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21.7.10

Guimarães - Benfica: notas colectivas e individuais

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Os últimos anos fizeram deste um clássico de pré época. A versão 2010 terá sido provavelmente a menos interessante de todas. Culpa do Vitória, claro, que só não evitou um enorme embaraço graças à gentileza de Roberto. Antes dos detalhes, porém, quero deixar uma nota introdutória sobre os dados estatísticos que apresento. Há algum tempo que venho acompanhando as minhas análises e observações com a recolha destes números. Não se trata de um mero capricho meu, mas antes de uma tentativa de obter, através de um tratamento coerente desta informação, uma importante ferramenta de análise qualitativa de equipas e jogadores. Para tal, criei uma pontuação ponderada e que apresento pela primeira vez. A ideia será fazer deste um indicador com presença constante, já durante a próxima época...

Benfica (colectivo)
Como se esperava, as férias não serão mais do que uma pausa no Benfica de Jesus. Retomados os trabalhos, e mantida a qualidade do plantel, voltou a qualidade. Para o Benfica, este Vitória foi pouco mais do que manteiga. O seu futebol está, nesta altura, noutra galáxia e nem sequer precisa de despir o pijama. Basta-lhe manter a organização e forçar alguns momentos de intensidade e logo aparecem as transições demolidoras, frutos de um pressing colectivo que é um dos principais alicerces do modelo. E já está. Mesmo com Roberto a complicar.

No Benfica, apenas uma reserva. Não é Roberto, porque mesmo que se confirme um fiasco, há sempre Julio César para garantir que não será na baliza que a equipa vai perder qualidade em relação ao passado. É sobre Aimar. No ano passado falei repetidamente do tema. Aimar ocupa a posição mais importante do modelo e ninguém garante a sua qualidade em todos os momentos do jogo. Se o argentino fosse fiável fisicamente, não haveria motivos para urgências, mas no meio de tantos milhões continua a fazer-me confusão como não se procura mais afincadamente uma alternativa para um jogador tão importante e que promete progressivamente perder minutos de utilização.

Benfica (individual)
O primeiro destaque individual vai para Kardec. Não pelos golos, embora eles sejam de importância óbvia. O detalhe é que o nível de participação e de qualidade no jogo foi bastante elevado e, sobretudo, bem melhor do que aquilo que Cardozo costuma apresentar. O paraguaio que se cuide.

Sobre Gaitan, nenhuma surpresa. Escrevi-o ainda antes de sequer se sonhar que seria reforço do Benfica. Tem semelhanças com Di Maria, sem lhe ficar em nada a dever na maioria dos aspectos. Pode ainda não ter revelado a mesma explosão, mas decide melhor, joga melhor em espaços interiores, é melhor na zona de finalização e nada inferior tecnicamente. Dificilmente Di Maria será um fantasma na Luz.

Também um jogador que não surpreende é Airton. Não fez uma exibição isenta de erros, mas voltou a confirmar a sua fiabilidade. Já agora, fica a informação porque não está no quadro: Javi Garcia foi o pior do Benfica, pontuando 4,8, consequência de 4 perdas de bola em apenas 45 minutos. Outro titular a precisar de se cuidar...

Menos fulgurantes estiveram Jara e Menezes. O primeiro marcou um grande golo, mas não conseguiu a presença que dele se pode exigir. O segundo jogou simples, mas nem acrescentou nada em termos criativos, nem ficou isento de erros. Assim será difícil...

Guimarães (colectivo)
Que mau! Primeiro fiquei com a sensação de que o Vitória teria recuado para os tempos de Vingada. Isto, pelas semelhanças em termos de elasticidade táctica e ausência de um modelo mais rotinado. Mas não. Com Vingada, nunca foi tão mau. Pela sua filosofia, nunca poderia esperar um crescimento com a chegada de Manuel Machado, e seguramente que só pode melhorar, mas, para já, os indícios não são nada bons para o futuro próximo do “professor”. Há que contar com a qualidade do adversário e considerar ainda que o trabalho está apenas no inicio, é certo, mas parece-me que o melhor é mesmo que o Vitória comece a arrepiar caminho na construção de um verdadeira equipa. Manuel Machado está como a sua filosofia: preso às referências individuais. Parece preocupado em encontrar a qualidade ideal para cada lugar, mas enquanto não o consegue a equipa demonstra um nível raramente baixo de qualidade organizacional, que combinou igualmente com uma boa dose de imprudência decisional. Como disse atrás, valeu Roberto.

