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27.4.09

Sporting – E.Amadora: Dominar e quase empatar

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Não se pode dizer que tenha sido um grande jogo, mas foi seguramente um bom jogo. Alias, terão sido poucos os jogos em que se viu um domínio territorial tão expressivo por parte do Sporting, produto essencialmente de um pressing forte na reacção à perda de bola. Mais consequente em termos de oportunidades no segundo tempo, mas de igual forma superior nos 2 períodos, o Sporting acabou por ser vitima de alguma crueldade que o futebol por vezes tem e que, neste caso, só por muito pouco não deu empate. Não se justificava, como facilmente se entende, mas podia ter acontecido...

Defesa alta – Uma das características do Estrela é a forma como tenta manter um bloco curto, iniciado na linha média mas com uma defesa um pouco subida no campo. Isto, num campo pequeno como o da Reboleira, parece funcionar bem, mas noutros campos de maior dimensão acaba por dar muito espaço nas costas da sua defesa. Há várias formas de tirar partido desta situação, mas uma das melhores é obrigar os centrais a responder a cruzamentos ao mesmo tempo que recuperam terreno nas suas costas. Foi assim que o Sporting marcou o seu segundo golo e fora já assim que Liedson havia dado a vantagem ao Sporting no jogo da primeira volta. Esta característica do Estrela explica, por um lado, as dificuldades para o Sporting conseguir evoluir em apoio por entre esse bloco curto e denso e, por outro, a forma como conseguiu desequilibrar sempre que conseguiu colocar a bola nas costas da defesa.


Assimetria – Um dos aspectos muito evidentes deste Sporting em termos ofensivos é assimetria do seu futebol. Sem Grimi e com Caneira o Sporting tem naturalmente menor capacidade para retirar do seu lateral esquerdo a mesma profundidade que consegue com Pedro Silva. A isto junta-se o momento do meio campo, com Veloso e Pereirinha a serem interiores de características completamente distintas e, mais uma vez, com o lado direito a sair beneficiado em termos de velocidade. Junte-se a isto o pormenor de Liedson com Postiga ter surgido mais móvel e sobretudo sobre a direita e temos uma equipa completamente assimétrica no que respeita ao seu futebol ofensivo.


Romagnoli – Outro aspecto a abordar é Romagnoli. Em tempos defendi que o futebol do Sporting não tem outro como ele para interpretar o futebol rendilhado sobre as alas. A verdade é que a adopção de Moutinho como 10 mudou um pouco os hábitos da equipa que hoje já não procura o seu 10 para escolher o flanco por onde ataca. Não se pode dizer que seja melhor ou pior, mas apenas que é uma diferença de comportamento que deixa Romagnoli completamente fora de jogo, não revelando o argentino capacidade para se integrar e adaptar a esta nova situação. Não espantará, por isso, que Romagnoli venha a abandonar Alvalade no próximo defeso...
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6.4.09

Estrela – Benfica: Como ganhar pode ser tão fácil...

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Marcar e... mais nada – O futebol é verdadeiramente irónico e, em certo sentido, cruel. Tantas vezes vemos equipas que tudo fazem para marcar, sem nunca conseguir um golo e, desta vez, vimos um Benfica sem 1 ocasião chegar a um 0-2 que lhe deu grande vantagem no jogo. De resto, a vitória do Benfica fica sobretudo explicada por esses 2 lances, já que tudo o resto foi demasiado pobre para poder, sequer, ser destacado.

O que se exigia – Convém dizer que não se exigia que o Benfica forçasse o jogo ou corresse riscos, estando em vantagem. O que se exige é que a equipa seja capaz de fazer 1 de 2 coisas neste tipo de situações. Ou ser capaz de controlar o jogo mais longe da sua área, ou então ter capacidade para explorar a profundidade, tirando partido do espaço que o Estrela desse nas suas costas. Ora, o que acontece é que o Benfica se limitou – como já havia feito na Figueira da Foz – a remeter-se a bloco baixo, onde é forte e organizado, mas onde corre também demasiados riscos pela proximidade com que a bola ronda a sua baliza. Este era um jogo em que se antecipava um duelo físico muito acentuado, com as primeiras e segundas bolas aéreas a definirem muito do balanceamento do jogo. O Benfica até se deu com esse lado mais físico de um jogo em campo de dimensões reduzidas. O pior, por paradoxal que pareça, foi quando foi preciso dar algo mais ao jogo.

Sem Suazo – O porquê de Quique ter pedido tanto um jogador com mais capacidade de dar profundidade ao jogo, explica-se neste (e noutros) jogo. A sua estratégia para os jogos fora passa preferencialmente por aceitar um bloco mais baixo, apelando depois aos momentos de transição para dar profundidade. Isto, sobretudo, quando se apanha a vencer. Sem Suazo, já se percebeu que a equipa raramente consegue dar profundidade ao seu jogo, limitando-se a sofrer defensivamente. Frente ao Estrela esta situação foi ainda mais evidente pela ausência, também, de Reyes. Uma solução potencial poderá passar pela inclusão de Di Maria como uma das 2 unidades da frente. Quique terá de encontrar a resposta que, nesta altura da época, já não deverá passar por algo mais que uma ou outra opção individual.


