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24.11.08

Naval - Sporting: Resistir

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Estranho – Se frente ao Leixões o Sporting havia perdido, mais do que 3 pontos, muito do seu fulgor anímico, 1 semana volvida e conseguiu arrancar da Figueira da Foz uma vitória que, pelas incidências do jogo, pareceu valer mais do que os simples 3 pontos conquistados.
De facto, o Sporting teve de sofrer muito num jogo atípico, onde começou por chegar à vantagem sem que o tivesse propriamente merecido, mas onde a segurança do seu futebol, a partir desse momento, em nada justificava tanto sofrimento para garantir uma vantagem que, até, podia ter sido ampliada logo no primeiro tempo. Podem-se queixar os sportinguistas, mais uma vez, de um momento de descontrolo emocional de um jogador que, pela idade e experiência que tem, deveria ser o último a protagonizá-lo.
Na exibição do Sporting, destaque para alguma dificuldade ofensiva no primeiro tempo que resulta, fundamentalmente, de 2 factores. Primeiro, a postura da Naval, bem organizada e concentrada em reduzir os espaços no seu meio terreno. Segundo pela própria equipa apresentada por Paulo Bento, com dificuldade em contar com o apoio dos laterais e perdendo mobilidade com a presença de Postiga na posição 10. De resto, defensivamente o Sporting controlou sempre as transições da Naval, sempre canalizadas para as alas, mas terminando invariavelmente em cruzamentos condenados ao insucesso. A excepção foi aquele que deu origem à grande penalidade. Afinal, a única real oportunidade de empate nos 90 minutos.

Naval – Curioso o que sucedeu à Naval. A estratégia de Ulisses passava por fazer do relógio um aliado, colocando um bloco denso e agressivo sobre o seu próprio meio campo, retirando espaço de ataque ao Sporting. Em transição a bola era conduzida invariavelmente para as alas, colocando também em sentido os laterais contrários. Esta estratégia deveria ter como efeito um retardamento do golo leonino, potenciando a ansiedade nos jogadores contrários que, com o tempo, teriam tendência a errar mais. Acontece que o futebol é mesmo imprevisível e a Naval, depois de ter concedido um golo inaceitável na sequência de um canto a seu favor, acabou por ter de inverter totalmente a postura conservadora que trouxe para o jogo. Pode dizer-se que, no final, a Naval provou do próprio veneno, com o tempo a servir de catalizador para a ansiedade e pouco esclarecimento dos seus jogadores.

0-1! – Em 8 deslocações esta temporada o Sporting teve 5 resultados idênticos. Não é por acaso. Abordar os motivos desta repetição de resultados faz-me recuar até ao que havia dito após o jogo de Vila do Conde. O que de lá para cá se passou acabou por colocar o Sporting numa situação francamente menos favorável, fora da Taça e sob pressão no campeonato onde se sente que o fardo da diferença pontual se poderá tornar demasiado pesado em caso de mais perdas. A conclusão é simples. Se o Sporting poderá alicerçar a sua época na segurança defensiva, também é claro que, para o fazer, terá de deixar, rapidamente, de passar por momentos de alguma esquizofrenia defensiva, intervalando a segurança defensiva com erros totalmente evitáveis em certos jogos.

Patrício – Se há uma semana referi a sua responsabilidade no golo que ditou a derrota caseira com o Leixões, agora devo fazer justiça e salientar a importância da sua exibição. Claramente tem vindo a crescer este ano, mas não me desvio da ideia inicial. Para um candidato ao título todos os pormenores são “pormaiores”.


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3.11.08

Naval - Porto: Mais crise...

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Confiança – É um problema raro no Porto dos últimos anos e que com Jesualdo apenas se sentiu, ainda que de forma bem mais ligeira, na recta final da época 06/07, mas que no futebol abunda em exemplos. Por razões difíceis de objectivar, é francamente mais difícil conseguir que as coisas saiam como se quer quando se está numa onda negativa, sendo este um fenómeno que encontra sinal oposto quando a vitória é um resultado mais familiar. A palavra chave é confiança e creio que, frente à Naval terá sido o principal factor que explica uma derrota que, naturalmente, teve outros problemas...

Primeira parte – O primeiro e importante ponto (positivo, neste caso) está na recuperação do modelo em que o Porto se sente melhor. No "seu" 4-3-3 o Porto dominou, voltou a ter em Lucho uma referência e a fazer da pressão uma arma (foi em transição e numa jogada que teve Lucho como protagonista que Lisandro desperdiçou a melhor ocasião desse período). Em boa verdade, penso que, com a tal confiança, o rendimento portista dos primeiros 45 minutos, não sendo brilhante, teria sido suficiente para valer a vantagem ao intervalo. Houve, no entanto, alguns aspectos que ficaram aquém do pretendido. A saber: Lucho foi menos interventivo e decisivo do que era desejável (e habitual), os extremos jogaram demasiado presos à linha, não dando a mobilidade desejável, e, finalmente, houve alguns erros de abordagem individual, particularmente dos laterais, que justificaram os únicos (muito escassos) problemas defensivos sentidos pelo Porto nesse período.

