Mostrar mensagens com a etiqueta Boavista. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Boavista. Mostrar todas as mensagens

12.5.08

Sporting 2-1 Boavista

ver comentários...
Se deste jogo pouco mais interessava do que resultado para efeitos de campeonato – visto tratar-se da última jornada, não havendo indicações a retirar para o futuro nesta competição – no que respeita ao Sporting era igualmente o último teste antes da final, residinndo o interesse da análise, precisamente, em saber em que ponto se encontra a equipa leonina antes desse último e difícil desafio da época.
Se nos últimos jogos havia apontado uma melhoria da equipa nos seus processos defensivos – particularmente no momento da transição defensiva – o Sporting começou por errar precisamente nesse capítulo na jogada que resultou no golo madrugador do Boavista. Este aspecto – a transição defensiva – foi, entre todos os problemas revelados pelo Sporting ao longo da época, aquele que mais prejudicou a equipa. Afinal, o número de golos sofridos na temporada quase que duplicou face a 06/07. Na jogada realce para a má decisão entre pressionar e manter-se numa atitude mais posicional depois da perda de bola. Miguel Veloso, primeiro, mas sobretudo Abel, optaram por uma pressão “cega” que os jogadores do Boavista aproveitaram para criar uma situação de 3 para 2 que resultou no golo.
A verdade é que, apesar da vantagem no marcador, o Boavista não foi um adversário difícil para o Sporting, particularmente no seu processo defensivo. Com referências homem a definir a marcação, o bloco axadrezado encostava demasiado atrás e o Sporting fazia muitas vezes o primeiro passe por um dos centrais, já no último terço de campo. A razão desta permissividade invulgar está no facto de não haver um pressing zonal, mas sim individualizado. Ou seja, Ivan vigiava Abel, Hussain Grimi e Mateus preocupava-se com Veloso. O resultado era uma ausência de pressão sobre os centrais que progrediam até ao momento em que se desfazia um acompanhamento individual de um dos médios para, finalmente, pressionar a sua progressão. Esta situação abria, obviamente, uma linha de passe e foi assim que Izmailov começou por ganhar liberdade na jogada que resultou na grande penalidade.
O jogo progrediu na mesma toada até ao intervalo, com o Sporting a não fazer um jogo soberbo, mas a ter processos ofensivos mais do que suficientes para, mesmo assim, marcar o segundo golo e ainda desperdiçar 2 ocasiões claras. Por outro lado, ofensivamente o Boavista apresentou-se limitado pela ausência de Zé Kalanga e nunca soltou transições perigosas, sendo que o Sporting conseguiu, mesmo assim, passar por sobressaltos, fruto da grande instabilidade que reside no entendimento entre Patrício e os centrais.
No segundo tempo, o Sporting optou por um jogo mais passivo, tentando chamar o Boavista e deixando de tirar partido dessa liberdade concedida aos centrais. Na teoria até podia não ser má ideia, mas na prática este adormecimento do jogo só pode ser feito por equipas confiantes defensivamente, o que não é, claramente, o caso do último reduto leonino. Assim, o Boavista moralizou e, se é verdade que a vitória é justa e que o Sporting poderia ter facilmente ter feito mais golos, também é verdade que os axadrezados se “puseram a jeito” de conseguir o empate.
No balanço final, fica um Sporting claramente mais sólido do que noutros jogos em que também venceu – nomeadamente frente a Braga e Leixões –, com crescimento de individualidades como Romagnoli ou Veloso, mas ainda longe de um nível que o possa encarar a final sem uma grande dose de apreensão face ao nível que se espera do Porto. Nota ainda para a evidente e altamente preocupante insegurança de Patrício, contagiando os seus centrais, sendo Polga aquele que mais afectado parece estar.

ler tudo >>

10.5.08

Apito Final

ver comentários...
- Começo por referir que estas notas serão claramente escassas para tudo o que se poderia discutir sobre este processo. No entanto, não sou nem pretendo ser um especialista neste tipo de matérias que, aos meus olhos, deveriam ser, no máximo, paralelas ao fenómeno futebolístico. Por isso opto por manter-me, dentro do que é possível, ao lado deste caso. Ainda assim, a sua importância é inegável e, como apaixonado pelo futebol, não evito retirar algumas conclusões que, para mim, são muito claras.

- Dia 9 de Maio de 2008 fica como uma data histórica do futebol português. Não pelas consequências desportivas das decisões, que apenas no caso do Boavista poderiam ter algum impacto relevante, mas o facto de, no mesmo dia, a direcção do clube se ter demitido em bloco por motivos que não estão relacionados com este caso, diz tudo sobre a irrelevância relativa destas decisões para o futuro do Boavista. A importância surge, antes sim, pelo facto de se ter reconhecido desportivamente que houve casos de corrupção (ou, se quisermos, tentativa de), o que é uma novidade no nosso futebol. Curiosamente, a sensação que se tem destas decisões é que a Liga se sai aliviada por ter “despachado” o assunto sem ter passado ao lado do mesmo. Ao contrário desta ideia, parece-me que a abertura deste precedente vai iniciar mais uma era de novas guerrilhas de bastidores que, seguramente, animarão o dia-a-dia de muita gente.

- Este foi um dia marcante, mais do que para os clubes envolvidos, para o futebol nacional. No entanto, a reacção do FC Porto, conhecida pela voz do seu Presidente transformou o FC Porto num claro perdedor neste caso. Não será um tema consensual entre os adeptos portistas – até porque estamos a falar numa divergência de opinião em relação à linha assumida pela direcção – mas parece-me um erro enorme a posição assumida pelo clube. De facto, o que está em causa para o FC Porto neste caso é muito mais do que um título ou a utilidade de 6 pontos. O aceitar da culpa só pode ser interpretado à luz de duas hipóteses, ambas pouco abonatórias para o próprio clube: (1) ou o FC Porto não considera ser possível defender-se desta acusação, ou (2) considera que a importância de ser dado, ou não, como culpado num caso de tentativa de corrupção não vale o risco de perder 6 pontos na próxima temporada. Assim, o que fica é uma enorme nódoa negra na história de um clube centenário que, para quem tem na ética e honra valores acima da própria prestação desportiva, vale muito mais do que a perda qualquer título ou, seguramente, 6 pontos. Nota ainda para aquilo que considero ser uma confusão perigosa. Pinto da Costa é a mais importante figura da história do clube, mas quando ele lá chegou o FC Porto já era um grande clube e quando ele sair continuará a ser por muitas décadas. A sua defesa pessoal não é a defesa do FC Porto. Quanto muito, seria ao contrário, porque quem deve ver o seu nome defendido é, em primeira instância, o clube, e não o seu Presidente...