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18.12.08

Estrela - Porto: Reajustado

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Raro – 6 golos não é habitual no campeonato português. Na verdade cedo se percebeu que este seria um jogo com alta probabilidade de ter muitos golos, ainda que dificilmente se supusesse que o Estrela fizesse 2. Talvez sejam os efeitos da turbulência vivida em torno da dramática situação do Estrela, mas a verdade é que a equipa parece ter perdido aquela que era a sua principal arma, a boa organização defensiva. Não se trata do número de golos conseguidos pelo Porto, mas sim da facilidade com que os portistas fizeram chegar a bola à zona de perigo. Não foi preciso actuar em transição, nem sequer envolvimentos muito elaborados. O jogo chegava facilmente ao derradeiro quarto de campo e mesmo a zona mais próxima da baliza não era eficazmente coberta. Neste aspecto, o primeiro golo é o exemplo acabado de como foi fácil ao Porto atacar.
Pelo que escrevi acima, facilmente se perceberá a inteira justiça da vitória, ainda que o Porto tenha tido alguma inesperada dificuldade em controlar a posse de bola do Estrela, particularmente quando esta se aproximou das laterais. Se é verdade que o Estrela, mesmo que no seu melhor período, conseguiu o empate a 1 com uma invulgar fortuna, também é preciso referir a importância do ‘timing’ em que Hulk tirou o seu coelho da cartola. O Porto parecia estar numa fase adormecida e faltavam cerca de 25 minutos para o final. Mais do que o empate, o 2-2 trazia como ameaça para os portistas o efeito psicológico imprevisível que os golos sempre têm, muito mais sabendo-se que o jogo entrava na sua fase terminal. Com o 2-3, não só a vantagem voltou como a equipa acordou, beneficiando ela própria do tal efeito psicológico que poderia ter posto em causa uma vitória mais do que merecida.

9 vitórias – Não há fome que não dê em fartura. Depois de 3 derrotas consecutivas, o Porto arrancou para 9 triunfos consecutivos. Já tenho aqui falado sobre as evoluções do modelo portista e das reservas que tenho em relação a alguns aspectos. Na Amadora, pela especificidade do jogo, creio que o exemplo não será o melhor para tirar grandes conclusões. Ainda assim pode ver-se mais uma vez a assimetria da equipa, claramente mais concentrada numericamente para a esquerda e deixando o corredor direito para as descidas de Fucile (fez um grande jogo). Outro aspecto que me pareceu voltar a evidenciar-se, ainda que de forma muito menos clara do que o havia sido em Setúbal, foram as dificuldades defensivas em alguns momentos, quer em transição, quer em perante um ataque mais organizado.
Da mesma forma que referi, quando perdia, que aquela não era uma crise difícil de ultrapassar pela qualidade colectiva que a equipa trazia do passado, parece-me que este Porto está ainda bem longe do nível de excelência que apresentou na época anterior.

Hulk! – Depois de algum cepticismo inicial está a tornar-se no grande ídolo dos adeptos. É claro, hoje como antes, que tem um potencial enorme pela explosão e repentismo que o caracterizam. O tempo e os minutos têm-lhe dado um acréscimo de confiança, percebido de cada vez que toca na bola. Hulk mantém os problemas ao nível da decisão que lhe foram apontados quando as coisas não corriam tão bem mas a confiança tem lhe devolvido uma inspiração capaz de proporcionar momentos de inspiração que desequilibram em quase todos os jogos. Ainda que não seja provável que o possa repetir de forma tão regular, é evidente que os desequilíbrios que tem criado superam largamente os erros cometidos. Afinal, foi assim que Quaresma se distinguiu...

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17.11.08

Benfica - Estrela: o efeito do losango

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Efeito losango – É curiosa a transformação que se deu no tipo de exibição com a mudança de sistema. Frente ao Estrela e ao contrário de praticamente todos os jogos em 4-4-2 clássico, o Benfica conseguiu controlar o jogo defensivamente, não passando por sucessivos desequilíbrios defensivos. O reverso da medalha foi, claro, a escassa produtividade ofensiva quando comparada com o que se vira no passado.
O resultado foi um jogo sem grande interesse, particularmente na segunda parte onde o Benfica conseguiu colocar-se na posição que pretendia (graças a uma extravagância posicional de Sidnei), diminuindo o seu interesse em ser arrojado ofensivamente e congelando definitivamente um adversário que, salvo a tensão natural trazida pelo carácter tangencial da vantagem, não conseguiu colocar em causa o triunfo encarnado.
Em formação... outra vez! – “equipa em formação” tem sido a frase invariavelmente (e na minha opinião, exageradamente) associada ao Benfica de Quique Flores. Pois bem, ao optar pelo losango Quique não opta apenas por uma variante estrutural, antes sim por um modelo que em certos aspectos se distancia enormemente daquele desenvolvido sobre o 4-4-2 clássico. Reforço algumas ideias que já havia defendido após o encontro com o Aves. Falta muito trabalho para que o Benfica seja forte jogando neste modelo, destacando-se a ausência de rotinas colectivas que tirem partido da mobilidade dos jogadores e a exagerada dependência dos laterais para oferecer dar capacidade ofensiva das alas – aqui pode levantar-se uma outra questão que tem a ver com saber até que ponto um modelo que exige tanto dos laterais se adequa a uma equipa com Maxi e Jorge Ribeiro? A ideia de se ter dois sistemas alternativos é conceptualmente agradável mas no caso do Benfica parece-me que nem num caso nem no outro existe uma grande qualidade colectiva. O facto da equipa oscilar entre um e outro não ajuda a resolver esta questão...

Estrela – Uma das questões que se me levanta sobre este jogo é qual o real valor deste Estrela? A equipa manteve-se organizada e solidária defensivamente chegando para quase todas as investidas encarnadas. Já ofensivamente as coisas não foram tão positivas, destacando-se uma segunda parte com pouca energia, algo que poderá resultar por efeitos do que se tem passado para os lados da Reboleira. De todo modo, claro, importa contextualizar o que foi feito com a situação dos jogadores e nesse aspecto torna-se cruel apontar seja o que for...

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9.7.08

Liga 08/09: menos competitividade... provavelmente!

