Mostrar mensagens com a etiqueta Jogos Olimpicos 2008. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jogos Olimpicos 2008. Mostrar todas as mensagens

30.8.08

Argentina: Ouro Albiceleste

ver comentários...
Pela segunda vez na história do torneio olímpico de futebol, um país conseguiu repetir o ouro em edições consecutivas. Para encontrar o outro exemplo temos de recuar até aos anos 60, década em que a Húngria repetiu o ouro em 64 e 68.
A justiça da vitória argentina em Pequim é inquestionável e não resisto a liga-la ao triunfo espanhol no Euro deste mesmo ano. É que as duas grandes competições ao nível de selecções foram dominadas por equipas com um perfil futebolístico muito próximo e que contrasta com uma tendência mais física que vem dominando as competições de clubes. Espanha e Argentina foram campeãs com uma média de estaturas baixa, quase obsessivamente concentradas num futebol de grande valorização da posse de bola e apoios muito curtos. A pergunta que fica é se esta pode ser uma tendência igualmente triunfante ao nível de clubes ou, por outro lado, se a opção apenas pode sair vencedora no futebol de selecções?

Sistema táctico e opções
Em termos de sistema táctico, o 4-2-3-1 foi a opção clara de Sergio Batista. A justificação deste sistema está na intenção de dar liberdade ofensiva aos jogadores mais criativos da Argentina, protegendo-os tacticamente com a presença do duplo pivot de meio campo defensivo.
Na baliza, Oscar Ustari (Getafe) era o titular à partida, mas a sua lesão nos quartos de final, frente à Holanda, acabou por dar a Sergio Romero (AZ Alkmaar) a oportunidade de estar presente na baliza durante a fase terminal e decisiva da prova.
Na defesa, o quarteto base era formado por Zabaleta (Espanyol) à direita, Luciano Monzon (Boca Juniors) à esquerda e Ezequiel Garay (Real Madrid) e Nicolas Pareja (Anderlecht) como centrais.
No meio campo, Fernando Gago (Real Madrid) e Javier Mascherano (Liverpool) eram os responsáveis pelo tal duplo pivot de cobertura. À sua frente, o capitão e mais experiente Riquelme (Boca Júniors). Nos flancos, à direita, o intocável Messi (Barcelona) e à esquerda a grande dúvida de Batista. Lavezzi (Napoles) foi quem começou como titular, aparecendo mais próximo da zona central e de Aguero. O andamento da competição acabou por dar a Di Maria (Benfica) a presença nos onzes dos jogos terminais. Com um perfil diferente, Di Maria esteve sempre mais próximo ao corredor esquerdo, dando mais largura ao ataque.
Na frente, Sergio Aguero (Atlético Madrid) foi a escolha permanente.

Como defende?
Em organização defensiva a equipa apresentou-se sempre com um bloco médio mas tentava criar uma pressão que colocasse problemas à primeira fase de construção adversária. Mesmo não sendo particularmente agressiva em todo o campo, esta pressão foi responsável, por exemplo, pelas dificuldades impostas ao criativo meio campo brasileiro, destacando-se a qualidade do papel desempenhado pelos dois jogadores mais defensivos do meio campo, Gago e Mascherano.
Em transição defensiva a pressão era sempre possível ser feita sem grandes riscos. Isto porque não existia uma participação particularmente ofensiva dos laterais nem um grande aventureirismo dos médios defensivos. Isto fazia com que a equipa se mantivesse sempre equilibrada, podendo pressionar mesmo no momento da perda de bola, sem que isso significasse um grande risco para a sua rectaguarda.
Outros aspectos a salientar são a eficácia da dupla defensiva, particularmente na final onde Odemwingie foi muito eficazmente anulado por Pareja e Garay, e alguma dificuldade em lidar com alguns momentos de maior velocidade por parte dos adversários.