Incapacidade para virar – O segundo tempo não começou por correr bem, com a Naval a chegar ao golo num lance feliz mas que conta, mais uma vez, com erros individuais evitáveis. A verdade é que o Porto não teve depois o melhor desempenho na busca do empate e esta incapacidade de reagir às desvantagens é já um hábito do Porto de Jesualdo. Aqui recupero uma ideia já destacada em anos anteriores. Ao mexer na sua estrutura habitual o Porto tenta ganhar mais presença ofensiva mas, notoriamente, a qualidade colectiva ressente-se. Na Figueira, Jesualdo experimentou durante 20 minutos uma estrutura de 3 defesas e um quadrado no meio campo (3-4-3). Ora, se nunca fora utilizada porque é que se havia de esperar que os jogadores dessem uma boa resposta colectiva numa estrutura com que não estão familiarizados?

Problemas e soluções – Começando pelos problemas. Para além da tal confiança, recuperável com vitórias, o Porto tem um claro problema de qualidade individual na interpretação do seu modelo. Guarda redes, laterais, médio defensivo e extremos têm sido um problema evidente que resulta sobretudo de uma incapacidade de comprar ao mercado uma qualidade próxima dos jogadores que foram vendidos. A isto junta-se uma quebra de forma do principal desequilibrador da equipa, Lucho, e um anormal desacerto de Lisandro na finalização. Para além das individualidades há um problema de dinâmica colectiva que tem a ver com a pouca mobilidade dos extremos que precisam de oferecer mais mobilidade à equipa e não permanecerem tão fixos nas linhas – gera previsibilidade.
A única solução que vejo para o Porto é tentar superar estes problemas dentro do modelo em que os jogadores se sentem mais familiarizados. Se o problema é a adaptação de alguns jogadores a certas funções, mudar de modelo seria aumentar o número de jogadores em adaptação, tornando as coisas mais difíceis no curto prazo e incertas no médio prazo. Dentro desta ideia, creio que será importante, numa primeira fase, tentar recuperar o maior número de jogadores possíveis da estrutura do ano passado como forma a aproximar o mais possível o rendimento da equipa com o excelente nível do ano passado. Assim, parece-me que Hélton, Fucile, Tarik, Mariano e até Farias deverão fazer parte da solução imediata de Jesualdo, partindo só depois para uma integração progressiva dos novos – aliás penso que esse devia ter sido o rumo inicialmente escolhido pelo professor.
Ainda assim, e apesar do pessimismo geral, creio que o Porto mantém uma ideia de jogo muito boa e sobretudo adequada ao consumo interno. Se não se desviar dela, estou seguro, permanecerá como um sério candidato ao título, apesar do que pensará nesta altura muita gente...

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27.10.08

Benfica - Naval: Da vitória vem o aviso

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Primeiro jogo "normal" – Este era o primeiro jogo normal do Benfica em casa. Quase todos os restantes jogos na Luz serão dentro desta tipologia e por isso tinha uma especial curiosidade em ver como se comportaria a equipa. Tal como foi evidente e reconhecido, a vitória foi mais sofrida do que o desejável e, se o Benfica fez o suficiente para marcar até mais cedo, o que mais preocupa é a incapacidade defensiva da equipa durante praticamente todo o jogo. À primeira o Benfica escapou mas arrisco dizer que é preciso melhorar sob pena de assistirem a alguns embaraços durante esta temporada.

Oscilações – A oscilação do jogo do Benfica foi abordada por Quique no final da partida e sentida por todos ao longo dela. Na realidade penso que, no caso, as oscilações resultam da variação dos próprios momentos emocionais do jogo. Se no inicio o Benfica teve dificuldade em pressionar e sair a jogar, vendo a Naval ser senhora da bola nos primeiros 15 minutos, quando assustou pela primeira vez os figueirenses, conseguiu inverter completamente essa tendência. É altamente relevante o papel do pressing encarnado, sobretudo após perder a bola, forçando o erro adversário e mantendo o jogo junto da área contrária. Quando conseguiu ser forte e agressivo neste particular, o Benfica conseguiu as suas fases de maior domínio, mas, como disse, estes momentos pareceram ser despoletados pelo efeito emocional das primeiras oportunidades. Pelo contrário, nas fases em que o seu jogo se torna menos intenso e constante, o Benfica revela mais dificuldades, sobretudo quando é obrigado a organizar jogo pelos centrais – isso foi evidente particularmente nos tais 15 minutos iniciais.

Controlo defensivo – Um dado que começa a ser recorrente e preocupante é a falta de controlo defensivo do Benfica. Aqui é incontornável falar, novamente, do problema de se definirem poucas linhas defensivas, deixando em dificuldades a última linha defensiva. Quando a equipa se estica no campo, abre um buraco perigoso e muito visível durante o jogo, à frente da defesa e nas costas dos 2 médios centro. Quando a defesa sobe para tentar reduzir esse espaço – e em certas situações torna-se inevitável que o faça – fica vulnerável nas suas costas. O lance de Marcelinho no inicio do jogo não é diferente do de Lucho ou Djaló, em jogos anteriores. É um problema de posicionamente e não de velocidade porque, por muito rápido que fosse um central, nunca poderia apanhar um jogador que sai daquela maneira em direcção à baliza.

Avançados – Torna-se evidente que há um “bom problema” para Quique. Suazo e Nuno Gomes estão num bom momento mas é Cardozo quem resolve. O paraguaio é, aliás, um luxo deste plantel. Quique definiu um modelo em que, claramente as características de Cardozo não são potencializadas – é um avançado mais fixo e menos móvel do que o aconselhável – mas a verdade é que o paraguaio é um jogador de grande qualidade e que parece ser mesmo capaz de discutir um lugar apesar do tal desajuste de perfil. O problema só deixará de ser “bom” se Cardozo reagir mal ao banco de suplentes, onde provavelmente acabará por iniciar a maioria dos jogos. Um caso a merecer a atenção do treinador.