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Ainda é cedo para grandes análises ou mesmo pré análises a cada uma das equipas. No entanto, mesmo sendo certo que há um conjunto importante de definições ao nível dos planteis da generalidade das equipas que ainda estão por fazer, há uma ideia que me assalta desde o final da Liga 2007/2008: o nível qualitativo médio das equipas só muito dificilmente não descerá em 08/09.
07/08 melhor do que 06/07
07/08 melhor do que 06/07
Neste aspecto, aliás, creio que 07/08, terá sido um ano excepcional numa tendência que promete continuar a ditar leis na evolução do futebol português. Não entrando com uma análise aos grandes porque estes, queira-se ou não, estão sempre num patamar elevado em relação aos demais, creio que 07/08 teve alguns fenómenos que contribuíram para uma subida do nível médio das equipas em relação ao ano anterior. As prestações surpreendentes dos 2 Vitórias e a manutenção de Jorge Jesus no Belenenses terão sido os factores mais decisivos para este nivelamento um pouco mais por cima, onde há ainda que contar com os investimentos sempre elevados dos madeirenses Nacional e Marítimo e com o claro estatuto de quarta potência ao nível de recursos que é o Sp.Braga. Aliás, só um ano atípico pode explicar um Benfica em 4º e um Sp.Braga em 8ª (se contarmos apenas com a prestação desportiva), tal é o desnível no que respeita a orçamentos e qualidade de planteis. Quanto ao fundo da tabela, o destaque vai obviamente para o péssimo campeonato de uma equipa com tão bons recursos quanto a União de Leiria. Não desfazendo o paupérrimo campeonato feito no Lis, porém, acredito que nunca teria descido se em 07/08 estivessem equipas tão más como o Aves, Beira Mar ou V.Setúbal de 06/07.
Tendência negativa
Na transição para 08/09, a revisão de alguns planteis e a saída de alguns treinadores importantes deverão, no meu ponto de vista, fazer regressar um campeonato dominado pelos 3 grandes, apenas “beliscados” pelo Sp.Braga, este ano mais claramente um candidato ao quarto lugar. De resto, esta ideia é confirmada pela quantidade reduzida de equipas que declaram como objectivo prioritário chegar à Europa? Mas vamos a alguns casos que destaco como mais evidentes (excluo aqui o Boavista, que não se sabe se participará):

V.Guimarães: Para já as saídas de Geromel e Alan (pelo menos para já) são os pontos de realce na equipa de Cajuda. Se é muito provável que possam chegar reforços importantes no que resta do defeso, dificilmente o Vitória terá uma equipa muito mais forte do que em 07/08, sendo a aposta voltada para um crescimento sustentado. Esta é uma visão correcta e realista, assim como a ideia de que em 07/08 será muito difícil repetir o campeonato do ano anterior. A provável quebra do Vitória face a 07/08 resulta, portanto, não de uma quebra qualitativa, mas de um indesmentível aumento de exigência e jogos, que deverá dificultar uma repetição da consistência revelada ao nível do campeonato.

V.Setúbal: Faquirá pode ser uma boa aposta, mas só por milagre repetirá o que fez Carvalhal, ainda mais com saídas de jogadores como Eduardo, Bruno Gama e Pitbull. Mateus, Saleiro e Laionel são, para já, reforços importantes, mas o destino do Vitória deverá ser um lugar bem mais modesto do que o 6º de 07/08. Afinal, isso nem quer dizer que faça um mau campeonato, tendo em conta os objectivos.

Belenenses: Outra equipa que disputou nos últimos anos os primeiros lugares e que, em 08/09, deverá cair de qualidade. Como se não bastasse a saída do treinador que comandou o Belém a 2 excelentes épocas, houve ainda um número considerável de saídas da equipa base do último ano. Na defesa, 3 em 4: Hugo Alcantara, Rolando e Rodrigo Alvim. No meio campo, Ruben Amorim e, na frente, o goleador Weldon. Repetir o mesmo nível das duas últimas épocas é, na minha opinião, um objectivo muito complicado de atingir para o Belém.

Estrela da Amadora: É daquelas equipas que, ano após ano, aparece como candidata à despromoção. A estabilidade que a direcção dá aos treinadores – nomeadamente no inicio da era Faquirá – tem sido muito importante, mas este ano, salvo reforços de peso ou uma surpresa de Vidigal, as coisas serão ainda mais difíceis (é bom não esquecer as recentes dificuldades financeiras). Da equipa base saíram: Rui Duarte, Wagnão, Maurício, Hélder Cabral, Fernando, Tiago Gomes e Mateus. Só!
As melhorias prováveis...
Como excepções a esta tendência, destaco 2 equipas que, na minha perspectiva, poderão fazer um carreira mais positiva em 08/09.

Braga: Uma das vantagens de se fazer uma época aquém das expectativas é que não há grande assédio aos jogadores. Com o Braga ocorreu esta vantagem desportiva, juntando-se uma aposta que me parece totalmente acertada em Jorge Jesus. Como se não bastasse, os bracarenses ainda têm o privilegio de ver reforçada a sua equipa com alguns jogadores que poderão ser importantes, casos de Moises, Paulo Cesar ou Luis Aguiar.

