica comparada ao que tipicamente vemos nos criativos brasileiros.

Giuseppe Rossi – avançado, camisola 11, 20 anos do Man Utd – se há nome a que os portugueses vão estar atentos na selecção italiana é Giuseppe Rossi. A sua ligação a uma eventual mudança para o Porto tem entusiasmado o defeso e a verdade é que o talento não é desmerecedor. Rossi é um dos mais novos no elenco e, sem dúvida, um dos mais mediáticos e promissores. Habilidoso e veloz, pode deixar a sua marca no torneio.

Inglaterra
Depois de alguns anos em que a formação inglesa não foi capaz de gerar equipas de qualidade condizente com a tradição futebolística do país, a aposta foi repensada e, hoje, a realidade é de novo risonha. A selecção inglesa chega à Holanda com aspirações legítimas ao título e com um leque de jogadores com vasta experiência na Premier League. Ainda assim, os ingleses não contarão com nomes como Theo Walcott, Aaron Lennon, Micah Richards, Darren Bent ou David Bentley.

Destaques individuais:
Anton Ferdinand – defesa central, camisola 5, 22 anos do West Ham – Irmão do bem sucedido Rio e originário da mais famosa escola de formação do país, Anton Ferdinand tem tudo para ser bem sucedido. Chega a esta prova como um valor seguro do futebol inglês e esperando por “um salto” na sua carreira.

James Milner – médio ala, camisola 15, 21 anos do Newcastle – o que mais espanta em Milner não é o seu futuro mas, incrivelmente, a experiência que já tem aos 21 anos. É que Milner foi revelado aos 16 anos no Leeds, tendo, de lá para cá, sido presença regular nos clubes onde actua. Não é um talento invulgar mas um jogador muito valioso e competitivo, sendo uma das principais figuras desta selecção.

James Vaughan – avançado, camisola 21, 18 anos do Everton – pode até vir a ser pouco utilizado, mas merece o destaque. É um avançado combativo e veloz, à imagem do seu antecessor em Goodison Park, Wayne Rooney. Após a sua estreia com 16 anos na Premier League, contraiu uma grave lesão. Vaughan conseguiu regressar e, este ano, conquistou um lugar no 11 do Everton.

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30.5.07

Poborsky. O adeus do homem do chapéu

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Creio que a primeira vez que o vi jogar foi em 1996, mas ainda antes do torneio que o projectou na Europa do futebol – o Euro 96. Nesse ano a Taça Uefa teve duas revelações. Uma foi o finalista vencido, o Bordéus, onde alinhavam Lizarazu, Dugarry e... Zidane. A outra era o Slavia de Praga, batido nas meias finais, precisamente, pelo Bordéus. Numa das vezes que vi aquela estranha equipa de camisolas, meio vermelhas, meio brancas, não me passou despercebido um enérgico “cabeludo” que explodia sempre que se apanhava com a bola nos pés. Não apanhei, de imediato, o nome que, como a qualquer Português, me ficaria encravado na memória quando meses mais tarde, em Birmingham, encerrou com o sonho Nacional com uma "chapelada" que ainda hoje figura nos momentos “Best of” dos Europeus.

Esse golo e a fantástica carreira da Selecção Checa (vice-campeã europeia) foram o culminar de uma época fantástica que tornou Poborsky (com 24 anos) como um dos mais apetecíveis jogadores do futebol europeu. Foi o Manchester United que ganhou a corrida, mas não foi fácil a vida em Inglaterra. Era extra-comunitário, Beckham emergia e a adaptação ao país não havia correspondido às expectativas. A saída era uma evidência e foi Vale e Azevedo a tirar melhor partido da situação. Poborsky foi uma das primeiras contratações do recém eleito Presidente encarnado e, digo eu, provavelmente a melhor. Todos se lembram do seu impacto na Luz, onde se tornou idolo pela qualidade e espectacularidade do seu futebol. Saiu da Luz antes dos 30 anos, rumo à Lazio. O Benfica vendeu-o “à pressa” para evitar uma saída em final de contrato e Poborsky seguiu o seu rumo, primeiro em Itália, depois no Sparta de Praga. Acabou a carreira no modesto Dynamo Budejovice – clube onde se havia iniciado.

No seu país é uma figura incontornável. Parte de uma geração gloriosa do futebol Checo, Poborsky terminou com 118 (!) internacionalizações, tendo participado nos Europeus de 1996, 2000 e 2004, bem como no mundial de 2006.


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