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11.5.08

Notas: Naval 0-2 Porto

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Dada a formação inicial apresentada por Jesualdo Ferreira, pode dizer-se que este jogo teve um carácter muito próximo de uma partida de pré temporada. Há aqui, no entanto, uma diferença relevante: é que ao contrário do que acontece no inicio dos trabalhos, neste caso pouco interessará uma análise das rotinas colectivas, simplesmente porque estas não vão mais ser interpretadas pela maioria dos protagonistas antes das férias. Por tudo isto, vou centrar o comentário ao jogo numa apreciação individual a alguns dos intervenientes que é, afinal, o que mais terá interessado para as notas de Jesualdo.

Fucile: confesso que foi uma época abaixo do que esperava do uruguaio. Mais uma vez, na Figueira, voltou a revelar-se algo precipitado em posse de bola. Uma tendência que custou muito caro à equipa na eliminatória da Champions e que, provavelmente, determinará a necessidade de ir ao mercado buscar uma primeira escolha para lateral direito, caso se confirme a saída de Bosingwa.

Lino: O que falta a Lino, essencialmente, é intensidade de jogo. Ao nível da concentração e agressividade. Mais uma vez confirmou a estranheza que rodeou a sua aquisição.

Stepanov: Mantém-se em fase de adaptação. Fisica e tecnicamente parece ter potencial, mas falha em diversos aspectos, particularmente na abordagem a duelos individuais e em alguma displicência com que decide em zona perigosa. Vai ter ainda de evoluir para ir ao encontro das exigências de um titular.

João Paulo: É um jogador de grande utilidade e estou curioso para ver qual a decisão em torno da sua continuidade. Tem no jogo aéreo o seu ponto mais forte, mas é também um jogador versátil. Não creio poder ter sido um fora de série, mas parece-me que a sua evolução poderá ter sido condicionada pelo timing das lesões.

Bolatti: Mais uma exibição preocupante. Não se exigia muita amplitude de movimentos, nem mesmo que fosse vistoso em posse de bola. Bolatti errou demasiados passes e acumulou perdas de bola numa posição proibitiva do modelo de jogo. Para além disso teve dificuldades no posicionamento e na abordagem às primeiras bolas que cairam na sua zona. Não sei qual o futuro deste jogador, mas o que revelou – e teve várias oportunidades – não é merecedor, sequer, de integrar o plantel.

Kazmierczak: ao contrário de Bolatti, pergunto-me porque é que não teve mais oportunidades? Não é um jogador reactivo nos posicionamentos – como consegue ser Meireles – mas antecipa-os muito bem, aparecendo com bastante propósito em diversas zonas do terreno, quer com bola, quer sem ela.
Na posse de bola, joga quase sempre de primeira e poucas vezes erra. Para mim, o melhor em campo.

Mariano: não é nada fácil fazer de Lucho. Mariano não me parece ter o que o Porto precisa para jogar naquela posição. E, apesar da sua combatividade, não tem a capacidade de antecipação dos momentos do jogo que permite uma melhor ligação com o ataque. Particularmente no pressing isto foi notório. Enfim, esta não é a sua posição e já provou que pode ser util noutras funções, embora, creio eu, não ainda, como solução preferencial.

Adriano: Foi ingrato jogar a extremo. Adriano, ainda assim, revelou a espaços a sua qualidade. É um jogador, já se sabe, com faro de golo, mas que trabalha muito bem fora da área. Tem na sua atitude sem bola o principal defeito. Com ele o Porto perde capacidade na transição defensiva.

Farias: Não é um jogador excepcional, nem no aspecto fisico nem técnico, mas tem o que é essencial num jogador de área: sabe movimentar-se e antecipar as jogadas. Por isso marca tantos golos de grau de dificuldade baixo. De resto, tentou trabalhar fora da zona de finalização e manteve uma atitude séria e agressiva no jogo, com e sem bola.


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1.4.08

A 6 do fim...

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Belenenses – Porto
Infelizmente só consegui ver os últimos 45 minutos daquele que era o jogo que mais valia a pena na jornada. São raros os confrontos em Portugal em que há qualidade de ambos os lados e, este ano, mais raros ainda aqueles em que alguma equipa consegue em condições normais discutir o jogo com o, quase, tricampeão.
A perder, o Porto entrou fortíssimo no segundo tempo, conseguindo remeter o Belenenses sistematicamente para a sua área durante cerca de 25 minutos – aqui há que ter em conta o estímulo anímico adquirido com o golo de Lisandro. Impressionante a transição defensiva do Porto nessa fase, com uma reacção muito forte no momento da perda de bola que impediu que o Belenenses fizesse aquilo que normalmente faz bem, sair em transição. No mesmo período, há ainda que salientar a eficácia do Belém, que quando chegou à área portista conseguiu criar reais embaraços ao adversário, fruto da boa execução das bolas paradas. O jogo passou depois para um fase de maior equilíbrio, com o Belenenses a conseguir ter mais tempo a bola e a partida parecia estar destinada ao empate até que, à terceira tentativa individual para furar a defesa contrária, Quaresma conseguiu o penalti decisivo...

