Facilmente se percebe que este é o contexto da aquisição de Nicolás Gaitan. O agora reforço encarnado tem de facto várias semelhanças com o seu compatriota. Canhoto, destaca-se sobretudo pela velocidade com que serpenteia com a bola colada ao pé. Um desequilibrador nato.
Arriscando, diria mesmo que Gaitan terá um requinte superior ao próprio Di Maria e que, neste sentido, pode superar a não muito longo prazo aquilo que faz o camisola 20. Talvez Di Maria seja mais forte no 1x1, mas Gaitan parece-me mais adaptável a zonas interiores. Ainda assim, Gaitan tem um caminho a percorrer. No Boca joga frequentemente como avançado móvel, solto de grandes responsabilidades tácticas e com pouca pressão para não errar. Em Portugal e na Europa, no entanto, Gaitan só pode ser extremo, e no modelo encarnado deverá jogar mais atrás, com mais responsabilidade na certeza de decisão e com uma missão mais global do ponto de vista táctico. Vai ter de jogar sem bola, de defender e de pressionar. O meu optimismo em relação à sua adaptação reside muito no mesmo motivo que explica a “explosão” de Di Maria em 09/10: o modelo táctico de Jesus. Gaitan terá a sua função definida e as suas decisões facilitadas pela qualidade do modelo. Cabe-lhe a ele, agora, a palavra final. Aquela que poderá fazer dele, ou não, uma estrela do futebol português no curto prazo.
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