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13.5.08

Os 23 de Scolari: Sem Maniche!

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Não se pode dizer que fosse um anúncio que tenha gerado muitas expectativas. Comparativamente com 2004 e 2006, então, esta terá sido uma convocatória pacífica para a generalidade do público e imprensa, sobretudo se tivermos em conta os casos de Baía (2004) e Quaresma (2006) que tinham a particularidade de envolver jogadores de um dos grandes o que gera, inevitavelmente, muito mais polémica e discussão.
Ainda assim, parece-me que esta convocatória está longe de poder estar livre de discussão. Se há alguns casos que, sinceramente, têm interesse de pormenor, já que visam decisões entre jogadores que dificilmente farão muitos minutos, há um que merece maior importância: Maniche. Mas vamos aos destaques, individualmente:

Rui Patrício – É o caso que menos interessará, mas acho que Scolari comete aqui uma injustiça. Para terceiro guarda redes convém dar um prémio e não criar uma expectativa. Nesse aspecto, Patrício preenche o requisito. Acho no entanto prematuro fazer deste jovem guarda redes um talento seguro ao ponto de merecer tamanha distinção após uma época em que termina como principal ponto fraco da equipa. Creio que Beto ou Eduardo teriam sido melhores escolhas, até porque Patrício, se confirmar o potencial que se apregoa, facilmente terá mais e melhores oportunidades. Aqui, o factor “clube grande” tem o seu peso.

Caneira – Foi o preterido. Não creio que seja muito relevante – espera-se! – mas a opção por Caneira também não seria mal vista, sobretudo tendo em conta a sua polivalência – é o único que faz os 3 lugares da defesa. O facto de não ser primeira escolha para a esquerda terá sido decisivo.

Jorge Ribeiro – Tenho dito aqui que se justificaria testar a opção Jorge Ribeiro como lateral esquerdo. Motivo simples: é o único “de raiz” que podia merecer esta chamada. A minha estranheza prende-se com a pouca utilização de Jorge Ribeiro a lateral por parte de Scolari... É que se for para ser opção para o meio campo, então, não me parece mesmo nada boa escolha.

Fernando Meira – Não me parece que seja um nome controverso mas, ainda assim, aplaudo a chamada. A sua polivalência permite que Scolari pense na utilização de um pivot defensivo mais fixo e próximo dos centrais, ganhando força nas primeiras bolas aéreas (onde Costinha era muito forte). Não sei se não será mesmo essa a primeira escolha de Scolari...

Maniche – Aí está o grande risco de Scolari. Ter de substituir Figo, Pauleta e, ainda que menos, Costinha, já é um desafio. Sem Maniche, a tarefa torna-se ainda mais difícil. Maniche pode não ter um percurso ao nível de clubes – pós Porto – na dimensão esperada, mas foi, só, eleito para o melhor onze do último Europeu e Mundial, onde apontou 4 golos ao todo. Maniche seria para mim um titular de caras (a não ser que se revelasse em muito mau momento, claro). Entende muito bem Deco, e é o médio com mais tempo de chegada à zona de finalização (algo raro na Selecção), meia distância e leitura dos espaços. Penso que a questão disciplinar pode ter sido relevante, mas não penso que possa ter sido só por esse motivo. Espero não me lembrar dele a meio de alguns jogos!

Petit – Se acho que Maniche faz muita falta, Petit seria o meu preterido. A sua forma física não auspicia uma intensidade competitiva em que se possa confiar para uma fase final do Euro. Quando penso na má forma de Tiago ou Maniche, pergunto-me se estes dois tivessem o seu mau momento, tal como Petit, num grande português também não fariam parte dos 23 finais?

Veloso – Houve quem o questionasse, mas eu mantenho que tem uma qualidade fora de série no primeiro momento ofensivo (ainda que defensivamente possa ter os seus pontos a melhorar). Se for chamado a titular – e é possível que isso aconteça – tenho a convicção que se pode tornar num dos destaques da Selecção.

Postiga – Outra escolha menos previsível que aplaudo. Scolari disse-o, tem características que os outros não têm. Neste aspecto até penso que poderá fazer parte dos planos iniciais de Scolari. É fundamental que, utilizando um ponta de lança, ele tenha mobilidade para abrir espaços para o aparecimento de Ronaldo e Postiga pode ser essa solução.