Algumas notas para 1) elogiar, mais uma vez, a organização e qualidade introduzida por Jesus – está a pedir novos desafios, apesar da sua postura exageradamente emotiva; 2) Salientar a influência que têm Lisandro e Lucho na qualidade do jogo portista. São os 2 jogadores com mais responsabilidade na subida de produção do Porto em relação a 06/07; 3) Por outro lado, referir a pouca evolução revelada por Quaresma nos últimos tempos. Considero-o como a principal figura do tricampeonato portista, mas permanece sem integrar o seu futebol numa perspectiva colectiva (o que no caso do Porto não é tão problemático, pela forma como Jesualdo compôs o seu modelo) e ele é o principal prejudicado.

Naval – Sporting
Pela primeira vez em muito tempo o Sporting conseguiu exercer uma superioridade clara num jogo fora de portas. Apesar desta ter sido uma evidência desde o apito inicial da partida, a história podia ter-se complicado seriamente com mais um golo muito consentido. A verdade, porém, é que a Naval foi sempre uma equipa incapaz de ter uma ocupação de espaços que criasse problemas à primeira fase de construção do Sporting, revelando-se depois igualmente ineficiente na sua zona mais recuada, sobretudo na interpretação da estratégia da defesa em linha. Com mérito (e empurrado pela importância do “timing” com que chegou ao empate), o Sporting limitou-se a transformar a sua superioridade numa vitória praticamente certa ao fim de 45 minutos.

Se ofensivamente, o Sporting sobrou para as exigências do jogo, defensivamente não foi bem assim. Curiosamente, as dificuldades não apareceram no controlo das transições adversárias mas em pequenos momentos de desorganização e permissividade que proporcionaram à equipa da Figueira da Foz mais oportunidades do que Paulo Bento certamente desejaria. Apesar de existirem melhorias notórias no futebol do Sporting, permanece uma distância considerável em relação à qualidade exibida em 06/07.
Nota imprescindível para Miguel Veloso. Já aqui apontei aspectos em que pode e deve melhorar (sobretudo sem bola), mas isso não coloca em causa o potencial excepcional do seu futebol. Quando a equipa melhora colectivamente isso torna-se ainda mais evidente.
Benfica – Paços Ferreira
Era um jogo que tinha um interesse especial por ser o primeiro em que Chalana havia tido algum tempo para desenvolver através do treino aspectos que pretendesse alterar. Ao seu terceiro jogo, o treinador interino voltou ao losango apresentado na estreia frente ao Getafe, repetindo a aposta em Rodriguez para o vértice superior do meio campo. O Benfica revelou uma maior preocupação em dar mobilidade à sua posse de bola, tentando ser mais imaginativo e móvel na primeira fase de construção. Ainda assim, nota-se que os movimentos não estão ainda totalmente trabalhados havendo uma dificuldade crescente à medida que a equipa se aproxima da área contrária. A contribuir para um jogo ofensivo mais previsível esteve a falta de ligação entre os médios e avançados, pouco móveis e participativos na criação.
Nesta tentativa de ser mais forte ofensivamente, o Benfica parece descurar um aspecto em relação ao que acontecia com Camacho: a transição defensiva. É um aspecto a confirmar no futuro, mas a equipa aparenta uma menor preocupação com o seu equilíbrio no momento da perda de bola, sendo frequente alguma falta de auxilio do meio campo às recuperações defensivas.
Parto deste último ponto para fazer uma referência ao Paços. Ouvi alguns elogios à exibição da equipa de José Mota, mas custa-me percebê-los. É verdade que o Paços se apresentou com uma estrutura pouco “pesada” em termos defensivos, com 2 linhas defensivas (a segunda de apenas 3 homens) compreensivelmente baixas, dado o favoritismo do Benfica. O que se passou, porém, foi que as transições foram notoriamente fracas, quer em termos de organização colectiva, quer em termos de interpretação individual dos jogadores. Percebe-se assim facilmente o porquê do mau registo forasteiro dos Pacenses. É que dando mais vezes a iniciativa de jogo nas deslocações, torna-se depois difícil retirar alguma coisa do jogo se não se é capaz de explorar as transições.

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18.2.08

Jornada 19: Quando se ganha...

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Marítimo – Porto
Na véspera da partida para a Alemanha, e apesar da vantagem pontual no campeonato, Jesualdo não entrou em rotatividades ou em descanso de titulares. Para além da ausência de Bosingwa, o destaque foi para a manutenção de Farias no ensaio geral antes do embate da Champions e para um pormenor na posição dos médios Lucho e Raul Meireles. É que, ao contrário do que é normal, Lucho actuou maioritariamente descaído para a meia esquerda, ao inverso de Meireles. A exibição portista não foi brilhante no primeiro tempo. Alguma desconcentração no momento do passe provocou perdas de bola em número atípico na equipa portista e o Marítimo aproveitou para protagonizar algumas transições bem interpretadas, fazendo a bola percorrer lateralmente o campo e causando algumas dificuldades ao posicionamento portista. Com o decorrer do tempo, no entanto, o Porto foi dando maior consistência ao seu jogo e no momento em que chegou à vantagem – imediatamente antes do intervalo – já tinha o adversário sob a sua teia posicional, dominando a partida. Com o golo de Lisandro – muito consentido pela oposição directo, diga-se – o Porto ganhou o conforto definitivo na partida e na segunda parte limitou-se a passear a sua superioridade perante a crescente impotência de um Marítimo a quem falta dimensão e intensidade competitiva para dar outra expressão à qualidade técnica dos seus jogadores.