Como ataca?
A organização de jogo fez-se sempre pelos dois médios defensivos que, calmamente, iam pautando o jogo e buscando linhas de passe que pudessem dar inicio à progressão da equipa. Depois apareciam os movimentos interiores de Messi e Lavezzi (numa primeira fase) que, com Aguero e Riquelme conseguiam progredir em sucessivos apoios curtos que iam furando o meio campo contrário. Esta foi imagem de marca da Argentina. Uma progressão em apoios curtos pela zona central que colocava em alvoroço as defesas contrárias. Aqui, destaque para a qualidade invulgar de Messi e para o efeito Di Maria. O extremo, ao aparecer mais aberto, surgiu muitas vezes como factor surpresa no momento em que as defesas fechavam para tentar impedir a tal progressão em apoio.
Em transição, a Argentina também conseguiu naturais desequilíbrios. A velocidade de Messi, Aguero e Di Maria e a qualidade de passe de quase todos os jogadores – Riquelme em particular – davam à equipa essa possibilidade de solicitar mortalmente a profundidade, ainda que o instinto colectivo, esse, fosse sempre conduzir o jogo para uma nova fase mais pensada e apoiada. Nota para o golo que definiu a final. Uma recuperação de bola com Messi a solicitar rápida e eficazmente a profundidade de Di Maria, que tirou partido do mau posicionamento da jovem defensiva Nigeriana.

Treinador
Sergio Batista – Para nos lembrarmos dele é melhor recorrer a uma imagem diferente da que actualmente ostenta. Ele era aquele jogador barbudo e agressivo que parecia o guarda costas de Maradona nos mundiais de 86 e 90. Depois de terminada a carreira de jogador, às portas do novo milênio, Batista iniciou-se como técnico principal. O seu trajecto, diga-se, não foi deslumbrante, passando por clubes de segundo nível do futebol argentino antes de ter esta oportunidade de treinar os sub-20 “albicelestes”. Este é, por isso, o grande feito da sua carreira enquanto treinador.

5 estrelas
Ezequiel Garay (Defesa central, 21 anos)
– A sua última época não foi muito cintilante devido às lesões que o impediram de dar continuidade ao impressionante trabalho que realizara no Racing Santander. O Real, no entanto, não se conteve e assegurou o central fazendo desta uma contratação para ter efeitos no médio prazo. Garay teve, ao lado de Pareja, um papel fundamental na carreira argentina. Apesar de não o ter mostrado em Pequim, Garay é dos centrais com mais capacidade goleadora do futebol actual (mesmo tendo em conta que foi marcador de pênaltis no Santander).

Fernando Gago (Médio Central, 22 anos) – Formou com Mascherano a dupla que alicerçou a vitória argentina na competição. Gago, em relação ao seu companheiro de posição, foi sempre mais participativo e arrojado na condução do jogo mantendo-se, defensivamente, sempre bem posicionado e agressivo na pressão. Nestas ocasiões fica bem destacar um herói “invisível” (mesmo que quase sempre este seja visível para toda a gente!) para as conquistas colectivas. Gago seria, neste caso, o homem para ficar com esse popular estatuto.

Juan Riquelme (Médio ofensivo, 30 anos) – Riquelme mostrou, na mesma competição, porque é que é tão adorado por uns (adeptos) e ignorado por outros (treinadores). Com espaço recebe, vira-se e passa, ou bem ou... ainda melhor. Quando o jogo se fecha no meio campo, a sua pouca amplitude de acção acaba por torná-lo numa vitima da zona pressionante que caracteriza o futebol moderno, impedindo-o de se virar para o jogo cada vez que recebe a bola. O seu futebol não se torna inútil mas de uma utilidade seguramente pouco frequente. Ainda assim é sempre um prazer ver a bola nos seus pés!

Lionel Messi (Extremo, 21 anos) – Nesta equipa argentina não faltavam grandes jogadores. Nenhum, no entanto, se compara a Messi. Por muito talentosa que seja a argentina é, para mim, impossível não traçar uma enorme diferença entre o pequeno gênio do Barcelona e os seus companheiros (ou adversários, diga-se!). As suas diagonais para o meio foram a referência do jogo ofensivo da equipa e ele sempre correspondeu a essa responsabilidade com uma qualidade excepcional em todos os jogos.

