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15.9.09

Análise vídeo: lances da jornada

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Perto da perfeição – Em organização ofensiva é mais difícil. Ou melhor, normalmente, porque de quando em vez surgem estes exemplos de jogadas que fazem parecer tudo muito fácil. Foi o caso do primeiro golo portista. A velocidade é fantástica, mas o que realmente destrói a estrutura defensiva é a coordenação entre os movimentos de cada um dos jogadores.

Várias notas. A começar por Hulk que, sem tocar na bola, tem provavelmente o papel mais determinante. Depois Alvaro Pereira, que se começa a tornar num caso sério pela forma como capitaliza os bons movimentos que acontecem no seu flanco, atacando a profundidade. Raul Meireles, como sempre impecável sem bola. A sua acção é preponderante para a resposta ao cruzamento no centro da área, e é-o porque, mais uma vez, Raul chega a tempo de importunar na zona de finalização. Finalmente, Varela. O seu movimento é corretíssimos, confirmando o seu crescimento em termos de movimentações sem bola, tornando-o em mais do que um extremo agarrado à linha. O facto de vir de trás dá-lhe vantagem sobre os defesas e ele aproveita isso para os surpreender. O único reparo vai para a menor sincronia entre o seu movimento e o de Falcao. O ideal seria serem complementares e não coincidentes. 

Aproveitar o momento... com qualidade – Um central marcar não é comum. Numa jogada que acontece em ataque organizado, então, é mesmo uma raridade. Fê-lo Rolando em mais uma jogada que evidencia o bom movimento ofensivo portista, mas que revela também os problemas por que passou o Leixões, em particular depois do segundo golo.
Começo por destacar algo que também esteve na origem do primeiro golo, a falta de pressão sobre os centrais quando são estes quem organiza. Penso ser fundamental para conseguir uma boa pressão colectiva, mas várias vezes ela é inexistente em equipas que se procuram defender demasiado atrás. Depois, e quando Rolando se decide pela progressão, é visível a total ineficácia dos 3 jogadores que se aproximam. Não condicionam a decisão nem o momento de passe e, mais importante ainda, não limitam linhas de passe. E, ali bem perto, Hulk estava livre. Aliás, sobre Hulk, mais uma vez o destaque para o seu papel na criação de um lance ofensivo, inteligentemente encontrando mais um ataque de Alvaro Pereira à profundidade. Nota nesse passe para a forma como a bola atravessa a largura do campo no meio do bloco matosinhense. Isto acontece porque o Leixões definiu poucas linhas defensivas, o que aliás é bem visível na segunda imagem realçada no lance. Outro problema da criação de poucas linhas defensivas (no caso duas) é a distância que se cria entre elas. E isso foi fundamental para que a linha média chegasse sempre tarde à área na resposta aos cruzamentos.

Saviola, fura defesas – É fácil apontar o dedo à defesa azul no “solo” de Saviola. E as criticas são justificadas porque bem mais deveria ter sido feito. Mas o destaque que faço justifica-se pela capacidade de progressão de Saviola em velocidade, com toques muito curtos o que dificulta muito a vida a quem tenta definir um momento para tentar o desarme. Realmente, esta jogada não tem nada de estranho na carreira do jogador. É tudo muito característico. Quer essa capacidade de conduzir em velocidade, quer, depois, a forma como não tem receio de forçar alguns ressaltos dentro da área.

Ramires, em transição – A carreira de Ramires está a corresponder em absoluto às expectativas que dele tinha. Um jogador com uma notável capacidade física, de processos simples e práticos, mas também sem grande criatividade em organização ofensiva. O seu protagonismo ganha outra dimensão em transição, onde é muito veloz, com e sem bola, e tem sempre a zona de finalização como destino. Já era assim no Cruzeiro e é por isso que a segunda parte do jogo com o Belenenses foi o período onde mais se evidenciou de águia ao peito.

O cruzamento... decide – Liedson foi de novo o herói mas não é sobre ele que quero falar. É, antes, sobre o cruzamento de Moutinho. O facto de ter sido efectuado de primeira é decisivo. O passe atrasado faz com que a defesa inicie um movimento de subida e isso torna-a menos apta a responder à trajectória da bola. É um tipo de execução que, por exemplo, rendia muitas assistências a Rodrigo Tello e que potencia avançados que, como Liedson, se distinguem pela reactividade e não pelo poder físico entre os centrais. Se, como acontece frequentemente, Moutinho tivesse preparado a bola para cruzar, provavelmente o golo nunca teria acontecido.