Naval – Benfica
Foi um jogo de “ganas”, não só do Benfica mas de ambas as equipas. Futebol combativo e muito disputado a meio campo, a fazer lembrar jogos de outros escalões onde a técnica não é um recurso muito valorizado. Camacho repetiu a opção pela dupla Makukula-Cardozo, juntou Binya a Maxi no “miolo” e depositou todas e quaisquer esperanças de criatividade em 2 homens, Nuno Assis e Rodriguez, que apareceram sobre as alas, normalmente Assis sobre a esquerda e Rodriguez sobre a direita, talvez para privilegiar a meia distância em detrimento da chegada à linha de fundo. A primeira parte do Benfica foi, em boa verdade, muito fraca. Não pelo facto de ter assistido à reacção da Naval ao seu golo, mas pela incapacidade quase gritante para sair em transição, passando a maioria do tempo encurralado na sua área. O segundo tempo iniciou com um maior equilíbrio das operações e o tempo encarregou-se de retirar à Naval clarividência, concedendo progressivamente mais espaços que o Benfica passou a saber aproveitar melhor após a entrada de Rui Costa. Individualmente, o destaque vai para a exibição de Nuno Assis. Actuando sobre a ala, mas com inteligência para auxiliar sobre o “miolo”, foi depois o garante para alguma qualidade técnica no jogo encarnado durante grande parte do jogo.
Camacho lamenta-se frequentemente da falta de acerto na finalização mas a verdade é que a eficácia parece ser a salvação deste Benfica. Mais uma vez, sem fazer muito por isso o Benfica chegou à vantagem, demorando depois bastante até justificar um golo, o que aconteceu apenas no final da partida. Porque o futebol não é só um jogo de “azar”, há méritos a apontar ao Benfica de Camacho. Primeiro as bolas paradas, onde o Benfica é altamente eficiente e tendo já tirado muito partido disso, e depois a capacidade defensiva, onde Camacho introduziu maior equilíbrio posicional dando mais consistência à fase defensiva.

Sporting – Estrela Amadora
Apesar do Estrela não ser o mais complicado dos adversários, a verdade é que o jogo tinha algum risco, tendo em conta as alterações introduzidas por Paulo Bento. Ronny regressou à esquerda e no meio campo a principal novidade foi a a presença de Celsinho na posição 10. Esta terá, de resto, sido a mais negativa das experiências da partida. Jogar na posição 10 do modelo de Paulo Bento não é fácil e dentro do plantel leonino não há nenhum jogador que a saiba interpretar tão bem em termos ofensivos como Romagnoli. Foi algo referido pelo próprio treinador do Basileia e mesmo por Jorge Jesus. Os seus movimentos laterais são difíceis de controlar e causam superioridade sobre os flancos. Essa é uma das dinâmicas mais importantes do modelo de jogo do Sporting e, nesse aspecto, a presença de Romagnoli é muito importante.
Se, pelo que referi, a partida poderia ser problemática, a verdade é que não se poderia ter tornado mais simples. Primeiro pela inspiração de Moutinho e depois pela desvantagem numérica do Estrela. No segundo tempo e sem nunca acelerar muito o Sporting soube tirar partido da vantagem de um homem, ligando os corredores e fazendo o “campo grande”. Foi assim que chegou com naturalidade à jogada do penalti que, embora não tivesse sido concretizado, acabou definitivamente com a partida. Os restantes 30 minutos foram uma contagem decrescente em que o Sporting nunca colocou intensidade no jogo mas onde também nunca perdeu, nem o controlo, nem o domínio total da partida. Na verdade, não era preciso mais. Individualmente creio que é justo destacar João Moutinho, não por este jogo (apesar do grande golo), mas pela incrível regularidade com que se exibe com grande qualidade. Parece-me um desperdício se não entrar nas contas de Scolari...

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1.2.08

E se os jogos tivessem 45 minutos?

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O futebol é um jogo de 90 minutos e esse é o único limite temporal que conta para estratégias e reacções de protagonistas. Sem desfazer este facto indesmentível torna-se curioso comparar a performance das equipas entre os primeiros e segundos 45 minutos desta liga...

A primeira coisa que se constata é que a superioridade do FC Porto se verifica também nesta tabela, sendo esta particularmente marcante em relação a Benfica e Sporting. Os portistas têm, de resto, uma performance espantosa nos primeiros tempos das suas partidas, chegando 11 vezes ao intervalo a vencer e tendo sofrido apenas 2 golos nesse período do jogo – precisamente os 2 “encaixados” na última jornada em Alvalade. Fica ainda a curiosidade de, nos últimos 5 jogos, o FC Porto ter invertido esta tendência, tendo chegado em apenas 1 desses jogos em vantagem ao intervalo.

Ao contrário do Porto, os outros 2 grandes, Benfica e Sporting têm tido performances bem abaixo do esperado nos primeiros tempos das suas partidas. Se no caso dos encarnados o registo não é famoso, no Sporting a coisa torna-se quase desastrosa. De resto, esta tabela é a confirmação em números das más entradas dos leões nas suas partidas, conseguindo apenas metade dos pontos do FC Porto. Este é um problema que já foi abordado pelo próprio Paulo Bento e que, curiosamente, contrasta profundamente com o Sporting da última metade da época passada. Em termos relativos, o Sporting é a pior equipa da liga no primeiro tempo (o que é também um elogio às suas reacções no segundo tempo).