Em suma, à excepção de Maniche – que tem muito peso, como expliquei – não vejo problemas de maior nas escolhas. O trabalho de Scolari, de resto, está ainda por começar verdadeiramente. Muito mais importante do que escolher 23 é conseguir criar uma ideia de jogo com estes jogadores e, sobretudo, superar um modelo que vinha de trás e estava adaptado às características de outros jogadores, revelando-se esgotado durante a qualificação. Portugal não será tão forte em posse de bola como em 2000, mas pode ser mais letal em transição; o trio do meio campo de 2004 e 2006 está desfeito e importa criar outras rotinas; Ronaldo tem um perfil próprio e merece que o colectivo adopte princípios que o favoreçam... Tudo isto são questões que me causam alguma apreensão, confundindo-se este sentimento com o habitual entusiasmo com que encaro a presença da Selecção nestes eventos. Mas delas falarei aqui mais vezes...

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10.7.07

Sporting: O risco está na frente

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Há uns dias, quando abordei aqui a política de aquisições do Benfica, referi-me à necessidade que os encarnados revelam de, individualmente, reforçar aquele que é o sector onde colectivamente são mais fracos. Curiosamente, a alguns metros da Luz, o problema põe-se, na minha opinião, no outro extremo do campo.

No Sporting, para além da questão do ponta de lança (cujo perfil já está perfeitamente definido em face dos objectivos de jogo), existe um “caso” que se repete desde a época transacta e que, novamente, marca a definição do plantel no início de temporada: Marco Caneira. Os motivos de tanto apreço leonino pelo defesa polivalente são evidentes, Caneira é um defesa que encaixa perfeitamente no perfil ideal de Paulo Bento. Concentrado, sóbrio e com uma excelente leitura dos espaços, Caneira é, em qualquer das posições em que actue, um excelente intérprete dos princípios defensivos do treinador e a sua presença – não me interpretem mal – é relevante. O ponto em que quero tocar, no entanto, prende-se com o facto de entender que no Sporting o maior risco para o sucesso desportivo da época está, independentemente do desenlace do “caso” Caneira, na fase ofensiva do jogo verde-e-branco. É que com ou sem Caneira, estou em crer que o Sporting de Paulo Bento voltará a ser um sério candidato a melhor defesa da prova, isto porque os princípios de jogo de Paulo Bento assentam precisamente num grande enfoque em torno do equilíbrio e bom posicionamento defensivos. Paulo Bento tem depois, e para além da mera opção filosófica do “jogar”, o mérito sistematizar processos de jogo evoluídos (assentes num pressing zonal, muito bem coordenado) que tornam as suas equipas tão difíceis de bater. Assim, parece-me que, pelo menos internamente a questão individual não é tão premente na defensiva do Sporting. Aliás, repetidamente as pessoas se questionam como é possível haver tanta discrepância no nível exibicional de alguns defesas (Polga, Anderson e Bruno Alves são exemplos), tão regulares numas épocas e tão irregulares noutras. Estou certo de que muito se explica pela organização defensiva das equipas onde alinham e, normalmente, as mudanças na performance individual são coincidentes com alterações nas equipas técnicas ou nos princípios de jogo das equipas.
Se na fase defensiva as coisas estão – a nível interno, repito – asseguradas pela organização colectiva, já no capítulo ofensivo o Sporting corre alguns riscos. 06/07 foi, de resto, uma época onde ficou patente como os cuidados com o equilíbrio e organização defensivos podem ser prejudiciais no momento de atacar. Neste aspecto Paulo Bento está muito mais dependente da qualidade individual ao seu dispor e foi precisamente pelo crescimento exibicional das individualidades Romagnoli e Nani que os leões melhoraram no final da temporada. Para 07/08 o Sporting precisa de acertar em cheio em, pelo menos, 1 aquisição, entre Vukcevic, Izmailov e o avançado que falta. A verdade, no entanto, é que o investimento financeiro não foi, para já, elevado, não existindo certezas de que Vukcevic ou Izmailov possam trazer para Alvalade um rendimento que não produziram no passado recente. Neste aspecto, fica uma curiosidade: será que Paulo Bento vai utilizar as características físicas do novo avançado para introduzir um estilo mais directo no jogo ofensivo do Sporting 07/08?

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