- Finalmente, aquela que é a minha conclusão de há muito sobre este processo. Os casos desvendados pelas escutas telefónicas revelam comportamentos que considero altamente reprováveis e censuráveis numa competição desportiva que se quer sadia, envolvendo personalidades que vão para além dos visados nas sanções finais. Para além disso, estamos a falar de 1 ano, na era das novas tecnologias, numa história de mais de 70 anos de campeonatos em contextos bem mais favoráveis para protagonizar os tais comportamentos censuráveis. A partir daqui torna-se muito difícil acreditar na inocência histórica de qualquer clube que seja. Não diria que a conclusão é que o futebol português é uma história de mentiras, mas fica agora bastante claro que terá sido uma sucessão de verdades muito próprias.

ler tudo >>

8.5.08

"Bom, até aqui tudo bem..."

ver comentários...
Boavista e Estrela da Amadora têm animado a actualidade futebolística nacional das últimas semanas com os seus deprimentes casos de incumprimento salarial. Naturalmente que os dois casos resultam de motivos diferentes. Se no caso do Boavista não é difícil perceber que houve algo de muito errado com a gestão do clube durante anos em que se conseguiram receitas muito acima da normalidade, o caso do Estrela é aquele que mais espelha para onde caminha o futebol português.

Vejamos o que se passa com os clubes de pequena dimensão do primeiro escalão (que é a maioria, realmente). A ligação com a comunidade local é cada vez menor, com as transmissões televisivas a reduzirem a importância do “segundo clube” para as populações. Resultado, menos gente nos estádios, seja o jogo a que preço ou a que horas for. Sobram as receitas de publicidade e televisão que são o motor de outras ligas de países bem mais populosos mas que em Portugal têm um crescimento reduzido. Estas receitas são, no entanto, vitais e por isso a descida de divisão é encarada com tanto temor pelos dirigentes dos clubes. O problema é que o pouco crescimento das receitas não permite acompanhar as exigências de um mercado cada vez mais global e os clubes, que no passado estavam protegidos pelo efeito das fronteiras, deparam-se com um dilema: (1) viver dentro da sua realidade mas ver a qualidade do seu elenco diminuir a cada ano, não havendo capacidade para segurar jogadores que nem precisam de ser excepcionais, mas arriscando seriamente perder as tais receitas essenciais por via de uma descida de divisão, ou (2) tentar garantir uma qualidade mínima no plantel, vivendo para isso acima da realidade do clube.

Dentro deste dilema e seja qual for a decisão, o que se pode ver no longo prazo é que a qualidade destas equipas está a cair gradualmente. Hoje, o jogador que perde as expectativas de “saltar” para um grande faz algo muito simples: ruma ao estrangeiro e em 3 ou 4 anos ganha um salário que lhe permite encarar com outros olhos a sua vida, podendo depois, se assim entender, regressar a Portugal, para terminar a carreira.

Como em todas “crises”, quem mais a sente são os pequenos, mas os médios e grandes também não ficam com a melhor das situações. As suas receitas também não crescem ao nível de outros países e, por outro lado, o campeonato interno tende a ser cada vez menos competitivo, com o fosso a abrir-se entre grandes e pequenos e a dimensão média ser um privilégio para muito poucos. O interesse externo (entenda-se de outros países) na prova perde-se, os jogadores começam a torcer cada vez mais o nariz sobre a hipótese de colocar Portugal no mapa das suas carreiras e, perante um nível financeiro de crescimento inferior a outros países, a qualidade dos grandes também cai, mais vagarosamente, mas cai.

Quando entro no campo das soluções, volto a esbarrar com a minha forte convicção. Entre muito trabalho de marketing, ao nível local por parte dos clubes, e ao nível externo por parte da liga, é fundamental uma revisão dos modelos competitivos das ligas profissionais. Só com menos clubes no primeiro escalão e mais jogos entre os melhores se poderá fazer crescer (creio que poderiam até duplicar a muito curto prazo) as receitas televisivas e voltar a aumentar a qualidade dos planteis em Portugal. Entretanto, a evolução do futebol português vai-me fazendo lembrar aquela história do individuo que cai do trigésimo andar e, ao passar pelo vigésimo, pensa para ele próprio: “bom, até aqui tudo bem...”.

ler tudo >>

3.5.08

História do Europeu - Jugoslávia 1976

ver comentários...
Enquadramento Futebol Português
Em 1976, o Benfica conquistava o segundo título do último tri campeonato da sua história. Pela mão do carismático Mario Wilson, que abandonaria o comando técnico dos encarnados no final dessa época para dar lugar à primeira passagem de John Mortimore pela Luz. Na equipa do Benfica estavam nomes como José Henrique, Vitor Baptista, Shéu, Toni ou Nené. Mas o destaque vai para dois homens. Chalana que com apenas 17 anos chegava ao Benfica, vindo do Barreirense, e Jordão, melhor marcador com 30 golos, o que justificou o interesse e a contratação por parte do Saragoça no avançado.
Ao triunfo do Benfica, juntou-se uma época desastrada de Sporting e FC Porto. No caso do Sporting, o pior resultado de sempre no campeonato, 5º lugar, o que lhe valeu a primeira ausência da Europa em 76/77. Na equipa de Juca, a nota positiva vai para os 26 golos do estreante Manuel Fernandes, chegado da CUF. No Porto, o 4º lugar foi particularmente amargo, por ter sido ficado, inclusive, atrás do seu rival da cidade, o Boavista. Nos dragões, no entanto, este seria o último 4º lugar até aos dias que correm, e a época de viragem estava prestes a começar. António Oliveira já era o artista nas Antas, que serviu de apoio à melhor época do goleador Peruano Cubillas no clube (28 golos). Cubillas não voltaria a repetir tamanho exito em Portugal e a época seguinte abriria o ciclo de um novo goleador azul e branco: Fernando Gomes (tinha 20 anos em 1976).
Tal como acontecera em 1972, é obrigatório falar de um clube de menor dimensão, neste caso, o Boavista. A coincidência entre o Boavista de 76 e o Setúbal de 72 está num nome: José Maria Pedroto. Pedroto, com João Alves entre os seus jogadores, foi o timoneiro da equipa que ficaria conhecida como “Boavistão”, pelo 2ºlugar conseguido 2 finais da Taça seguidas, culminando com a vitória na prova precisamente em 1976, batendo o Guimarães por 2-1. No final dessa época, Pedroto daria mais um passo para marcar o futebol português, transferindo-se para o FC Porto e criando as bases, não só para interromper o longo jejum de campeonatos em 1979, como para iniciar um novo ciclo no futebol português, que Pinto da Costa e FC Porto se encarregariam de prolongar até aos dias de hoje.
Nota final para a representação fraca dos clubes portugueses nas provas europeias, sem grandes brilharetes para registo. Aliás, a década de 70 seria uma das piores em termos de representação nacional na Europa.