Nas restantes equipas, a principal surpresa vai claramente para a U.Leiria. Quintos nesta tabela, os Leirienses são um caso extremo de má performance nos segundos tempos das suas partidas, explicando-se nesse período o último lugar na Liga. Outro caso altamente positivo é o do Maritimo que tem alicerçado o seu campeonato positivo nos primeiros tempos – 7 vezes em vantagem ao intervalo. Pela negativa, destacam-se os minhotos Braga e Guimarães, bem posicionados na tabela global mas muito mais pelo que fazem nos segundos tempos das suas partidas. Curiosamente, as primeiras partes negativas destas 2 equipas foram recentemente evidenciadas nos jogos do Benfica em Guimarães e do Braga no estádio do Dragão.

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17.9.07

Breves da jornada (com um jogo ainda por disputar)

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O momento da jornada

O segundo golo do Benfica com o pormenor delicioso de Rui Costa. Não tão vistoso mas mais importante é o trabalho do 10 na construcção da jogada

V.Setúbal 3–1 Braga
Foi a sensação da jornada. Não tanto pela vitória em si, mas pela forma como foi conseguida. Desde o primeiro minuto os Vitorianos estiveram melhor do que a bem mais poderosa formação bracarense. O jogo foi, como é tão comum neste Braga de linhas pouco ligadas, veloz e com muito espaço. Assim se explicam os golos e as ocasiões num jogo em que Carvalhal deu uma valente demonstração de como o seu regresso a Setúbal pode ter sido salvação de mais uma época sadina. Do outro lado, mantenho reservas quanto a Jorge Costa.

Porto 1-0 Marítimo
Foi uma exibição que, alguns jogos depois, voltou a passar a ideia de um Porto escasso de criatividade colectiva, parecendo estar à espera da inspiração de Quaresma e bloqueando quando esta não surge na dose habitual. Jesualdo optou por voltar a colocar Lisandro na frente e desta vez muitos terão sido os que se lembraram do tantas vezes desprezado Adriano. A verdade é que as movimentações brasileiro não têm paralelo no plantel e prevejo que a integração de Farias necessite de paciência até porque a realidade de um ponta de lança no futebol Argentino é drasticamente diferente. Do outro lado, havia curiosidade em torno da resposta do co-líder Marítimo. Os madeirenses confirmaram-se uma formação acima da média do ponto de vista individual, no entanto a equipa não teve o arrojo para discutir a partida de forma mais séria. Primeiro, porque lhe faltou sempre capacidade no último terço e segundo porque defender foi mais uma questão de agrupamento numérico do que excelência organizacional. Porque na verdade mandou no jogo, o Porto mereceu o golo de Lisandro.

Benfica 3-0 Naval
Finalmente a Luz teve um jogo descansado. Camacho prossegue as suas experiências, com a questão a centrar-se mais numa questão de ajuste de individualidades do que na busca de novos princípios. A vitória é tão inquestionável quanto os números traduzem, mas há que referir as debilidades adversárias. A Naval é, e foi, uma equipa frágil e intranquila (aliás isso ficou mais claro com a saída de Chaló), aparecendo na Luz com uma estratégia que passava por aguentar o mais possível e, se ainda fez sofrer o Benfica durante os minutos iniciais, quando o golo surgiu a equipa ficou perdida sem saber mais o que fazer, sendo, por isso, devidamente penalizada. No Benfica, os destaques vão para a qualidade de Di Maria a jogar solto e para o perfume do impressionante Rui Costa. No outro prato da balança mantêm-se os extremos, onde, à margem de Di Maria, ainda não apareceram soluções verdadeiramente credíveis para Camacho.

E.Amadora 0-2 Sporting
Paulo Bento trouxe duas introduções importantes para a partida, os montenegrinos Purovic e Vukcevic. O ponta de lança passa a ser a opção primordial para o ataque e do seu rendimento vão depender uma boa parte das aspirações leoninas na temporada. Para já ainda não se viu o recurso à mais valida que pode representar a sua estatura mas é provável que Paulo Bento incorpore também essa solução mais tarde ou mais cedo. Quanto a Vukcevic, parece ser a opção que oferece garantias mais próximas das que dava Nani. Vukcevic é um jogador diferente de Izmailov, dá-se melhor junto à linha onde se sente confortável a entrar no 1x1 ou a combinar com os jogadores que por lá aparecem. Esta será, portanto, a solução mais natural para os jogos em que o Sporting se depare com equipas eminentemente defensivas. De resto, a partida não tem muita história para contar. O Sporting superiorizou-se desde cedo, forçando e aproveitando os erros de um Estrela que parece ainda longe do nível pretendido – sobretudo defensivamente. O 0-2 foi sinal de arrefecimento e controlo, até porque vem aí o Manchester.

Belenenses 2-1 U.Leiria
Jorge Jesus deve ter engolido em seco quando o Leiria se adiantou. O Belenenses teve um inicio de temporada complicado mas nem por isso brilhante ou próximo do que as expectativas sugeriam. Uma derrota frente ao Leiria transformaria um inicio de temporada tremido num problema bem mais complexo. O Belém deu a volta com brilhantismo, denotando carácter num momento complicado e, diga-se, dotando alguma justiça a uma partida em que foi superior. O Leiria – esta temporada bem mais modesto –bateu-se bem, desafiando o fora de jogo azul e conseguindo assim não só o seu golo como as suas ameaças na partida. O Belenenses voltou a ganhar e deverá encarrilar num campeonato positivo, faltando no entanto colmatar a saída do influente Dady na frente.