Sergio Aguero (Avançado, 20 anos) – Foi, na minha opinião, a grande vitima do sistema adoptado por Batista. Jogar como única referência na frente não me parece ser a melhor das soluções para um jogador que ganha tanto quando lhe é dada mobilidade. A sua qualidade é, no entanto, demasiada para que fique refém destas questões tácticas e acabou por ser uma das estrelas da conquista. O seu futuro se encarregará de esclarecer o nível e perfil com que se afirmará...

ler tudo >>

22.8.08

Nigéria - Ataque Olímpico

ver comentários...
Uma viagem temporal até ao já longínquo ano de 1996 leva-nos a Atlanta e a uma equipa que dava ao mundo um segundo e ainda mais forte sinal de se poder converter na nova potência do futebol Mundial. Depois de, 2 anos antes no mesmo país, a Nigéria ter feito sensação no Mundial de 94, em 96 confirmava-se como uma nação potencialmente vencedora, triunfando no torneio olímpico e com essa nota que não pode ser menosprezada... bateu o Brasil e a Argentina. 12 anos mais tarde a Nigéria repete a final Olímpica, de novo com a Argentina (batida por 3-2 nessa em 96) e, tal como nessa altura, o sucesso da equipa emerge pela força de um sector: o ataque.

Sistema táctico e opções
Definir numericamente o sistema desta Nigéria é algo que me parece susceptível de uma interpretação dupla. Se, por um lado, a disposição base se aproxima do 4-2-3-1, na prática, o 3 de meio campo é muito mais um trio de atacantes do que qualquer outra coisa. Por isso, falar-se num 4-2-4 pode ser bastante mais de acordo com aquilo que acontece com esta Nigéria, ainda que não exista uma linha de 4 homens no ataque.

No que respeita a opções, não parecem haver muitas dúvidas na cabeça do treinador Siasia. Na baliza o lugar é de Vanzekin, um guarda redes tipicamente africano, capaz de parar o coração dos adeptos com intervenções desastrosas ou com defesas estonteantes (uma das melhores do torneio perante a Bélgica). Vanzekin tem 22 anos e alinha no campeonato Nigeriano. Na defesa, o quarteto formado por Adefemi (22 anos do Hapoel de Israel), Apam (21 anos do Nice de França), Adeleye (19 anos do Sparta de Roterdão da Holanda) e Okonkwo (19 anos do Bayelsa da Nigéria) é aquele que merece as preferências do treinador. No meio campo, Ajilore (23 anos do Groningen da Holanda) e Kaita (22 anos do Sparta de Roterdão da Holanda) fazem uma dupla também praticamente intocável. Mas é na frente que surgem as dúvidas de Siasia. A qualidade dos avançados fez com que o treinador optasse por algumas adaptações no seu quarteto na frente e embora Isaac (20 anos do Trabzonspor da Turquia) tivesse começado por actuar nas costas de Odemwingie (27 anos do Lokomotiv de Moscovo), esse lugar foi conquistado por Obasi (22 anos do Hoffenheim da Alemanha). Nas alas actuam Obinna (21 anos do Chievo) e Okoronkwo (21 anos do Hertha Berlim). Uma solução recorrente durante as partidas é Anichebe (20 anos do Everton) que quando é utilizado faz com que Odemwingie se posicione numa das alas.

Como defende?
Em organização defensiva a Nigéria adopta normalmente uma postura não muito recuada no campo, com a sua linha de pressão a incomodar a primeira fase de construção adversária. Este comportamento não é, no entanto, constante. Em situações de vantagem no marcador a equipa baixa mais o seu bloco e junta Obasi aos 2 do meio campo em atitude defensiva.

A transição defensiva não cria muitos problemas em termos de equilíbrios defensivos. O facto dos laterais subirem pouco e Kaita ter uma postura muito posicional faz com que raramente seja necessário grandes recuperações posicionais. Assim, no momento da perda de bola, assiste-se a uma pressão normalmente imediata do quarteto ofensivo mas sem um acompanhamento da restante equipa que recupera posicionalmente não para pressionar mas para abordar entrar em organização defensiva.
Como ataca?
Não é em organização ofensiva que a Nigéria se apresenta mais forte. O futebol não é muito trabalhado e a ordem é sempre fazer a bola chegar ao quarteto ofensivo. Aqui, 2 soluções aparecem. Ou a bola circula pelas alas para entrar em Obinna ou Okoronkwo ou é solicitada directamente para Odenwingie. O papel deste jogador é, de resto, muito importante, com a equipa a recorrer a ele em quase todos os ataques. Nota aqui para a sua tendência em aparecer preferencialmente sobre a esquerda onde as combinações com Obinna são temíveis. Outra referência importante vai para a dinâmica do duo de meio campo. Enquanto que Kaita permanece invariavelmente posicional, Ajilore avança para dar apoio ao quarteto da frente.