Enquadramento do Futebol Europeu
No futebol europeu, 1976 marcou o último dos 3 títulos conseguidos pelo Bayern Munique na Taça dos Campeões. A Europa do futebol, aliás, entrava num período de domínio Anglo-Germânico em termos de competições europeias. Em Inglaterra, o principal destaque vai, claramente, para ascenção do Liverpool. Os “Reds” entraram nos anos 60 no segundo escalão do futebol, mas a contratação do “Boss” Bill Shankly revelou-se determinante. Shankly, não só devolveu o clube ao primeiro escalão, como o colocou rapidamente como principal emblema do país vencendo o título em 64 e repetindo-o em 73, quando juntaria uma Taça Uefa. Shankly abandonaria em 74, tendo criado as bases para aquele que foi o mais bem sucedido dos treinadores que Anfield alguma vez viu: Bob Paisley. Paisley conseguiu ultrapassar o fantasma de Shankly e ganharia 6 campeonatos, 1 Taça Uefa e 3 Taças dos campeões Europeus. Paisley foi regenerando a equipa que herdou de Shankly e, sempre no seu 4-4-2, encontrou figuras emblemáticas do clube como os Hansen, Thompson, Souness e Dalglish.
Na Alemanha, nota para o Monchengladbach, finalista em 77 da Taça dos Campeões Europeus e vencedor da Uefa em 75 e 79. O Borussia foi o grande rival interno do poderoso Bayern de Beckenbauer e conseguiu mesmo mais títulos do que os bávaros nos anos 70 (5 contra 3). Nesta rivalidade, destaca-se o nome de um treinador: Udo Lattek. Lattek começou por estar ligado à Selecção Alemã, como treinador adjunto de Schoen em 66. Em 1970 foi aconselhado por Beckenbauer para treinador do Bayern, causando alguma controvérsia a sua falta de experiência. Mas a qualidade, como sempre, é o principal factor de sucesso de um treinador, e Lattek levou o clube a 3 campeonatos e uma Taça dos Campeões Europeus. Em 1975, no entanto, o Bayern precipitar-se-ia ao dispensar o treinador no seguimento de uma crise interna. O clube seria campeão europeu mais 2 anos sob o comando Dettmar Cramer, mas não voltaria a ser campeão até 1980. Lattek, por seu lado, serviu fria a vingança, transferindo-se para o Monchengladbach, onde conquistaria 2 campeonatos (76 e 77), chegaria a uma final da Taça dos Campeões Europeus (77) e conquistaria uma Taça Uefa (79). Lattek voltaria mais tarde ao Bayern para ser o protagonista de mais uma época de sucesso dos bávaros, agora nos anos 80. 3 Bundesliga e 2 Taças em 4 anos marcaram o sucesso desta passagem, apenas amargurada pela final perdida em 1987 para o FC Porto. Lattek é, a par de Trapattoni, o único treinador que, até hoje, venceu os 3 troféus Europeus, tendo-o conseguido por 3 clubes distintos (Bayern Munique, Monchengladbach e Barcelona). Feito que, dada a extinção da Taça das Taças, se torna muito difícil de igualar.

Qualificação
A fase de qualificação para o Euro 76 não foi das mais surpreendentes. Afinal, Checoslováquia, Alemanha Ocidental, Jugoslávia e Holanda eram das mais fortes Selecções do contexto europeu da altura.
Ainda assim, na fase de grupos, destaque para a eliminação da Inglaterra que foi segunda no grupo ganho pela Checoslováquia e onde constava ainda Portugal. Os ingleses, dominadores do panorama europeu de clubes passavam por uma década negra no que respeita a grandes competições, falhando igualmente as presenças nos mundiais de 74 e 78. Os ingleses lamentar-se-ão dos dois empates concedidos frente a Portugal (particularmente o 0-0 de Wembley), bem como da derrota em Bratislava por 2-1, depois de terem começado a vencer por 0-1 num jogo que durou 2 dias devido ao nevoeiro.
Outro grupo que importa destacar é da Holanda, Polónia e Itália, com os holandeses a levar a melhor. Em segundo ficou uma forte formação polaca (que havia sido terceira classificada em 74), enquanto que a Itália ficou-se pelo terceiro lugar, apesar de ter derrotado os holandeses em Roma com um golo solitário de Capello.
Nos quartos de final que definiram os 4 finalistas da prova, a Checoslováquia derrotou a formação com mais tradição até aqui em fases finais de Europeus, a União Soviética. Uma vitória em Bratislava (2-0) e um difícil empate em Kiev (2-2), carimbaram o passaporte para aquela que seria a mais gloriosa página do futebol Checoslovaco. A Jugoslávia, que seria anfitriã da prova, eliminou o País de Gales com um concludente 3-1 no total dos dois jogos. Mas as eliminatórias mais interessantes foram as outras duas... Num duelo de campeões europeus, a Alemanha Ocidental confirmou o seu momento de superioridade em relação à Espanha. Santillana deu vantagem aos Espanhóis em Madrid, mas o golo de Beer no segundo tempo determinou um muito positivo empate a uma bola (Vídeo) com que os germânicos encararam o jogo decisivo no estádio Olímpico de Munique. Aí, os alemães foram superiores, vencendo por 2-0. Nos países baixos disputou-se mais um acesso aos 4 finalistas. Numa espécie de maldição que impediu uma muito interessante formação belga de estar presente nas grandes competições do final dos anos 70, a Holanda foi mais uma vez o carrásco dos seus vizinhos e rivais. Algo que já acontecera na qualificação para o Mundial de 74 e que se repetiria no acesso ao Argentina 78. Nesta eliminatória a superioridade holandesa foi inequívoca. 5-0 na banheira de Roterdão e 1-2 em Heysel. Destaque para o hat-trick de Rensenbrink, um holandês que fez a sua carreira por clubes belgas, particularmente no Anderlecht onde foi ídolo (aliás foi o melhor jogador do campeonato belga nesse ano).
Nota, finalmente, para a prestação portuguesa. Uma selecção onde pontificavam Damas, Humberto Coelho, Nené, Toni, Octávio, Vitor Baptista ou João Alves, confirmava aquilo que também se passava ao nível de clubes na década de 70: uma grande incapacidade de afirmação internacional. Os portugueses até começaram de forma prometedora com um empate a zero em Wembley. Mas a ilusão começou a desfazer-se no jogo seguinte com a derrocada (5-0) em Praga. Os portugueses apenas conseguiriam vencer a mais fraca formação do grupo, o Chipre, ficando pelo terceiro lugar, atrás de Checoslováquia e Inglaterra.