Académica: Há muito que se espera uma época verdadeiramente tranquila da Briosa. A aposta em Manuel Machado foi um fracasso e agora é Domingos quem tem a oportunidade e o desafio de colocar, finalmente, a Briosa longe dos lugares de despromoção. Tenho Domingos como um dos melhores técnicos desta primeira divisão nacional e, apesar da saída de nomes importantes como Kaka e Luis Aguiar, o ex-avançado portista possa atingir o seu objectivo. Sougou e Hélder Barbosa prometem fazer uma dupla de respeito no aproveitamento das transições.
Mais um ano, mais uma debandada de qualidade
Debandada de qualidade... mais uma vez!
A qualidade dos reforços vindos de fora está por confirmar mas, este ano, mais uma vez, teremos uma série de nomes, que davam alguma qualidade às segundas linhas do campeonato, a dar o salto, mas para lá para fora. Esta é uma tendência que tem surgido nos últimos anos com o mercado de leste a ser muitas vezes o destino de jogadores que se destacam por cá. A saber: Marcelão, Zé Kalanga, Rodrigo Alvim, Hugo Alcantara, Weldon, Juliano Spadacio, Marcio Mossoró, Patacas, Fellype Gabriel, Kaká, Paulo Machado, Vieirinha, Mario Sérgio, Geromel, Maurício ou Tiago Gomes seriam nomes titulares na maioria das equipas da Liga mas que saem para destinos muitas vezes questionáveis do ponto de vista desportivo. O factor financeiro está a moer, claramente, a qualidade do futebol português, e por isso continuo a bater com mais insistência nesta tecla: se queremos 16 ou mais equipas no campeonato, temos de estar preparados para continuar a ver o nosso campeonato cair em qualidade. Se não, refaçam-se, finalmente, os modelos competitivos!

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8.5.08

"Bom, até aqui tudo bem..."

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Boavista e Estrela da Amadora têm animado a actualidade futebolística nacional das últimas semanas com os seus deprimentes casos de incumprimento salarial. Naturalmente que os dois casos resultam de motivos diferentes. Se no caso do Boavista não é difícil perceber que houve algo de muito errado com a gestão do clube durante anos em que se conseguiram receitas muito acima da normalidade, o caso do Estrela é aquele que mais espelha para onde caminha o futebol português.

Vejamos o que se passa com os clubes de pequena dimensão do primeiro escalão (que é a maioria, realmente). A ligação com a comunidade local é cada vez menor, com as transmissões televisivas a reduzirem a importância do “segundo clube” para as populações. Resultado, menos gente nos estádios, seja o jogo a que preço ou a que horas for. Sobram as receitas de publicidade e televisão que são o motor de outras ligas de países bem mais populosos mas que em Portugal têm um crescimento reduzido. Estas receitas são, no entanto, vitais e por isso a descida de divisão é encarada com tanto temor pelos dirigentes dos clubes. O problema é que o pouco crescimento das receitas não permite acompanhar as exigências de um mercado cada vez mais global e os clubes, que no passado estavam protegidos pelo efeito das fronteiras, deparam-se com um dilema: (1) viver dentro da sua realidade mas ver a qualidade do seu elenco diminuir a cada ano, não havendo capacidade para segurar jogadores que nem precisam de ser excepcionais, mas arriscando seriamente perder as tais receitas essenciais por via de uma descida de divisão, ou (2) tentar garantir uma qualidade mínima no plantel, vivendo para isso acima da realidade do clube.

Dentro deste dilema e seja qual for a decisão, o que se pode ver no longo prazo é que a qualidade destas equipas está a cair gradualmente. Hoje, o jogador que perde as expectativas de “saltar” para um grande faz algo muito simples: ruma ao estrangeiro e em 3 ou 4 anos ganha um salário que lhe permite encarar com outros olhos a sua vida, podendo depois, se assim entender, regressar a Portugal, para terminar a carreira.

Como em todas “crises”, quem mais a sente são os pequenos, mas os médios e grandes também não ficam com a melhor das situações. As suas receitas também não crescem ao nível de outros países e, por outro lado, o campeonato interno tende a ser cada vez menos competitivo, com o fosso a abrir-se entre grandes e pequenos e a dimensão média ser um privilégio para muito poucos. O interesse externo (entenda-se de outros países) na prova perde-se, os jogadores começam a torcer cada vez mais o nariz sobre a hipótese de colocar Portugal no mapa das suas carreiras e, perante um nível financeiro de crescimento inferior a outros países, a qualidade dos grandes também cai, mais vagarosamente, mas cai.

Quando entro no campo das soluções, volto a esbarrar com a minha forte convicção. Entre muito trabalho de marketing, ao nível local por parte dos clubes, e ao nível externo por parte da liga, é fundamental uma revisão dos modelos competitivos das ligas profissionais. Só com menos clubes no primeiro escalão e mais jogos entre os melhores se poderá fazer crescer (creio que poderiam até duplicar a muito curto prazo) as receitas televisivas e voltar a aumentar a qualidade dos planteis em Portugal. Entretanto, a evolução do futebol português vai-me fazendo lembrar aquela história do individuo que cai do trigésimo andar e, ao passar pelo vigésimo, pensa para ele próprio: “bom, até aqui tudo bem...”.

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5.5.08

Notas do Estrela 0-0 Benfica

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- Houve muito quem fizesse deste jogo uma vitória certa. É um erro primário que se comete muitas vezes neste tipo de situações em que uma equipa depende de terceiros e acaba por fazer as contas partindo do princípio que tem os seus jogos garantidos. Nos adeptos e até em alguns analistas parece-me normal que aconteça, agora um treinador ter “quase a certeza” de que vai ganhar é que acho mais preocupante...

- O Estrela iniciou o jogo com uma postura fiel aos seus princípios, fazendo da organização uma prioridade em relação à pressão, dando ao Benfica liberdade para iniciar as suas jogadas. Este facto ainda deu a ideia de que poderiamos ter um Benfica dominador desde o inicio, mas foi pura ilusão. A posse de bola encarnada depressa se revelou pouco dinâmica e incapaz de ultrapassar o bloco do Estrela que, por sua vez, foi ganhando confiança para assumir também ele a posse de bola com jogadas elaboradas suportadas apoios curtos e que iam tirando partido da apatia do pressing do seu adversário. Assim, à excepção do “missil” de Cardozo, a primeira parte não teve grandes oportunidades nem sequer um ascendente claro, com o jogo a ser disputado a um ritmo próprio de uma fase não competitiva.