Mas para perceber o sucesso das “Águias” é preciso falar do seu momento de transição. É impressionante a velocidade que consegue imprimir no jogo sempre que a bola chega rapidamente ao quarteto ofensivo. Em alguns jogos, pode dizer-se, os cantos que os adversários desfrutaram eram mais vezes sinal de perigo para a própria baliza do que o contrário, tal a capacidade da Nigéria em levar rapidamente a bola até ao outro lado do campo. Aqui referência especial para Obinna que tem uma capacidade de explosão excepcional.

Treinador
Samson Siasia – Com 41 anos este ex-avançado do Tirsense e campeão de França em 1995 tem um currículo notável nos escalões jovens da Nigéria. Este trabalho terá tido inicio na equipa de sub 20 que, em 2005, se sagrou vice campeã Mundial e campeã Africana do seu escalão. É provável que, tal como os jogadores, a carreira de Siasia beneficie desta brilhante prova Olímpica.

5 estrelas
Dele Adeleye (19 anos, defesa central) – Ao contrário de Apam, que não é muito alto, Adeleye mede quase 1,90m o que faz dele uma presença particularmente importante no centro da defesa. É dos mais novos da equipa mas, apesar dessa juventude, já conseguiu, ao contrário de muitos companheiros, um lugar regular no seu clube. A premier league já foi apontada como destino provável do jogador.

Oluwafemi Ajilore (23 anos, médio centro) – Comparativamente com Kaita tem uma função de maior exigência, cabendo-lhe surgir junto dos da frente nas acções ofensivas devendo depois fechar a zona central. Esta dinâmica tem uma importância muito grande na mecânica da equipa e Aljilore tem cumprido bem. Depois de se ter afirmado no Midtyland da Dinamarca vai ter agora um importante desafio no Groningen.

Edu Obasi (22 anos, avançado) – É outro que tem um papel importante. Em acção ofensiva confunde-se com Odenwingie como referências centrais do jogo nigeriano. Defensivamente, deve baixar para junto do meio campo, particularmente quando a equipa está numa postura mais resguardada. Tem apetência para marcar golos importantes e terá marcado o mais belo do torneio com um míssil frente à Bélgica. Foi parceiro de Obi Mikel na aventura Norueguesa, no Lyn de Oslo mas Obasi acabou por rumar a paragens mais modestas, no Hoffenheim da segunda divisão alemã. Em 07/08 acabou por essencial para a promoção da equipa à Bundesliga (marcou 12 golos) e agora não deverão faltar interessados no seu concurso.

Victor Obinna (21 anos, avançado) – É, sem dúvida, uma das figuras da prova. Explosivo e letal tem feito furor na prova apesar da sua colocação à esquerda. É um avançado de enorme potencial que já havia despontado no Chievo ao ponto de ter estado próximo de rumar ao Inter. Vale a pena acompanhar a sua evolução.

Peter Odemwingie (27 anos, avançado) – É, a par de Obinna, o grande destaque da equipa. Pode jogar em qualquer parte do ataque, sendo forte no jogo aéreo e explosivo em velocidade. A sua qualidade é de facto grande e muito abrangente. Ao vê-lo não posso deixar de lamentar ter rumado a leste quando a sua afirmação no Lille aconselhava um salto mas para uma paragem mais visível. Os milhões da Rússia falaram mais alto e Odemwingie terá perdido a oportunidade de se afirmar num campeonato mais mediático e competitivo.

ler tudo >>

20.8.08

8.8.08

3 (primeiros) apontamentos dos JO

ver comentários...
- A simulação de Hernanes
- A bomba de Giovinco
- A telepatia entre Riquelme e Messi

ler tudo >>

AddThis