Fase Final
Tendo palco as cidades de Zagreb e Belgrado, esta prova ficou marcada pelo enorme equilíbrio entre as formações, sendo que nos 4 jogos disputados houve lugar a prolongamento. Na primeira meia final, em Zagreb, houve um protagonista especial: Anton Ondrus. O capitão da Checoslováquia começou por ser decisivo ao dar a vantagem à sua formação ainda no primeiro tempo, mas já perto final foi o próprio Ondrus a marcar na própria baliza, originando o empate holandês que forçou o prolongamento. Nos 30 minutos suplementares, os checoslovacos garantiriam um lugar na final. A equipa da casa actuou em Belgrado frente à detentora do título e poderosa Alemanha Ocidental. O inicio de jogo prometia uma noite gloriosa para os anfitriões. Ao intervalo venciam por 2-0 com golos de Popivoda e Dzajic. Flohe reduziu à entrada da última meia hora, mas o minuto mais importante na história deste jogo é o 79’. Um tal de Muller, que não o famoso Gerd, entrou para o lugar de Wimmer e 3 minutos depois empatou, levando o jogo para prolongamento. Aí Dieter Muller tornou-se numa das estrelas da competição, marcando 2 golos que colocaram a Alemanha Ocidental na final da prova.
Um dia depois da Jugoslávia ter desperdiçado no prolongamento o esforço da recuperação que anulou os dois golos que os holandeses conseguiram de vantagem no inicio do jogo, disputou-se em Belgrado a final da competição. Pela terceira vez em quatro jogos, registou-se um empate a 2 no final dos 90 minutos, com Muller a marcar mais um golo e os alemães a conseguirem evitar a derrota no minuto 89. Só que desta vez o prolongamento não teve golos e, pela primeira vez na história da competição, a decisão teve de ser feita por penaltis. Todos converteram, até que Hoeness falhou oitava cobrança, colocando nos pés de Panenka a possibilidade de garantir a conquista da competição. Perante o categorizado Sepp Maier, Antonín Panenka protagonizou um dos momentos mais memoráveis da história do futebol, iludindo o guardião germânico e dando a vitória à Checoslováquia com uma execução que se encarregaria de imortalizar o seu nome: o penalti “à Panenka”.

Meias finais
Checoslováquia 3-1 Holanda (1-1 no final dos 90 minutos) (Vídeo Parte1 e Parte2)
Jugoslávia 2-4 Alemanha Ocidental (2-2 no final dos 90 minutos)
3º/4º Lugar
Holanda 3-2 Jugoslávia (2-2 no final dos 90 minutos)
Final
Checoslováquia *2-2 Alemanha Ocidental ((2-2 no final dos 90 minutos e 5-3 nas grandes penalidades)

Equipas

Checoslováquia (Campeã)
Orientada por Vavlav Jezek, a Selecção Checoslovaca tinha credenciais de respeito no futebol europeu, nem que fosse pelo comportamento na qualificação, onde deixou para trás a Inglaterra e União Soviética. No entanto, esta Selecção que falhou os mundiais de 74 e 78 às custas da Escócia estava longe de se constituir como um candidato à vitória final. A nível de clubes, o Slovan Bratislava vivia os seus tempos aureos depois de ter conquistado uma Taça das Taças em 69 e alguns campeonatos durante o inicio da década de 70. Precisamente o Slovan era o principal fornecedor de jogadores para esta Selecção. Na formação que iniciou a final 6 jogadores eram do Slovan, sendo estes sobretudo representantes do sector defensivo.

Alemanha Ocidental
Helmut Schoen comandou a única selecção a entrar numa fase final de um Europeu como campeã Europeia e Mundial em título. Uma boa parte da equipa fazia parte do elenco que triunfara em 72, mas também houve várias ausências. Da Selecção que entrou na final, Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Wimmer e Hoeness repetiram a titularidade de 4 anos antes. No conjunto de jogadores escolhidos por Schoen, havia agora muito mais diversidade de clubes de origem, com o Bayern de Munique e Monchengladbach a serem, sem surpresa, os maiores representantes com 4 jogadores. Esta final representa a última em grandes competições para uma geração de jogadores como Beckenbauer, Hoeness ou Maier. Nomes como Gerd Muller ou Paul Breitner não figuraram neste Europeu por terem decidido deixar de representar a Selecção, apesar de continuarem bem activos nos seus clubes. No caso de Muller, foi uma decisão sem retorno, mas Breitner (que em 76 tinha apenas 25 anos) regressaria mais tarde à Selecção para jogar o Mundial de 82.

Holanda
George Knobel
foi o sucessor de Rinus Michels após o Mundial de 74. O seu primeiro teste foi comandar esta equipa de estrelas no Euro 76 e, se se pode dizer que não desiludiu na qualificação, o mesmo não se pode dizer da fase final. Esperava-se a qualificação da Holanda para a final, numa hipotética repetição da final do Mundial 2 anos antes. A Checoslováquia, no entanto, foi um adversário que se mostrou à altura desta potencia mundial da altura, e na vitória no playoff para o terceiro lugar já não jogaram figuras como Cruijff, Neeskens e Rep. Esta foi a primeira Selecção de um Europeu a ter um conjunto de estrelas a actuar fora do seu país: No Barcelona, Johan Neeskens e Johan Cruijff, no Valencia, Johnny Rep e no Anderlecht Rensenbrink. Nota para a realidade da altura no futebol Holandês. Os tradicionais gigantes, Feyenoord e Ajax viviam períodos baixos depois de gloriosas equipas, com destaque para a saída das estrelas do Ajax que conquistaram o tri campeonato europeu. Na Holanda vivia-se uma experiência nova mas que se repetiria diversas vezes após os anos oitenta: uma fase de domínio do PSV. Nos de Eindhoven, destaque para uma dupla de gémeos que fez história também nos Mundiais de 74 e 78: os médios René e Willy Van de Kerkhof.

Jugoslávia
Uma das decisões que talvez pudesse ter ajudado a equipa Jugoslava seria escolher Split como cidade anfitriã. É que, apesar do campeão em 76 ter sido o Partizan, o Hajduk Split vivera tempos de domínio no futebol Jugoslavo do inicio da década e Ante Mladinic escolhera para o seu elenco sobretudo jogadores do Split, 6 deles com honras de titularidade. Aqui, importa lembrar que Mladinic era, ele próprio, croata e ex-jogador do Hajduk, não se sabendo até que ponto a rivalidade com os Sérvios e os clubes de Belgrado condicionaria as suas opções. Na Selecção Jugoslava, destacam-se ainda alguns jogadores que actuavam em clubes estrangeiros. Katalinski (Nice), Popivoda (Eintracht Braunschweig), Oblak (Schalke 04) e Dragan Dzajic (Bastia).

Estrelas
Ivo Viktor (Checoslováquia) – Fica ligado à história desta competição por uma memorável exibição frente à Holanda nas meias finais. Era já veterano, com 34 anos, e havia passado a carreira “escondido” no Brno e Dukla Praga, mas em 1976 a Europa ficou convencida com as suas exibições, ao ponto de ter sido terceiro na eleição para Bola de Ouro da France Football nesse ano.