- Há no Benfica uma ausência de movimentos ofensivos rotinados (à excepção do recuo de Rui Costa), com a equipa a assumir princípios básicos que apelam à mobilidade dos médios e ao apoio dos laterais, mas com a qualidade dessa dinâmica a depender sempre da inspiração individual e não de movimentos colectivos que aparentem ser trabalhados. Um exemplo desta lacuna pode encontrar-se na pouca ligação dos avançados à fase de criação ofensiva. Quando Di Maria aí actuou, essa ligação apareceu com mais frequência mas, lá está, resulta mais de uma opção individual do que de uma intenção colectiva. Neste aspecto pode perceber-se o pouco rendimento da primeira fase de construção do Benfica no primeiro tempo pela menor produção daquele que costuma ser o seu impulsionador, quer na criação de linhas de passe, quer no desenvolvimento das jogadas: Rui Costa.

- No segundo tempo, Chalana introduziu Di Maria na esquerda, passando Rodriguez para a direita, com o recuo de Maxi. O argentino foi a personificação da atitude pretendida e o grande protagonista das jogadas ofensivas encarnadas no segundo tempo que passaram a ser canalizadas para o seu flanco. Com a entrada de Mantorras, o Benfica acrescentou mais um inspirador de atitude, criando linhas de passe interiores e atacando com determinação as zonas de finalização.Na última meia hora o Benfica revelou finalmente a entrega e atitude que seriam necessários desde o minuto inicial, sendo mais agressivo sem bola e determinado com ela.

- O empate tem de se aceitar face às incidências do jogo, embora se deva dizer também que o Benfica teve poucas mas soberanissimas ocasiões de golo, sendo imperdoável falhar ocasiões como as de Luisão e, sobretudo, Edcarlos. Ainda assim é uma penalização previsível para quem viu na vitória com o Belenenses uma grande exibição e aparentou sempre, como referi no inicio, assumir este como um jogo ganho.

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8.4.08

Jorndada 25

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FC Porto – E.Amadora
Para uma festa perfeita, o jogo perfeito. O Porto brindou os seus adeptos com a maior goleada da temporada, num resultado que já não acontece com a frequência de outros tempos, mesmo para uma equipa com a superioridade que o Porto revelou ao longo do campeonato. Este facto leva-me a único ponto negativo da partida – não na perspectiva de quem festejava, evidentemente – o Estrela da Amadora. Não se esperava que a equipa de Daúto fosse capaz de impedir os festejos de uma equipa tão superior em noite de tanta determinação e é certo que as coisas não correram pelo melhor, com o Porto a revelar grande eficácia logo no inicio do desafio. O que não esperava era a derrocada de uma equipa que, dentro das suas limitações, se apresenta normalmente bem organizada. O Porto aproveitou e, como em todo o campeonato, os jogadores foram de encontro às melhores expectativas dos seus adeptos.

Sporting – Braga
Numa imagem daquilo que foi toda a época, o Braga era um adversário de qualidade incógnita para um Sporting que dificilmente poderia ser brilhante apenas 3 dias após o empate em Glasgow. No que respeita à estratégia para o jogo não houve surpresas. O Sporting com o modelo habitual, descansando os elementos que mais acusam o desgaste de um ciclo bissemanal de jogos, e lançando Farnerud e Djaló como novidades no onze. No Braga o 4-3-3 habitual, com o duplo pivot defensivo no meio campo, e uma atitude que pretendia fazer do bloco baixo uma armadilha que conseguisse controlar o domínio oferecido à posse de bola do Sporting para depois tentar ser perigoso em transição.
O Sporting não fez um primeiro tempo negativo, dominando o jogo nas imediações da área do Braga mas falhou quase sempre em conseguir ser perigoso. Pelo contrário, o Braga, sem fazer uns grandes primeiros 45 minutos, conseguiu tirar partido de uma unidade de enorme rendimento no jogo – Matheus – para criar um sobressalto que Linz não conseguiu finalizar. Os primeiros 45 minutos terminaram, no entanto, com o efeito decisivo da inspiração da dupla atacante leonina. Embora densamente preenchida a defesa do Braga, esqueceu a importância dos espaços e isso foi aproveitado de forma notável pelos avançados leoninos para dar uma vantagem dupla e exagerada para aquilo que tinha sido o desafio.
O jogo tinha tudo para dar uns segundos 45 minutos tranquilos para o Sporting mas não foi, antes pelo contrário, isso que aconteceu. O Braga mexeu, lançando Jailson como quarta unidade ofensiva para tentar partir o jogo na esperança que este ainda lhe pudesse oferecer uma chance de o discutir. O que se assistiu nos primeiros 20 minutos foi uma incapacidade incompreensível do Sporting para controlar o jogo, cometendo erros em posse de bola, erros de abordagem aos lances (Polga em particular evidência num lance que isola Linz) e erros de reacção à perda de bola (nomeadamente do meio campo que perde muito neste aspecto quando Moutinho actua como 10). O Sporting também teve hipóteses de ampliar a vantagem, é verdade, mas só por um assombro de felicidade o Braga não reduziu durante esse período, complicando um jogo que devia ter ficado resolvido pelos golos de Djaló antes do intervalo. A equipa de Alvalade só descansou nos últimos 20 minutos, com o Braga já descrente, e sendo o Sporting, aí sim, a equipa mais perigosa.
Da felicidade que gozou nesta jornada o Sporting recupera 2 pontos essenciais nas suas aspirações, ficando 2 certezas para o que resta jogar. A primeira é que o calendário é-lhe francamente favorável em comparação com os seus adversários, sendo manifestamente improvável que, ganhando os seus jogos, o Sporting não suba pelo menos um lugar até ao final. A segunda tem a ver com a frequência bissemanal de jogos (a confirmar se se mantém até ao final da época no desfecho da eliminatória com o Rangers). É um forte handicap para a capacidade da equipa a cada jogo e poderá ser decisivo o seu efeito para o que resta do campeonato. Este é um aspecto que muitas vezes se ignora mas que tem muito peso em vários aspectos... um deles aconteceu na lesão de Polga.

