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3.6.08

Portugal: Tudo pronto, ficam as interrogações...

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A contagem decrescente para o Euro aproxima-se do seu final e são já poucas as dúvidas em relação à Selecção. Na preparação para a prova tivemos a oportunidade de acompanhar os treinos em Viseu, o que possibilitou uma visão um pouco mais pormenorizada do que é habitual sobre a evolução dos trabalhos, fazendo com que o particular com a Geórgia, pela pouca dificuldade e intensidade do próprio jogo, não tenha sido merecedor de uma análise mais rigorosa, não acrescentando grande coisa ao que já era conhecido. Mas vamos a alguns pontos de opinião sobre esta preparação da Selecção:

Preparação
Começando pela programação de treinos e jogos. Não sou favorável a um grande número de jogos e até compreendo que não se façam testes frente a adversários de grande dificuldade. Quando se tenta em pouco tempo sistematizar princípios e rotinas de jogo, o treino é o que mais faz falta. Surge-me, no entanto, um dado de apreensão. A Selecção separou os treinos físicos dos tácticos, o que ditou que o tempo e a intensidade dos preparativos de ordem táctica fosse reduzido. Como o jogo com a Geórgia pouco fugiu às características de um treino de conjunto, o real teste à resposta portuguesa em ambientes a fases de maior intensidade de jogo fica para... o próprio Euro. Neste aspecto, reforço uma ideia que tenho sobre este tipo de competições. As Selecções que mais possibilidades têm de ganhar não são aquelas que melhor se preparam para a o inicio da competição mas sim as que mais conseguem evoluir durante a prova.

Modelo de jogo
Defendi aqui que Portugal tinha a oportunidade de rever o seu modelo de jogo, de se tornar mais forte a jogar em transição (o que pode ser particularmente útil perante adversários de maior nomeada) e de adquirir algumas rotinas que tirem melhor proveito daquele que é um dos melhores finalizadores do mundo, Cristiano Ronaldo (algo que contrasta com o habitual perfil do extremo português). Ora, isso não vai acontecer, pelo menos de uma forma declarada. Do que se pode até agora assistir, Portugal vai manter-se como uma Selecção que procura dominar essencialmente os jogos pela posse, sendo que não deixa de ser verdade que se identificam alguns movimentos importantes como a mobilidade dos extremos e a criação de espaços que permitam o aparecimento da explosividade de Bosingwa, libertando o corredor direito. Por outro lado, fica a sensação de alguma ausência de preocupação com o equilíbrio em posse, com Petit a ser um médio que participa activamente nas jogadas ofensivas, ao mesmo tempo que Paulo Ferreira e Bosingwa aparecem “abertos” em simultâneo. Como a Geórgia não nos concedeu essa benesse no particular de Viseu, ficou por testar um capítulo fundamental para quem quer dominar o jogo em posse: a transição defensiva.

Individualidades
Defesa direito: Bosingwa parece-me uma escolha inequívoca pela invulgar velocidade que empresta às suas acções. Pode ser uma arma ofensivamente e, defensivamente, igualmente importante nas recuperações. No entanto, Miguel pode vir a ser um elemento fundamental na prova. Primeiro pela instabilidade física de Bosingwa e depois porque julgo ser a opção mais aconselhável para os jogos em que haja preocupação em fechar junto aos centrais, onde Bosingwa tem manifestas dificuldades.

Posição “6”: Petit parte na “pole position” por diversos motivos. É uma opção que se compreende, mas perante certos adversários poderá haver interesse em utilizar outras soluções. Particularmente perante uma oposição que aposte num jogo de primeiras bolas, a capacidade aérea de Petit não será a que mais beneficiará o colectivo. Mas a mais clara das situações é no caso de Portugal defrontar equipas com 2 avançados. Scolari já deu a entender que quer que seja o “6” a “encostar” num dos avançados e, apesar da sua experiência, Petit poderá sentir algumas dificuldades nessa função. Aqui, tanto Veloso como Meira (embora, para mim, estranhamente não venha sendo testado nessa função) podem e devem ser alternativas a considerar.

Posição “8”: é a dúvida assumida por Scolari. Moutinho parece ter ganho o lugar com o golo frente à Geórgia, mas vendo o perfil de Petit, Deco e dos 2 laterais – particularmente Bosingwa – parece-me que Raul Meireles seria a melhor opção. Isto porque perante as características dos jogadores referidos, parece-me fazer mais falta um elemento que dê maior importância ao aspecto posicional, aproximando-se mais naturalmente de Petit, do que alguém que está, como Moutinho, geneticamente mais próximo das funções de Deco e não tão preocupado com os equilíbrios colectivos em posse.

Extremo: São muitas as opções de qualidade mas, para mim, não há dúvidas quanto à titularidade de Simão. Não é tão genial quanto Quaresma, mas oferece muito mais em termos colectivos do que os seus concorrentes. Em posse de bola é mais seguro (o que é muito importante tendo em conta o perfil de jogo de Portugal que tem já Ronaldo a jogar permanentemente no “risco”) e tem melhorado muito na sua capacidade de jogar em zonas fora das alas. Deve, na minha opinião, ser sempre uma primeira opção.