Anton Ondrus (Checoslováquia) – Central do Slovan de Bratislava e capitão da selecção vencedora, ainda que não fosse o mais experiente dos seus elementos. Ondrus fica marcado pela peculiaridade de ter marcado os dois golos do tempo regulamentar frente à Holanda na meia final, só que um em cada baliza. De resto teve uma actuação que revelou as suas potencialidades, nomeadamente no jogo aéreo.

Antonin Panenka (Checoslováquia) – Naturalmente a figura da prova, por aquele gesto mitico que fica gravado na história do futebol como qualquer grande momento de Maradona ou Pelé. Sobre o penalti, Panenka confessou tratar-se de uma invenção sua para ganhar apostas nos treinos com o guarda redes da sua equipa. A técnica foi desenvolvida depois em treinos e jogos de menor importância até surpreender Maier com a execução vitoriosa. Panenka era um médio ofensivo, dotado tecnicamente que jogou até aos 45 anos de idade. O seu clube era o Bohemians de Praga (onde hoje é Presidente), mas mais tarde jogou também no Rapid Viena. Participaria ainda no Europeu 80 e Mundial 82 (já com 33 anos).

Zdenek Nehoda (Checoslováquia) – Um dos maiores avançados da história do futebol Checo, jogou 90 vezes pela Selecção, marcando 31 golos. Em 1976 foi figura importante na conquista do título, destacando-se o golo que marcou no prolongamento da meia final frente à Holanda. Ponta de lança forte no jogo aéreo mas também dotado tecnicamente.

Berti Vogts (Alemanha O.) – Para os mais jovens este nome é sobretudo conhecido pelos feitos como treinador, nomeadamente pela conquista do Euro 96. A verdade é que Vogts foi um dos melhores (talvez o melhor) lateral direito da história do futebol germânico. “Der Terrier” era assim conhecido pela sua entrega ao jogo. Faria quase 100 jogos pela Selecção, o mais famoso dos quais, a final do Mundial 74, onde marcou Cruijff. Fez toda a carreira no Monchengladbach.

Franz Beckenbauer (Alemanha O.) – Pode não ter ganho o título colectivo, mas isso não impediu que fosse, mais uma vez, nomeado Bola de Ouro pela France Football. Uma distinção que diz tudo sobre as qualidades de “Der Kaiser”, também neste Europeu. Um episódio curioso aconteceu na final – na sua centésima internacionalização – quando ninguém parecia querer marcar os penaltis. A demora foi tanta por parte dos alemães que o público reagiu, assobiando. Foi aí que apareceu a liderança de “der Kaiser”, nomeando ele próprio os eleitos.

Dieter Muller (Alemanha O.) – Independentemente da sua importância como goleador no futebol alemão, esta competição está para a carreira internacional de Muller como os mundiais de 90 ou 82 estão para Schilacci ou Rossi. É que Muller marcou apenas 9 golos na sua carreira pela Selecção, em 12 aparições... 4 deles foram neste jogo, destacando-se o facto de nem ter sido titular no primeiro jogo, entrando aos 79’, a tempo de fazer um hat-trick na sua estreia com a camisola da Selecção. Goleador de várias equipas, mas sobretudo do Colónia e, mais tarde, do Bordéus, Muller tem o maior registo de golos num jogo da Bundesliga, 6 frente ao Werder Bremen em 77. Em mais um episódio curioso da sua carreira, o registo não ficou gravado porque... os “camaramen” estavam de greve!

Ruud Krol (Holanda) – Um defesa que é um dos marcos do ‘Futebol Total’ dos anos 70. Defesa polivalente e de grande classe, Krol usava a sua versatilidade para desempenhar várias funções ao longo dos jogos. Jogador do Ajax durante grande parte da carreira, onde foi capitão, já depois da saída de Cruijff. Seria o terceiro melhor jogador europeu em 79.

Johan Crujff (Holanda) – Falar de Cruijff é, obviamente, falar de um dos maiores génios de sempre. A verdade, no entanto, é que Crujff estava já na fase descendente da sua carreira quando, com 29 anos, disputou esta competição. Depois de 3 títulos europeus pelo Ajax, Crujff juntou-se a Rinus Michels no Barcelona. A verdade é que a armada holandesa apenas conseguiu uma liga em 74 (apesar da importância por ter sido a única entre 60 e 85), em 5 anos de Barça. Também na Selecção, Cruijff invocaria problemas com ameaças à sua familia para abdicar da Selecção em 77, não participando no Mundial 78.

Johan Neeskens (Holanda) - Médio criativo foi a “sombra” de Crujff em grande parte da carreira. Isto partilhou com o génio holandês as experiências no Ajax e no Barcelona – onde se juntou um ano após o ingresso de Cruijff – bem como o Mundial de 74 e o Euro 76. Neeskens jogaria, no entanto, o Argentina 78. Tal como Cruijff apenas jogou a meia final.

Rob Rensenbrink (Holanda) – Fez grande parte da carreira na Bélgica, tornando-se uma glória do Anderlecht após ter entrado no país para jogar no rival Club Brugge. Em 76 foi jogador do ano na Bélgica e segundo mais votado na eleição de Melhor Europeu do Ano para a France Football. Dois anos mais tarde, após um brilhante Mundial 78, voltou a constar entre os 3 mais votados numa eleição ganha por Kevin Keegan. Rensenbrink era um canhoto dinâmico e goleador. As suas funções na Selecção holandesa não foram facilmente incorporadas, primeiro pela sobreposição de funções com Cruijff e, depois, pelo facto de não ser originário do Ajax ou Feyenoord, bem mais rotinados com a novidade do ‘Futebol Total’. Com o abandono de Cruijff, Rensenbrink tornar-se-ia numa das principais estrelas da “Laranja”.