Lampard avisa – Fantástico o trabalho de Lampard. Primeiro, abre linha de passe, depois recebe com grande qualidade e, finalmente, faz a assistência visionária para Drogba. Um aviso claro para o Porto em vésperas da visita a Londres. No lance, ainda, uma outra nota que vai para o papel do jogador que defende Drogba. Não só o deixa rodar, como ignora em absoluto a possibilidade de colocar o marfinense em fora de jogo.

Catalisador da crise – Talvez tenha sido o golo com maiores consequências na jornada. É verdade que a seguir o Leiria marcou mais 3, mas para quem quer reagir psicologicamente, o primeiro golo é particularmente importante. Não vou comentar o jogo, obviamente, nem sequer a carreira do Setúbal porque só vi a derrocada da Luz. Assim, porém, é impossível.

Lançamento & remate – Os 2 últimos lances falam por si. Um lançamento tão suicida que se torna caricato. E uma jogada que, não fosse a trave, era candidata a bater qualquer golo de Eusébio. Fica para a próxima, Alan!




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11.9.09

Análise vídeo: Meireles, Lampard, Gerrard e o ataque italiano

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Meireles, “programado” – 2 lances que são excepção num jogo sem espaços. Ambos finalizados por Ronaldo, mas ambos com outro ponto em comum, mais atrás, na origem do lance. Raúl Meireles. O médio português trouxe para o jogo da Selecção uma característica do jogo... portista. E não podia ser de outra forma. É que se o principio de procurar instintivamente um companheiro no flanco oposto faz parte da “programação” incutida por Jesualdo Ferreira, pode dizer-se que Meireles já tem tempo suficiente para estar completamente “programado”. E está.
 
No primeiro lance, uma transição iniciada pela recuperação do próprio. E é assim, em transição, que este instinto se torna mais temível no Porto. Normalmente há sempre um extremo no flanco oposto, disponível para aproveitar o espaço existente. Neste caso, e embora num sistema diferente, havia Ronaldo. Talvez, ou mesmo provavelmente, fosse circunstancial, mas a verdade é que resultou na mesma medida. Ainda sobre o lance, nota para o pânico do defensor que recua e é incapaz de controlar o lance, acabando Ronaldo por finalizar em zona central e com o melhor pé. Faltou a eficácia apenas, e... outra vez.

No segundo, aquilo que Portugal deveria ter conseguido muito mais vezes na fase final do jogo. Ou seja, com a subida da pressão húngara, aproveitar os espaços. E de novo, Meireles na origem. Simula tentar a profunidade e assim ganha espaço para receber em apoio. Espaço e tempo para fazer o “programado”. Receber de forma orientada para procurar, rapidamente alguém do outro lado, onde está o espaço. Se não houvesse movimento, a jogada perderia o seu tempo e, forçosamente, muito do seu potencial. Como Tiago percebeu rapidamente a situação, o desequilíbrio tornou-se fácil. Pena que seja tão raro.
 

Lampard & Gerrard, médios de campo inteiro – Na goleada da Inglaterra, 3 golos semelhantes. De cabeça, na grande área, marcados por médios. Gerrard e Lampard. Há médios muito mais criativos e tecnicamente dotados no mundo. Mas, normalmente, esses jogadores encontram também na linha de grande área um limite para o seu jogo. Para Gerrard e Lampard, o campo é maior do que o espaço entre as duas áreas e estas não são um obstáculo mas sim uma oportunidade. Uma questão de cultura.

Entre os lances dos 3 golos, repare-se no pormenor de que, em todos eles, a acção começa na zona frontal à frente da área. Na eminência do cruzamento, o ataque à zona de finalização é feito mas de forma tardia, esperando pela definição do posicionamento dos defensores para, depois, ocupar os espaços complementares. Ajuda também ter gente que cruza de forma inteligente e que não se limita a bombear a bola para a área. É o que acontece com Lennon e Glen Johnson.
 

Iaquinta & Gilardino, o perfil transalpino – Não é a primeira vez que elogio o perfil dos avançados italianos. Pode não haver uma referência de elite no futebol actual, mas continuo a ser um admirador da forma inteligente e agressiva como este tipo de jogadores se move no último terço. A abrangência das suas virtudes não se esgota no que está retratado no lance em causa, mas este é simplesmente irresistível. Criar apoios frontais mas com uma total noção do que se vai fazer a seguir. Inteligência e repentismo. Fantástico!

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24.7.08

O chapéu de Lampard

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