Ponta de lança: Nuno Gomes é o titular compreensível. Funciona bem como pivot, o que é importante, e costuma estar inspirado com as Quinas ao peito. Todos conhecemos, no entanto, o outro lado de Nuno Gomes. O seu aspecto psicológico tem sido muito oscilante e quando o atinge negativamente, perde confiança a um nível assustador. Se isso acontecer creio que Postiga deve ser aposta sem grandes reservas. Aliás antes do Euro já defendi a hipótese de uma aposta em Postiga como titular, sendo uma oportunidade nova para o agora avançado do Sporting que retiraria a pressão dos ombros de Nuno Gomes. Afinal foi nos momentos em que teve de substituir alguém que o 21 deu melhor conta de si e isso pode (ou não) ter a ver com o tal aspecto psicológico do jogador.

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13.5.08

Os 23 de Scolari: Sem Maniche!

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Não se pode dizer que fosse um anúncio que tenha gerado muitas expectativas. Comparativamente com 2004 e 2006, então, esta terá sido uma convocatória pacífica para a generalidade do público e imprensa, sobretudo se tivermos em conta os casos de Baía (2004) e Quaresma (2006) que tinham a particularidade de envolver jogadores de um dos grandes o que gera, inevitavelmente, muito mais polémica e discussão.
Ainda assim, parece-me que esta convocatória está longe de poder estar livre de discussão. Se há alguns casos que, sinceramente, têm interesse de pormenor, já que visam decisões entre jogadores que dificilmente farão muitos minutos, há um que merece maior importância: Maniche. Mas vamos aos destaques, individualmente:

Rui Patrício – É o caso que menos interessará, mas acho que Scolari comete aqui uma injustiça. Para terceiro guarda redes convém dar um prémio e não criar uma expectativa. Nesse aspecto, Patrício preenche o requisito. Acho no entanto prematuro fazer deste jovem guarda redes um talento seguro ao ponto de merecer tamanha distinção após uma época em que termina como principal ponto fraco da equipa. Creio que Beto ou Eduardo teriam sido melhores escolhas, até porque Patrício, se confirmar o potencial que se apregoa, facilmente terá mais e melhores oportunidades. Aqui, o factor “clube grande” tem o seu peso.

Caneira – Foi o preterido. Não creio que seja muito relevante – espera-se! – mas a opção por Caneira também não seria mal vista, sobretudo tendo em conta a sua polivalência – é o único que faz os 3 lugares da defesa. O facto de não ser primeira escolha para a esquerda terá sido decisivo.

Jorge Ribeiro – Tenho dito aqui que se justificaria testar a opção Jorge Ribeiro como lateral esquerdo. Motivo simples: é o único “de raiz” que podia merecer esta chamada. A minha estranheza prende-se com a pouca utilização de Jorge Ribeiro a lateral por parte de Scolari... É que se for para ser opção para o meio campo, então, não me parece mesmo nada boa escolha.

Fernando Meira – Não me parece que seja um nome controverso mas, ainda assim, aplaudo a chamada. A sua polivalência permite que Scolari pense na utilização de um pivot defensivo mais fixo e próximo dos centrais, ganhando força nas primeiras bolas aéreas (onde Costinha era muito forte). Não sei se não será mesmo essa a primeira escolha de Scolari...

Maniche – Aí está o grande risco de Scolari. Ter de substituir Figo, Pauleta e, ainda que menos, Costinha, já é um desafio. Sem Maniche, a tarefa torna-se ainda mais difícil. Maniche pode não ter um percurso ao nível de clubes – pós Porto – na dimensão esperada, mas foi, só, eleito para o melhor onze do último Europeu e Mundial, onde apontou 4 golos ao todo. Maniche seria para mim um titular de caras (a não ser que se revelasse em muito mau momento, claro). Entende muito bem Deco, e é o médio com mais tempo de chegada à zona de finalização (algo raro na Selecção), meia distância e leitura dos espaços. Penso que a questão disciplinar pode ter sido relevante, mas não penso que possa ter sido só por esse motivo. Espero não me lembrar dele a meio de alguns jogos!

Petit – Se acho que Maniche faz muita falta, Petit seria o meu preterido. A sua forma física não auspicia uma intensidade competitiva em que se possa confiar para uma fase final do Euro. Quando penso na má forma de Tiago ou Maniche, pergunto-me se estes dois tivessem o seu mau momento, tal como Petit, num grande português também não fariam parte dos 23 finais?

Veloso – Houve quem o questionasse, mas eu mantenho que tem uma qualidade fora de série no primeiro momento ofensivo (ainda que defensivamente possa ter os seus pontos a melhorar). Se for chamado a titular – e é possível que isso aconteça – tenho a convicção que se pode tornar num dos destaques da Selecção.