Dragan Dzajic (Jugoslávia) – Figura já destacada no Euro 68, Dzajic voltou a brilhar em 76, agora com 30 anos. Nesta altura havia já abandonado o seu clube de origem, o Estrela Vermelha, para ingressar num Bastia que se preparava para atingir o topo da sua história. Dzajic marcou 2 golos na prova, distinguindo-se, mais uma vez, pela qualidade sublime do seu pé esquerdo que o notabilizou como um dos melhores extremos esquerdos da história do futebol e o nome escolhido pela Federação Sérvia como jogador do século, no Jubileu da Uefa.

ler tudo >>

14.4.08

Jornada 26: Para além da Luz...

ver comentários...
Setúbal 1-2 Porto
Pelas opções de ambos, quer no arranque da partida, quer durante a mesma, a primeira nota que fica é que este não terá sido mais do que um aperitivo para Terça Feira.
Nesse aspecto, devo dizer que o aperitivo serviu bem para abrir o apetite em relação ao que poderá ser essa meia final. E não o digo apenas pelo que o Vitória fez no segundo tempo, onde teve outra atitude ofensiva, é verdade, mas encontrou também um Porto enganador em relação à sua real valia. Dito isto, perceber-se-á que não concordo minimamente com a afirmação ouvida e lida várias vezes no rescaldo do jogo: que o Vitória terá oferecido o inicio do jogo ao Porto. Quem o afirma não percebe uma das estratégias possíveis e onde é de facto forte (afinal, foi assim que conquistou, por exemplo, a Taça da Liga). Na verdade, frente ao Porto o bloco baixo do Vitória terá sido infeliz porque, apesar do domínio que evidentemente ofereceu, conseguiu controlar o Porto que não havia tido grandes oportunidades – ao contrário do que é costume – antes do golo de Lisandro. Não tenho dúvidas que o Vitória voltará com esta estratégia na Terça e, se conseguir ter a qualidade defensiva dos seus primeiros 30 minutos, poderá tornar a tarefa um pouco mais difícil ao Porto.
A tudo isto, resta-me uma dúvida: a capacidade de transição do Vitória. Carvalhal apresentou uma frente de ataque de recurso no primeiro tempo, pelo que a amostra não serve de exemplo. Fica assim a dúvida de como a equipa reagirá nesse momento do jogo, já com as presenças de unidades determinantes do lado portistas como Meireles ou Assunção.
Do lado do Porto, e mantendo uma espécie de projecção para Terça a partir deste jogo, não se espera mais do que aquilo que a equipa vem fazendo. Mobilidade ofensiva – fundamental como se viu no desequilíbrio criado por Kaz no primeiro golo – e, mais determinante ainda, capacidade na transição defensiva. Se o Porto for forte nesse momento tornará o jogo num sufoco – um pouco à imagem do primeiro tempo de Sábado – e quase inevitável o aparecimento de um golo. Nota para dois aspectos. O primeiro tem a ver com as dificuldades que Lucho teve para respirar na densidade do bloco Sadino (não que tenha, longe disso, feito um mau jogo). O segundo tem a ver com Quaresma. A festa do “tri” parece ter-lhe feito bem... a confirmar.

Sporting 2-0 Leixões
Começo pelo Leixões. Digo-o sem qualquer problema. É neste momento, e após o “tiro no pé” que foi o timing da saída de Carlos Brito uma das mais frágeis oposições que existem nesta liga. Pode, como em Alvalade, ter períodos em que o seu jogo ilude, mas o risco – e falta de segurança – com que adianta a sua linha mais recuada torna a equipa numa formação incapaz de ter, em qualquer momento que seja, o controlo do jogo. Veremos onde para, mas arrisca-se fortemente a uma despromoção quando parecia ter as coisas mais ou menos controladas...
Depois do que afirmei, fica evidente o que penso da primeira parte do Sporting – muito fraca. Má em termos defensivos, onde o seu pressing voltou a não ser suficientemente forte, mas o problema nem foi por aí. Frente a um bloco denso mas alto como o do Leixões, o Sporting teria apenas de conseguir sair do primeiro momento de pressão do seu adversário para estar em condições de explorar o espaço que este oferecia nas suas costas. Acontece porém que o primeiro momento de construção esteve francamente ineficiente. Pouca mobilidade dos jogadores ofereciam poucas soluções de passe. A excepção a isto, ainda assim, foi Liedson, mas o “Levezinho” acabava invariavelmente concluir com perdas de bola os apoios que conseguiu oferecer à construção. O resultado foi um jogo largamente disputado à frente do bloco Matosinhense, ou seja, à entrada do meio campo do Sporting. Ainda assim, e a comprovar o que comecei por dizer, foi o Sporting quem esteve mais perto do golo no primeiro tempo, precisamente pela exploração dos erros cometidos pela linha de fora de jogo Leixonense.
No segundo tempo, a história foi diferente, particularmente após o primeiro golo. Aliás, estou em crer que Alvalade acabaria por assistir a uma estranha goleada, por força da menor cobertura defensiva a que o Leixões iria incorrer. A expulsão de Ronny, no entanto, encarregou-se de mudar esse destino e o jogo poderia ter visto mais golos, mas em qualquer das balizas.
Sobre o Sporting, dizer que se assistiu a mais uma prova da desinspiração de alguns elementos da equipa, manifestamente afectados pela sobrecarga de jogos (Moutinho é um exemplo). Sobre isso, acrescento que o Sporting pode e deve melhorar a partir do momento em que tenha apenas 1 jogo por semana e que é melhor que o faça. É que não se ganham sempre jogos com exibições como aquelas protagonizadas frente a Braga e Leixões... antes pelo contrário!

Guimarães 1-0 Boavista
Uma referência para dizer o que penso deste Vitória e que, no fundo, é o espelho de exibições como a de Sábado.
Cajuda tem uma equipa que com muito mérito está onde está, mas que não é o espectáculo que muitos apregoam... É uma equipa que valoriza sobretudo a segurança defensiva, desequilibrando-se muito pouco e tendo elementos que, lá atrás, falham ainda menos (Nilson é o espelho disso mesmo, com uma época fantástica). Depois, ofensivamente, existe um sistema e alguns movimentos simples mas suficientes para criarem embaraços aos adversários. O resto é alma, acreditar e ambição. Lembra-me o Boavista de 2001, pelas vitórias de 1-0 que consegue, controlando o adversário e tendo depois a força mental suficiente para acreditar que o seu jogo será suficiente para que este quebre pelo menos uma vez.
Resulta, é realista, inteligente e eficaz, mas não digam que é brilhante, porque não o é. Outro aspecto fundamental no sucesso do Vitória está na possibilidade que Cajuda tem (e fá-lo quase sempre) de repetir, semana após semana o mesmo onze. Ajuda muito a criar entrosamento e tal dinâmica de vitória. Para isso, tem de se referir a escassez de jogos noutras competições e a ausência de lesões.
Está de Parabéns o Vitória, dê no que dê, por saber criar uma fórmula vencedora dentro dos seus recursos.

ler tudo >>

8.4.08

Jorndada 25

ver comentários...
FC Porto – E.Amadora
Para uma festa perfeita, o jogo perfeito. O Porto brindou os seus adeptos com a maior goleada da temporada, num resultado que já não acontece com a frequência de outros tempos, mesmo para uma equipa com a superioridade que o Porto revelou ao longo do campeonato. Este facto leva-me a único ponto negativo da partida – não na perspectiva de quem festejava, evidentemente – o Estrela da Amadora. Não se esperava que a equipa de Daúto fosse capaz de impedir os festejos de uma equipa tão superior em noite de tanta determinação e é certo que as coisas não correram pelo melhor, com o Porto a revelar grande eficácia logo no inicio do desafio. O que não esperava era a derrocada de uma equipa que, dentro das suas limitações, se apresenta normalmente bem organizada. O Porto aproveitou e, como em todo o campeonato, os jogadores foram de encontro às melhores expectativas dos seus adeptos.