Boavista – Benfica
A deslocação ao Bessa não se previa fácil, mas o Benfica encarou-a com a melhor das atitudes contando com um apoio notável das bancadas, apenas 1 dia após o Porto ter feito a festa do tri na mesma cidade. O jogo mostrou um Benfica dominador desde o inicio, o que não espanta já que ceder o domínio territorial seria mesmo um dos propósitos da estratégia axadrezada. A verdade, mesmo, é que o próprio Jaime Pacheco não deverá ter ficado descontente com a prestação dos seus comandados ao fim dos primeiros 45 minutos. O Benfica dominou, sim, criou oportunidades, mas nem sempre foi capaz de levar o seu jogo ao interior da área contrária, vindo a maioria das suas ocasiões de fora da área. Pelo seu lado, o Boavista conseguiu soltar 2 ou 3 transições que por pouco não lhe valeram um golo (no lance da grande penalidade não posso deixar de assinalar a forma incrivelmente inocente como Edcarlos abordou o lance).
O segundo tempo até começou na mesma toada durante 15 minutos, mas, coincidentemente ou não com a entrada de Di Maria, a partir dos 60 minutos o Benfica passou a exercer um domínio avassalador, valendo-lhe a sua melhor exibição ofensiva da época mas... nem um golo. O Boavista deixou em absoluto de controlar as ofensivas encarnadas e passou a ser um aglomerado de jogadores a tentar impedir o golo, sobretudo a partir da expulsão. O Benfica não chegou ao seu objectivo numa prova evidente de que o futebol nem sempre é justo, facto que o torna, paradoxalmente, neste desporto tão apaixonante.
Nota para o método defensivo do Boavista, com os jogadores a definirem marcações individuais no inicio das jogadas e apenas se desfazendo dos seus “pares” quando estes saiam claramente da sua zona de acção. Este tipo de abordagem justifica as dificuldades sentidas pelo Boavista em controlar as ofensivas encarnadas que, sobretudo quando existia mobilidade dos avançados (Nuno Gomes esteve muito bem neste aspecto), criava espaços em zonas fundamentais.
Última referência, finalmente, para o instinto quase inacreditável de sobrevivência do Boavista frente aos grandes no Bessa. Bolas ao poste, defesas impossíveis e cortes milagrosos em cima da linha repetiram-se nos 3 jogos em que os axadrezados somaram 5 pontos, não consentindo uma única derrota!

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28.2.08

Notas do Sporting - Estrela

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- As projecções que resultaram do sorteio confirmaram-se e a SIC é a primeira vencedora da Taça de Portugal em 07/08. A aposta nesta competição renderá à estação mais 3 jogos de elevada qualidade, garantindo um share elevado. Nem sempre tem sido assim, mas este a Taça deverá ser um investimento bem rentável.

- Depois de ter sido presa fácil para o campeonato, o Estrela montou uma estratégia que criou muitas dificuldades ao Sporting. Bloco baixo e combativo, mais preocupado em defender bem em largura do que em profundidade. Mateus a marcar individualmente Veloso e a intenção permanente de ser perigoso em transição, utilizando as alas como caminho para esse objectivo.

- Paulo Bento parece ter definido as competições a eliminar como a prioridade para o ciclo actual de jogos. Pelo menos é a conclusão que se tira depois de ter poupado Tiuí e Romagnoli no Domingo, introduzindo-os no jogo da Taça. O campeonato parece ser agora uma prioridade para mais tarde. Resta saber se não será depois tarde demais...

- Depois de uma primeira parte com muitas dificuldades para superar o bloco do Estrela, o Sporting introduziu Izmailov, dando um outro “nervo” ao flanco direito e dominando totalmente o segundo tempo. Ao domínio não correspondeu, no entanto, uma grande capacidade para ser incisivo na zona de finalização. Aqui a nota vai para mais uma evidência da importância de Liedson, principalmente quando as alternativas são Tiuí e, o equívoco, Purovic.

- As lesões e a frequência de jogos têm impedido um crescimento da qualidade de jogo do Sporting que, ainda assim, se apresenta bem melhor do que há uns meses atrás. Será uma fase final muito complicada para o Sporting, dependendo, do meu ponto de vista, muito da forma e disponibilidade das pedras mais importantes da equipa. São quase 40 jogos oficiais já disputados e não há qualidade suficiente no plantel para manter níveis de performance muito mais elevados.

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18.2.08

Jornada 19: Quando se ganha...

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Marítimo – Porto
Na véspera da partida para a Alemanha, e apesar da vantagem pontual no campeonato, Jesualdo não entrou em rotatividades ou em descanso de titulares. Para além da ausência de Bosingwa, o destaque foi para a manutenção de Farias no ensaio geral antes do embate da Champions e para um pormenor na posição dos médios Lucho e Raul Meireles. É que, ao contrário do que é normal, Lucho actuou maioritariamente descaído para a meia esquerda, ao inverso de Meireles. A exibição portista não foi brilhante no primeiro tempo. Alguma desconcentração no momento do passe provocou perdas de bola em número atípico na equipa portista e o Marítimo aproveitou para protagonizar algumas transições bem interpretadas, fazendo a bola percorrer lateralmente o campo e causando algumas dificuldades ao posicionamento portista. Com o decorrer do tempo, no entanto, o Porto foi dando maior consistência ao seu jogo e no momento em que chegou à vantagem – imediatamente antes do intervalo – já tinha o adversário sob a sua teia posicional, dominando a partida. Com o golo de Lisandro – muito consentido pela oposição directo, diga-se – o Porto ganhou o conforto definitivo na partida e na segunda parte limitou-se a passear a sua superioridade perante a crescente impotência de um Marítimo a quem falta dimensão e intensidade competitiva para dar outra expressão à qualidade técnica dos seus jogadores.