Postiga – Outra escolha menos previsível que aplaudo. Scolari disse-o, tem características que os outros não têm. Neste aspecto até penso que poderá fazer parte dos planos iniciais de Scolari. É fundamental que, utilizando um ponta de lança, ele tenha mobilidade para abrir espaços para o aparecimento de Ronaldo e Postiga pode ser essa solução.


Em suma, à excepção de Maniche – que tem muito peso, como expliquei – não vejo problemas de maior nas escolhas. O trabalho de Scolari, de resto, está ainda por começar verdadeiramente. Muito mais importante do que escolher 23 é conseguir criar uma ideia de jogo com estes jogadores e, sobretudo, superar um modelo que vinha de trás e estava adaptado às características de outros jogadores, revelando-se esgotado durante a qualificação. Portugal não será tão forte em posse de bola como em 2000, mas pode ser mais letal em transição; o trio do meio campo de 2004 e 2006 está desfeito e importa criar outras rotinas; Ronaldo tem um perfil próprio e merece que o colectivo adopte princípios que o favoreçam... Tudo isto são questões que me causam alguma apreensão, confundindo-se este sentimento com o habitual entusiasmo com que encaro a presença da Selecção nestes eventos. Mas delas falarei aqui mais vezes...

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26.3.07

Portugal - o render da guarda no miolo

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Do resultado do jogo sai – pela expressividade dos números e genialidade dos golos – o sentimento de que em Portugal mora uma selecção que junta um brilhantismo de dimensão inédita a uma juventude que promete anos de glória para as “quinas”. De facto, não consigo discordar da ideia mas creio que há ainda vários pilares a compor no “render da guarda” da selecção. Para além do evidente drama do ponta de lança (que falta ainda faz o tão criticado Pauleta!) há um outro sector que quero abordar: o meio-campo. Grande parte dos atributos das bem sucedidas selecções de 2004 e 2006 resultam do triângulo originalmente composto por Mourinho: Costinha, Maniche e Deco. Este trio conseguia sempre manter bastante próximos os sectores, tendo um homem mais posicional e importante no apoio ao eixo defensivo (Costinha), um médio de transição que aliava uma intensidade de jogo alucinante a uma certeza no passe e no remate que davam qualidade às soluções ofensivas e defensivas da equipa, e um 10 completo e moderno de que não vale a pena aqui falar muito porque é ainda figura de proa da equipa, não sendo por isso necessário substituí-lo. Neste particular, note-se que me refiro à substituição de Costinha e Maniche por terem sido recentemente afastados, sendo claro que qualquer um deles poderá voltar aos eleitos de Scolari...
A Costinha sucede Petit, um jogador diferente. O que Petit dá em certeza de passe tira em capacidade de jogo aéreo (cada vez mais importante nos meios-campos de hoje) e protecção à zona central da defesa. É uma questão de perfil, mas na actual estrutura da selecção não há uma substituição clara das funções de Costinha com a entrada de Petit. Das duas, uma: ou se encontram novas rotinas para colmatar estas funções particulares de Costinha, ou aparece um substituto morfologicamente mais próximo (neste particular tenho o meu favorito como já venho defendendo há uns tempos: Miguel Veloso).
Maniche parece-me o caso de mais difícil substituição – estamos a falar de um jogador que entrou na lista dos melhores jogadores no último Europeu e Mundial. Um jogador inteligente no posicionamento, pragmático no passe (falha poucos, o que é fundamental) e eléctrico nos momentos de transição. Pelo que já aqui escrevi (noutros posts), não é difícil antever que creio que estará em Moutinho a solução ideal. Esta é a posição (médio de transição) em que creio que Moutinho se pode verdadeiramente projectar. Tendo precisamente as mesmas características que apontei a Maniche, faltar-lhe-á apenas a decisiva capacidade de remate do jogador do Atlético de Madrid. Importa também falar de Tiago e Hugo Viana. Embora diferentes, creio que são jogadores que gostam demais do risco para actuar especificamente nesta posição (por exemplo, num meio campo a 4 não seria tão problemático).
O problema da subida do central...



Com uma frequência crescente se assiste no futebol a desequilíbrios que provêm da subida dos centrais. Nem todos o fazem mas são cada vez mais os protagonistas deste tipo de lances. Há uma pergunta evidente: se é tão benéfico porque é que não acontece com maior frequência nas acções ofensivas das equipas? A resposta pode ser encontrada naquela que terá sido a grande ocasião de golo belga...
Ricardo Carvalho tenta, perante a ausência de oposição, fazer o desequilíbrio na zona central conduzindo a bola em progressão. O passe para Tiago não vai no entanto ter o objectivo pretendido. Ao não receber com a eficácia pretendida a bola, Tiago atrasa para Miguel para evitar a pressão a que é sujeito. Mais uma vez, no entanto, as coisas não correm conforme o esperado e Mpenza vai ganhar o ressalto.

É aqui que a ausência de Ricardo Carvalho se faz sentir. A partir daquela posição, Mpenza tem muito espaço para direccionar o seu passe. Jorge Andrade é uma presença demasiado singular para tanta largura de campo...


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