Sporting – Braga
Numa imagem daquilo que foi toda a época, o Braga era um adversário de qualidade incógnita para um Sporting que dificilmente poderia ser brilhante apenas 3 dias após o empate em Glasgow. No que respeita à estratégia para o jogo não houve surpresas. O Sporting com o modelo habitual, descansando os elementos que mais acusam o desgaste de um ciclo bissemanal de jogos, e lançando Farnerud e Djaló como novidades no onze. No Braga o 4-3-3 habitual, com o duplo pivot defensivo no meio campo, e uma atitude que pretendia fazer do bloco baixo uma armadilha que conseguisse controlar o domínio oferecido à posse de bola do Sporting para depois tentar ser perigoso em transição.
O Sporting não fez um primeiro tempo negativo, dominando o jogo nas imediações da área do Braga mas falhou quase sempre em conseguir ser perigoso. Pelo contrário, o Braga, sem fazer uns grandes primeiros 45 minutos, conseguiu tirar partido de uma unidade de enorme rendimento no jogo – Matheus – para criar um sobressalto que Linz não conseguiu finalizar. Os primeiros 45 minutos terminaram, no entanto, com o efeito decisivo da inspiração da dupla atacante leonina. Embora densamente preenchida a defesa do Braga, esqueceu a importância dos espaços e isso foi aproveitado de forma notável pelos avançados leoninos para dar uma vantagem dupla e exagerada para aquilo que tinha sido o desafio.
O jogo tinha tudo para dar uns segundos 45 minutos tranquilos para o Sporting mas não foi, antes pelo contrário, isso que aconteceu. O Braga mexeu, lançando Jailson como quarta unidade ofensiva para tentar partir o jogo na esperança que este ainda lhe pudesse oferecer uma chance de o discutir. O que se assistiu nos primeiros 20 minutos foi uma incapacidade incompreensível do Sporting para controlar o jogo, cometendo erros em posse de bola, erros de abordagem aos lances (Polga em particular evidência num lance que isola Linz) e erros de reacção à perda de bola (nomeadamente do meio campo que perde muito neste aspecto quando Moutinho actua como 10). O Sporting também teve hipóteses de ampliar a vantagem, é verdade, mas só por um assombro de felicidade o Braga não reduziu durante esse período, complicando um jogo que devia ter ficado resolvido pelos golos de Djaló antes do intervalo. A equipa de Alvalade só descansou nos últimos 20 minutos, com o Braga já descrente, e sendo o Sporting, aí sim, a equipa mais perigosa.
Da felicidade que gozou nesta jornada o Sporting recupera 2 pontos essenciais nas suas aspirações, ficando 2 certezas para o que resta jogar. A primeira é que o calendário é-lhe francamente favorável em comparação com os seus adversários, sendo manifestamente improvável que, ganhando os seus jogos, o Sporting não suba pelo menos um lugar até ao final. A segunda tem a ver com a frequência bissemanal de jogos (a confirmar se se mantém até ao final da época no desfecho da eliminatória com o Rangers). É um forte handicap para a capacidade da equipa a cada jogo e poderá ser decisivo o seu efeito para o que resta do campeonato. Este é um aspecto que muitas vezes se ignora mas que tem muito peso em vários aspectos... um deles aconteceu na lesão de Polga.

Boavista – Benfica
A deslocação ao Bessa não se previa fácil, mas o Benfica encarou-a com a melhor das atitudes contando com um apoio notável das bancadas, apenas 1 dia após o Porto ter feito a festa do tri na mesma cidade. O jogo mostrou um Benfica dominador desde o inicio, o que não espanta já que ceder o domínio territorial seria mesmo um dos propósitos da estratégia axadrezada. A verdade, mesmo, é que o próprio Jaime Pacheco não deverá ter ficado descontente com a prestação dos seus comandados ao fim dos primeiros 45 minutos. O Benfica dominou, sim, criou oportunidades, mas nem sempre foi capaz de levar o seu jogo ao interior da área contrária, vindo a maioria das suas ocasiões de fora da área. Pelo seu lado, o Boavista conseguiu soltar 2 ou 3 transições que por pouco não lhe valeram um golo (no lance da grande penalidade não posso deixar de assinalar a forma incrivelmente inocente como Edcarlos abordou o lance).
O segundo tempo até começou na mesma toada durante 15 minutos, mas, coincidentemente ou não com a entrada de Di Maria, a partir dos 60 minutos o Benfica passou a exercer um domínio avassalador, valendo-lhe a sua melhor exibição ofensiva da época mas... nem um golo. O Boavista deixou em absoluto de controlar as ofensivas encarnadas e passou a ser um aglomerado de jogadores a tentar impedir o golo, sobretudo a partir da expulsão. O Benfica não chegou ao seu objectivo numa prova evidente de que o futebol nem sempre é justo, facto que o torna, paradoxalmente, neste desporto tão apaixonante.
Nota para o método defensivo do Boavista, com os jogadores a definirem marcações individuais no inicio das jogadas e apenas se desfazendo dos seus “pares” quando estes saiam claramente da sua zona de acção. Este tipo de abordagem justifica as dificuldades sentidas pelo Boavista em controlar as ofensivas encarnadas que, sobretudo quando existia mobilidade dos avançados (Nuno Gomes esteve muito bem neste aspecto), criava espaços em zonas fundamentais.
Última referência, finalmente, para o instinto quase inacreditável de sobrevivência do Boavista frente aos grandes no Bessa. Bolas ao poste, defesas impossíveis e cortes milagrosos em cima da linha repetiram-se nos 3 jogos em que os axadrezados somaram 5 pontos, não consentindo uma única derrota!

ler tudo >>

11.3.08

Jorge Ribeiro... dá que pensar!

ver comentários...

ler tudo >>

4.3.08

Dérbis...