Naval – Benfica
Foi um jogo de “ganas”, não só do Benfica mas de ambas as equipas. Futebol combativo e muito disputado a meio campo, a fazer lembrar jogos de outros escalões onde a técnica não é um recurso muito valorizado. Camacho repetiu a opção pela dupla Makukula-Cardozo, juntou Binya a Maxi no “miolo” e depositou todas e quaisquer esperanças de criatividade em 2 homens, Nuno Assis e Rodriguez, que apareceram sobre as alas, normalmente Assis sobre a esquerda e Rodriguez sobre a direita, talvez para privilegiar a meia distância em detrimento da chegada à linha de fundo. A primeira parte do Benfica foi, em boa verdade, muito fraca. Não pelo facto de ter assistido à reacção da Naval ao seu golo, mas pela incapacidade quase gritante para sair em transição, passando a maioria do tempo encurralado na sua área. O segundo tempo iniciou com um maior equilíbrio das operações e o tempo encarregou-se de retirar à Naval clarividência, concedendo progressivamente mais espaços que o Benfica passou a saber aproveitar melhor após a entrada de Rui Costa. Individualmente, o destaque vai para a exibição de Nuno Assis. Actuando sobre a ala, mas com inteligência para auxiliar sobre o “miolo”, foi depois o garante para alguma qualidade técnica no jogo encarnado durante grande parte do jogo.
Camacho lamenta-se frequentemente da falta de acerto na finalização mas a verdade é que a eficácia parece ser a salvação deste Benfica. Mais uma vez, sem fazer muito por isso o Benfica chegou à vantagem, demorando depois bastante até justificar um golo, o que aconteceu apenas no final da partida. Porque o futebol não é só um jogo de “azar”, há méritos a apontar ao Benfica de Camacho. Primeiro as bolas paradas, onde o Benfica é altamente eficiente e tendo já tirado muito partido disso, e depois a capacidade defensiva, onde Camacho introduziu maior equilíbrio posicional dando mais consistência à fase defensiva.

Sporting – Estrela Amadora
Apesar do Estrela não ser o mais complicado dos adversários, a verdade é que o jogo tinha algum risco, tendo em conta as alterações introduzidas por Paulo Bento. Ronny regressou à esquerda e no meio campo a principal novidade foi a a presença de Celsinho na posição 10. Esta terá, de resto, sido a mais negativa das experiências da partida. Jogar na posição 10 do modelo de Paulo Bento não é fácil e dentro do plantel leonino não há nenhum jogador que a saiba interpretar tão bem em termos ofensivos como Romagnoli. Foi algo referido pelo próprio treinador do Basileia e mesmo por Jorge Jesus. Os seus movimentos laterais são difíceis de controlar e causam superioridade sobre os flancos. Essa é uma das dinâmicas mais importantes do modelo de jogo do Sporting e, nesse aspecto, a presença de Romagnoli é muito importante.
Se, pelo que referi, a partida poderia ser problemática, a verdade é que não se poderia ter tornado mais simples. Primeiro pela inspiração de Moutinho e depois pela desvantagem numérica do Estrela. No segundo tempo e sem nunca acelerar muito o Sporting soube tirar partido da vantagem de um homem, ligando os corredores e fazendo o “campo grande”. Foi assim que chegou com naturalidade à jogada do penalti que, embora não tivesse sido concretizado, acabou definitivamente com a partida. Os restantes 30 minutos foram uma contagem decrescente em que o Sporting nunca colocou intensidade no jogo mas onde também nunca perdeu, nem o controlo, nem o domínio total da partida. Na verdade, não era preciso mais. Individualmente creio que é justo destacar João Moutinho, não por este jogo (apesar do grande golo), mas pela incrível regularidade com que se exibe com grande qualidade. Parece-me um desperdício se não entrar nas contas de Scolari...

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1.2.08

E se os jogos tivessem 45 minutos?

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O futebol é um jogo de 90 minutos e esse é o único limite temporal que conta para estratégias e reacções de protagonistas. Sem desfazer este facto indesmentível torna-se curioso comparar a performance das equipas entre os primeiros e segundos 45 minutos desta liga...

A primeira coisa que se constata é que a superioridade do FC Porto se verifica também nesta tabela, sendo esta particularmente marcante em relação a Benfica e Sporting. Os portistas têm, de resto, uma performance espantosa nos primeiros tempos das suas partidas, chegando 11 vezes ao intervalo a vencer e tendo sofrido apenas 2 golos nesse período do jogo – precisamente os 2 “encaixados” na última jornada em Alvalade. Fica ainda a curiosidade de, nos últimos 5 jogos, o FC Porto ter invertido esta tendência, tendo chegado em apenas 1 desses jogos em vantagem ao intervalo.

Ao contrário do Porto, os outros 2 grandes, Benfica e Sporting têm tido performances bem abaixo do esperado nos primeiros tempos das suas partidas. Se no caso dos encarnados o registo não é famoso, no Sporting a coisa torna-se quase desastrosa. De resto, esta tabela é a confirmação em números das más entradas dos leões nas suas partidas, conseguindo apenas metade dos pontos do FC Porto. Este é um problema que já foi abordado pelo próprio Paulo Bento e que, curiosamente, contrasta profundamente com o Sporting da última metade da época passada. Em termos relativos, o Sporting é a pior equipa da liga no primeiro tempo (o que é também um elogio às suas reacções no segundo tempo).