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24.2.07

Improvisação colectiva ou um sinal de qualidade?

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Foi um pormenor que passou despercebido a muitos, mas que na minha opinião tem - como se costuma dizer - muito que se lhe diga...
No lance do segundo golo do Porto contra a Naval (na jornada do passado fim de semana), a jogada é construída a partir de um ataque organizado mas... com uma invulgar troca nos papeis dos protagonistas.
A adaptação circunstancial de jogadores a funções diferentes sem que se perca qualidade de processos é um sinal claro de qualidade. Neste caso, Pepe e Bosingwa são os responsáveis por transformar uma jogada improvável num desequilibrio real e com consequências na decisão da partida...
No futebol, como no Jazz, a improvisação é o segredo do sucesso... Por muito que nos esforcemos em traçar um plano, um ritmo ou uma ordem para cada uma das coisas, o resultado depende em muito daquilo que os artistas, no momento, "sacam da cartola". Ensaiar? Treinar? Claro, é fundamental! Mas sem talento e sem qualidade a coisa torna-se mais difícil e é também por isso que gostamos tanto deste fenómeno!

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20.1.07

Objectivo Taça: "Não deixar engordar a minhoca!"

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É uma expressão do futebol mas que poucas vezes sai para fora do bálneareo. Uma rara excepção aconteceu no "Pontapé de Saída" de há 15 dias - Carlos Carvalhal, instado a projectar aquele que viria a ser o seu último jogo como técnico do Beira Mar, falou do problema da motivação e das dificuldades em "espicaçar" os jogadores perante adversários pouco estimulantes.
O registo, de facto, poderia servir de mote para a maioria dos jogos dos grandes. No entanto trago-o em jeito de antecipação de uma jornada de Taça em que o perigo do "agigantamento da minhoca" será a preocupação de muitos treinadores e... por consequência, a esperança de outros!
Já agora e para motivar a memória, os casos das "minhocas" que mais cresceram nos últimos anos (à excepção do Atlético, claro!):

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19.9.06

A "pós-rentré" dos 3 grandes

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Porto - A filosofia da transição
No Porto a introdução do 4x3x3 tem sido o rosto mais evidente de um bem mais vasto processo de adaptação a que a equipa tem sido sujeita. Jesualdo quer uma equipa mais consonante com a exigência dos grandes jogos e aposta na implementação da sua filosofia para atingir essa ambição. Os dragões têm apresentado uma formação mais equilibrada no momento da perda de bola e mais atenta às oportunidades oferecidas pelas descompensações posicionais adversárias. São, no entanto, ainda algumas as lacunas do jogo azul-e-branco: (1) a pressão pouco agressiva permite que os adversários tomem conta da bola durante períodos dilatados, conseguindo estes, por vezes, situações de finalização incómodas. (2) As acções ofensivas em ataque organizado não apresentam ainda uma grande eficácia colectiva. Neste último aspecto, Jesualdo Ferreira usufrui do grande talento individual existente na sua fase de criação como forma de contornar as dificuldades de entrosamento colectivo: A inteligência dos movimentos sem bola de Lucho Gonzalez, a irreverência precoce do talento de Anderson nos ¾ de campo e as incursões explosivas que Quaresma protagoniza a partir das alas têm sido as soluções mais evidentes.
Um Porto em velocidade de cruzeiro foi suficiente para um Estrela sem qualidade competitiva e uma Naval que, embora bem estruturada, foi demasiado inocente na forma como se lançou no ataque, tornando-se a presa ideal para os contra-ataques preconizados pelo “Professor”. A defesa do CSKA e aquele poste no Dragão constituem o único espinho da primeira fase da “Era Jesualdo”.

Lance Capital - De uma ponta à outra do campo
Se há um aspecto em que Jesualdo pode estar satisfeito é com a eficácia das transições. 4 dos 5 golos obtidos nos últimos 3 jogos resultaram da rápida e eficaz exploração da descompensação momentânea dos adversários. O mais interessante dos quais terá sido o que originou a abertura do marcador na Figueira:


- Mário Sérgio sobre a esquerda, precipitou-se no passe interior (1).
- Paulo Assunção, de primeira, serve (2) Lucho que com perspicácia deixa passar para Quaresma (3).
- Entretanto, percebendo o momento de transição Cech inicia a cavalgada pelo corredor esquerdo (4)
- O “cigano” faz uso da sua mais valia técnica para, ultrapassando um adversário directo, entrar em diagonal no espaço livre criado na zona central (5).
- Adriano em diagonal da esquerda para o centro disposiciona o central que estava a compensar a zona desocupada por Mário Sérgio (6).
- Cech aproveita o espaço criado para, após recepção do passe de Quaresma, abrir o activo (7).