Guimarães (individual)
O “caso” chama-se Faouzi. Impressionante qualidade técnica e impressionante eficácia de passe para quem joga na sua posição. O problema, porém, é que Faouzi não parece perceber a importância das zonas para a posse. As poucas bolas que não endossou correctamente resultaram em transições e uma delas esteve na origem de um golo. Alguém queira explicar-lhe melhor estes detalhes e podemos estar perante uma estrela emergente.

À margem de Faouzi – um caso especial – os reforços do Vitória não parecem ser o problema de tantos problemas colectivos. Pereirinha promete afirmar-se finalmente na posição onde tem mais probabilidades de sucesso. Ainda na defesa, mas do outro lado, Anderson Santana esteve bem melhor do que Bruno Teles. Na frente, e já conhecido, Edgar foi presença útil, embora não se perceba que possa ser uma grande mais valia em relação ao que foi Roberto, por exemplo. Nota, finalmente, para Bebe e Maranhão entre os reforços analisados. A confusão em relação a comum e onde devem ser utilizados diz muito sobre o estado de coisas no momento. Bebé parece ter caído nas graças dos adeptos, mas é Maranhão quem merece esperanças mais legítimas de qualidade.



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24.2.09

A segunda parte do derbi e a decisão de Pereirinha

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O colete de forças leonino
O vídeo serve, no fundo, de apoio à análise que tinha deixado ontem ao jogo e, em particular, ao que sucedeu no segundo tempo. Nesse período foi de facto impressionante a superioridade que o Sporting conseguiu obter no jogo, motivado pelo golo inicial de Derlei e conseguindo fazer com que o Benfica fosse acentuando os seus erros posicionais, adoptando um comportamente cada vez mais desligado de sector para sector e sempre constrangido pela pressão que o Sporting foi exercendo.
Sem querer particularizar muito a análise a cada uma das jogadas em amostra, reforço a ideia daqueles que foram os pilares essenciais para tamanha superioridade leonina nesse período. Primeiro a atitude, reflectida na determinação e agressividade com que se disputaram cada um dos lances. Depois, a vertente estratégica, com um jogo quase sempre directo a desgastar a defesa encarnada que se foi progressivamente distanciando do seu meio campo, um bom posicionamento para segundas bolas e, muito importante, um pressing que impediu sempre o Benfica de fazer um bom primeiro passe, provocando invariavelmente o erro.
Do lado do Benfica, falou-se muito dos erros individuais. Já ontem fiz aqui a defesa de uma visão que deve ser pouco centrada no aspecto individual e muito mais nos problemas colectivos. Hoje, acrescento que se quisermos fazer uma análise mais rigorosa do ponto de vista individual talvez cheguemos à conclusão de que David Luiz não pode ser o único responsabilizado. Neste ponto destaco Sidnei, um jogodor muito jovem, imponente fisicamente e fortissimo no ar, mas que revela (e não é deste jogo) várias dificuldades do ponto de vista posicional, sempre que se lhe exige sair da sua zona. Não é uma crucificação de um jogador com potencial, apenas uma divisão mais justa do peso das responsabilidades neste caso especifico e, de uma forma mais geral, um alerta para alguns aspectos em que claramente deve melhorar.


A decisão de Pereirinha: A razão ou a emoção?
O último dos lances do vídeo tem a jogada do terceiro golo (desde já, um fantástico gesto que define o cabeceador sublime que é Liedson) em que sobressai, para além dos desequilíbrios tácticos já abordados, a notável jogada de Pereirinha. Há algo particularmente invulgar na sua acção, não há? É que Pereirinha, conhecido pela inteligência e racionalidade com que actua, ignora uma linha de passe evidente para Izmailov para arrancar para a sua jogada individual que antecede o golo. Afinal, terá tudo sido o produto de uma rara má decisão do jovem médio?
Este assunto, o do acerto nas decisões, é cada vez mais discutido, sobretudo na análise de jogadores particularmente talentosos. Para mim não é uma questão totalmente objectiva e aquilo que seria, à partida, uma má decisão pode ser, afinal, a melhor das decisões, dependendo dos casos e, claro, do desfecho dos mesmos. Vejo as coisas como as decisões da própria vida. Ou seja, em 90% dos casos é preciso ter-se lucidez e ser-se racional, mas no futebol como na vida são provavelmente os outros 10% que fazem toda a diferença. É que não se pode tirar o instinto ao jogador que, se sentir confiança e inspiração, deve seguir a emoção e ignorar a razão. Foi isso que fez Pereirinha no lance e é isso que fazem tantas vezes os maiores génios do mundo. Seguem o seu instinto e a confiança no seu talento, produzindo as jogadas e os lances que nos ficam gravados na memória. O princípio deve ser mesmo esse, seguir a razão mas nunca ignorar a emoção.
Já agora, aproveito o assunto para deixar um vídeo onde não faltam "más decisões"!

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