Nas restantes equipas, a principal surpresa vai claramente para a U.Leiria. Quintos nesta tabela, os Leirienses são um caso extremo de má performance nos segundos tempos das suas partidas, explicando-se nesse período o último lugar na Liga. Outro caso altamente positivo é o do Maritimo que tem alicerçado o seu campeonato positivo nos primeiros tempos – 7 vezes em vantagem ao intervalo. Pela negativa, destacam-se os minhotos Braga e Guimarães, bem posicionados na tabela global mas muito mais pelo que fazem nos segundos tempos das suas partidas. Curiosamente, as primeiras partes negativas destas 2 equipas foram recentemente evidenciadas nos jogos do Benfica em Guimarães e do Braga no estádio do Dragão.

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17.9.07

Breves da jornada (com um jogo ainda por disputar)

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O momento da jornada

O segundo golo do Benfica com o pormenor delicioso de Rui Costa. Não tão vistoso mas mais importante é o trabalho do 10 na construcção da jogada

V.Setúbal 3–1 Braga
Foi a sensação da jornada. Não tanto pela vitória em si, mas pela forma como foi conseguida. Desde o primeiro minuto os Vitorianos estiveram melhor do que a bem mais poderosa formação bracarense. O jogo foi, como é tão comum neste Braga de linhas pouco ligadas, veloz e com muito espaço. Assim se explicam os golos e as ocasiões num jogo em que Carvalhal deu uma valente demonstração de como o seu regresso a Setúbal pode ter sido salvação de mais uma época sadina. Do outro lado, mantenho reservas quanto a Jorge Costa.

Porto 1-0 Marítimo
Foi uma exibição que, alguns jogos depois, voltou a passar a ideia de um Porto escasso de criatividade colectiva, parecendo estar à espera da inspiração de Quaresma e bloqueando quando esta não surge na dose habitual. Jesualdo optou por voltar a colocar Lisandro na frente e desta vez muitos terão sido os que se lembraram do tantas vezes desprezado Adriano. A verdade é que as movimentações brasileiro não têm paralelo no plantel e prevejo que a integração de Farias necessite de paciência até porque a realidade de um ponta de lança no futebol Argentino é drasticamente diferente. Do outro lado, havia curiosidade em torno da resposta do co-líder Marítimo. Os madeirenses confirmaram-se uma formação acima da média do ponto de vista individual, no entanto a equipa não teve o arrojo para discutir a partida de forma mais séria. Primeiro, porque lhe faltou sempre capacidade no último terço e segundo porque defender foi mais uma questão de agrupamento numérico do que excelência organizacional. Porque na verdade mandou no jogo, o Porto mereceu o golo de Lisandro.

Benfica 3-0 Naval
Finalmente a Luz teve um jogo descansado. Camacho prossegue as suas experiências, com a questão a centrar-se mais numa questão de ajuste de individualidades do que na busca de novos princípios. A vitória é tão inquestionável quanto os números traduzem, mas há que referir as debilidades adversárias. A Naval é, e foi, uma equipa frágil e intranquila (aliás isso ficou mais claro com a saída de Chaló), aparecendo na Luz com uma estratégia que passava por aguentar o mais possível e, se ainda fez sofrer o Benfica durante os minutos iniciais, quando o golo surgiu a equipa ficou perdida sem saber mais o que fazer, sendo, por isso, devidamente penalizada. No Benfica, os destaques vão para a qualidade de Di Maria a jogar solto e para o perfume do impressionante Rui Costa. No outro prato da balança mantêm-se os extremos, onde, à margem de Di Maria, ainda não apareceram soluções verdadeiramente credíveis para Camacho.

E.Amadora 0-2 Sporting
Paulo Bento trouxe duas introduções importantes para a partida, os montenegrinos Purovic e Vukcevic. O ponta de lança passa a ser a opção primordial para o ataque e do seu rendimento vão depender uma boa parte das aspirações leoninas na temporada. Para já ainda não se viu o recurso à mais valida que pode representar a sua estatura mas é provável que Paulo Bento incorpore também essa solução mais tarde ou mais cedo. Quanto a Vukcevic, parece ser a opção que oferece garantias mais próximas das que dava Nani. Vukcevic é um jogador diferente de Izmailov, dá-se melhor junto à linha onde se sente confortável a entrar no 1x1 ou a combinar com os jogadores que por lá aparecem. Esta será, portanto, a solução mais natural para os jogos em que o Sporting se depare com equipas eminentemente defensivas. De resto, a partida não tem muita história para contar. O Sporting superiorizou-se desde cedo, forçando e aproveitando os erros de um Estrela que parece ainda longe do nível pretendido – sobretudo defensivamente. O 0-2 foi sinal de arrefecimento e controlo, até porque vem aí o Manchester.

Belenenses 2-1 U.Leiria
Jorge Jesus deve ter engolido em seco quando o Leiria se adiantou. O Belenenses teve um inicio de temporada complicado mas nem por isso brilhante ou próximo do que as expectativas sugeriam. Uma derrota frente ao Leiria transformaria um inicio de temporada tremido num problema bem mais complexo. O Belém deu a volta com brilhantismo, denotando carácter num momento complicado e, diga-se, dotando alguma justiça a uma partida em que foi superior. O Leiria – esta temporada bem mais modesto –bateu-se bem, desafiando o fora de jogo azul e conseguindo assim não só o seu golo como as suas ameaças na partida. O Belenenses voltou a ganhar e deverá encarrilar num campeonato positivo, faltando no entanto colmatar a saída do influente Dady na frente.

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