Benfica - Os Reús e os responsáveis
Está difícil a vida para Fernando Santos. O Benfica tarda em ver-se livre dos sintomas diagnosticados na pré temporada, apresentando nesta altura duas evidências preocupantes: (1) Os princípios de jogo delineados por Fernando Santos – que assentam, entre outros, numa pressão alta que visa recuperações constantes no meio campo adversário – demoram a ser assimilados pela equipa. (2) A “cabeça quente” demonstrada pelos jogadores desde a pré-época é indiciadora de intranquilidade e desfocalização nos objectivos da equipa. Se a origem do segundo ponto dificilmente poderá ser identificada por quem está “de fora”, o primeiro dos problemas enunciados terá certamente origem na qualidade (ou melhor, na falta dela) do trabalho de campo. Fernando Santos é um homem do balneário que entende e se faz entender na linguagem dos jogadores. É, para além disso, alguém que tem visões próprias e definidas sobre o jogo e como deve ser jogado. Há, porém, um aspecto em que o perfil de Fernando Santos não é rico: o conhecimento profundo dos métodos de trabalho de campo. O “engenheiro” precisa, por isso, de uma complementaridade forte nesta área. Bruno – filho de Rodolfo – Moura foi o escolhido para essa tarefa (curiosamente o anterior predilecto de Santos era João Aroso, entretanto “resgatado” por Paulo Bento) e será ele quem divide com Fernando Santos a responsabilidade pela já assumida lentidão de assimilação dos processos.
O Benfica melhorou com o Nacional. O apoio dos sócios e a qualidade extra emprestada pelo futebol de Simão inspiraram os jogadores encarnados. Foram já visíveis várias recuperações no meio campo adversário e alguma da intensidade pretendida pelo “engenheiro”. Há, no entanto, vários aspectos que estão notoriamente por aperfeiçoar, sendo a tranquilidade da vitória o melhor dos cenários para o fazer...

Lance Capital - A traição de Nelson

No muito dissecado “descalabro” do Bessa não faltaram réus. Entre eles terá emergido Luisão, por muitos responsabilizado no segundo golo de Linz. A defesa de Luisão é aqui justamente feita com uma análise rigorosa ao lance:


- O canto do lado direito do ataque do Boavista é primeiramente afastado, mantendo-se a bola na posse do “xadrez”. A organização defensiva do Benfica sai da zona de área, antecipando-se o isolamento de Luisão (1), face à pouca concentração revelada por Nelson (2).
- Enquanto Grzelak trava o duelo com Leo no lado direito (para onde a bola rápidamente circulou), Luisão levanta o braço reclamando com Nelson que o deixou só entre Linz e Kazmirczak (3), enquanto Anderson está a ocupar a valiosa zona do primeiro poste.
- Entretanto, ninguém apoia Leo no duelo com Grzelak (4) que tem tempo e espaço para trabalhar sobre o lateral brasileiro.
- Aquando do cruzamento, percebe-se que a recuperação de Nelson (5) é demasiado tardia para que Luisão se possa aproximar de Linz e impedir o que haveria de suceder (6).

Sporting - De David a Golias em 3 dias
Pouco tempo depois de ter surpreendido o Inter, o Sporting provou do mesmo veneno ao ser batido por um clube bem mais modesto. Os alertas de Paulo Bento encontraram justificação nos acontecimentos desse Sábado à noite – o Paços era merecedor da maior das concentrações. Na realidade e analisando bem os acontecimentos, não se pode dizer que o Sporting tenha estado propriamente mal. Apesar de não ter entrado com a dinâmica e agressividade aconselháveis, o “Leão” foi sempre equilibrado, nunca permitindo que o Paços encontrasse situações de finalização em zona privilegiada. Reagiu (mais uma vez) bem à inferioridade no marcador, criou situações de golo suficientes para a reviravolta, mas não teve a felicidade necessária.
De facto, não encontro na essência da derrota motivos de acrescida preocupação para os sportinguistas. A equipa tem os seus princípios definidos e assimilados, tem dinâmica, agressividade e grande capacidade de concentração colectiva. Há ainda assim algumas limitações perceptíveis na formação de Paulo Bento: (1) A equipa tem entradas “moles” no jogo, demorando a impor os objectivos do seu futebol no jogo, foi assim nos 4 jogos oficiais jogados. (2) Liedson não parece fisicamente a 100% e tarda em “resolver” – a equipa ressente-se, sobretudo numa altura em que a composição do ataque se encontra ainda em definição.

Lance Capital - Sem mão na zona
O polémico lance do golo do Paços resulta do último de uma série de pontapés de canto que o clube da Capital do móvel conseguiu conquistar. Todos eles foram apontados da mesma forma, cortados ao primeiro poste e se os anteriores haviam sido resolvidos tranquilamente, aquele conseguiu passar o “obstáculo” do primeiro poste sobrando para uma zona morta e, por sinal, mortífera! O Sporting defende os cantos com 3 homens na “zona” – 2 no primeiro poste (um encostado e outro mais afastado) e outro à entrada da área – e os restantes na marcação 1x1. A zona do segundo poste é por isso deixada livre estando à mercê de situações como a que aconteceu no golo do Paços. Não pretendo provar que esta forma de defender os cantos é errada, apenas trazer para este espaço um tema actualmente muito discutido por muitos que defendem a colocação de um elemento na protecção exclusiva daquela zona (o Chelsea de Mourinho, por exemplo, aproveita muito esta situação – basta recordar o golo de Gallas no ano passado frente ao Liverpool).


- Nos momentos antecedentes ao canto é possivel ver os dois jogadores que marcam a zona do primeiro poste (1), a marcação individual iniciada à entrada da área (2) e tal zona desguarnecida, onde iria surgir o golo (3).
- O cruzamento parte e há um mau julgamento do jogador que marca a zona da pequena área (Miguel Veloso) que acaba por perder o lance que cai precisamente na sua área (4). Entretanto Polga, fora da zona da bola, tira os olhos de Ronny (5), que ganha posição.
- O pequeno desvio apanha Ronny solto na tal zona desocupada (6).

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