ver comentários...
Sporting – Benfica – Notas ao Minuto

0’ Relativamente aos onzes e para além das alterações forçadas não houve surpresas. Se do lado do Sporting o sistema é uma redundância, no que respeita ao Benfica a opção pela utilização de um só ponta de lança foi totalmente ajustada, permitindo equilibrar numericamente o “miolo”.
4’ Primeira ocasião do jogo para o Sporting com um desequilíbrio sobre a esquerda do ataque. Este lance desencadeia uma série de acções que marcaram o inicio de jogo do Sporting. O aparecimento de vários jogadores sobre o flanco esquerdo confunde permanentemente o acerto das marcações sobre aquele flanco, com o Benfica a demorar muito tempo a adaptar-se à situação. Nota neste aspecto para a falta de entrosamento entre Nelson e o eixo central da defesa bem como para a falta de reacção dos médios que compunham o “duplo pivot” no meio campo encarnado. Outro aspecto importante para o desequilíbrio conseguido pelo Sporting naquele flanco foi a diferença na agressividade na disputa dos lances. Aqui nota negativa para Di Maria. Outro aspecto que marcou o inicio de jogo do Sporting foi a pressão feita sobre a saída de bola do Benfica, forçando um jogo directo, sempre em busca de Cardozo, sem grande consequência.
11’ O Sporting chega à vantagem num lance em que Moutinho desequilibra sobre o “miolo” e aproveita a tal indefinição nas marcações entre Nelson e o eixo central da defensiva encarnada.
35’ Primeira ocasião clara de golo para o Benfica. Rodriguez finaliza ao lado num lance determinado por uma sequência de ressaltos e que é também a imagem da diferença entre a agressividade de Di Maria e o “Cebola”. O Benfica foi progressivamente a controlando o flanco esquerdo do Sporting, com Camacho a trocar Di Maria e Rodriguez de flanco. A falta de Romagnoli começou a ser mais notada com a posse de bola do Sporting a tornar-se previsível sem a espontaneidade dos movimentos laterais do médio argentino. Em vez de circular de forma alternada a bola, o Sporting passou a repetir a opção pelo lado esquerdo, agora com o Benfica mais preparado para essa opção. Por outro lado, o Benfica começa a conseguir fazer posse de bola no meio campo do Sporting. Um movimento importante para esta melhoria é a repetitiva movimentação de Rui Costa sobre o flanco esquerdo, saindo da zona central onde Miguel Veloso lhe prestava especial atenção.
39’ A melhoria do jogo encarnado é materializada com o golo de Cardozo. Mais um lance de bola parada, com o pormenor de Binya ter involuntariamente barrado a acção de Tonel, permitindo a liberdade de que desfrutou Cardozo. O golo do Benfica surge apenas alguns minutos após a equipa ter ganho um verdadeiro ascendente na partida, mas vai condicionar o Sporting para o que resta do primeiro tempo.
45’ Intervalo com 1-1. Maior ascendente do Sporting, maior eficácia do Benfica, aproveitando bem o seu momento de reacção. O Benfica permanece ameaçador de bola parada.
48’ Nova entrada mais forte do Sporting, com Tiuí a aparecer na cara de Quim. Os minutos seguintes vão ser marcados por algum ascendente do Sporting mas nunca com o factor surpresa do primeiro tempo. Alguns incidentes começam a tornar o jogo quezilento.
64’ Binya aparece solto na área após um livre. O Benfica apresenta mais posse de bola, criando mais linhas de passe do que é habitual. Os movimentos interiores dos extremos, o apoio dos laterais e o tal aparecimento de Rui Costa sobre a esquerda são os aspectos mais marcantes no jogo encarnado. O Sporting parece acusar mais o resultado e, talvez, as ausências de jogadores fundamentais como Romagnoli e Liedson. O seu meio campo não é dominador mas a sua posse de bola é mais incisiva do que a do Benfica que apenas cria perigo de bola parada.
71’ Tiuí volta a por a nu as dificuldades no extremo reduto encarnado (a falta de Luisão e David Luiz não pode ser descontextualizada) e com alguma facilidade aparece na cara de Quim, mais uma vez aproveitando a zona entre o central e o lateral. O Sporting permanece mais perigoso em bola corrida apesar de não ser dominador.
76’ Expulsão de Nélson. A partir daqui o jogo vai ter um só sentido. Paulo Bento introduz de imediato Purovic antecipando o recuo do Benfica perante o resultado positivo e a inferioridade numérica.
90’ 1-1 Final. Os últimos minutos deram mais uma ocasião para cada lado mas, nem o Sporting foi capaz de ser mais incisivo perante um Benfica muito recuado, nem o Benfica soube aproveitar o espaço concedido para ser ameaçador em transição (aliás transições perigosas foi o que menos se viu neste jogo).

Boavista – Porto
- As poupanças de Jesualdo fazem, na minha perspectiva, todo o sentido tendo em conta a gestão da época desportiva. Vamos a ver se não é tarde de mais após ter utilizado as unidades mais influentes em vésperas da visita à Alemanha (apesar de não se poder estabelecer objectivamente uma relação causa-efeito entre essa opção e a derrota sofrida).
- Interessante a utilização do “duplo-pivot” no meio campo. Jesualdo já havia testado essa opção algumas vezes durante a época mas nunca de inicio. Aqui nota para o desajuste de Quaresma à função: quem joga ali não pode arriscar tanto em posse de bola. Quaresma foi desequilibrador mas as suas opções são também uma evidência de que Quaresma precisa de crescer para ser um jogador igualmente influente num contexto diferente da missão especifica que Jesualdo lhe reserva no modelo de jogo portista.
- Até ficar em inferioridade numérica o Boavista discutiu o jogo. É certo que jogou perante um Porto com muitas ausências, mas nota-se mais confiança e qualidade no jogo ofensivo axadrezado (fundamentalmente trazida por algumas individualidades). Isto, apesar de permanecer defensivamente demasiado baixa não havendo grande qualidade nessa fase de jogo.
Braga – Guimarães
- O Dérbi que prova que há alguma vida para além dos grandes. 25 mil e uma rivalidade genuína e independente do campeonato.
- Tacticamente esquemas idênticos. 4-3-3 com duplo pivot e um homem no espaço entre linhas. A diferença está na dinâmica, muito mais evidente no Guimarães, pela trocas posicionais entre os extremos o vértice mais adiantado do triângulo de meio campo.
- O nulo começa a explicar-se pela falta de qualidade das movimentações ofensivas do Braga - não se identificam movimentos de alternância posicional no ataque do Braga que joga tal qual aparece no papel – e pela pouca vontade de arriscar do Guimarães. O Guimarães teve quase sempre a iniciativa de jogo no primeiro tempo, mas foi altamente incapaz de ultrapassar a agressividade defensiva do bloco Bracarense, optando muitas vezes pelo passe para o lado, de menor risco.
- Num jogo marcado pela agressividade e entrega nos despiques individuais, o Braga entrou melhor e mais determinado a marcar no segundo tempo. Não foi capaz de o fazer e a equipa foi traída pelas opções difíceis de entender de Manuel Machado. Num meio campo com Brum e Contreras (um guerreiro em campo), Machado decidiu trocar Peixoto pelo músculo e lentidão de Stélvio. O Guimarães terá agradecido porque foi bem mais fácil deixar os minutos correr até ao proveitoso empate final.

ler tudo >>

1.2.08

E se os jogos tivessem 45 minutos?

ver comentários...
O futebol é um jogo de 90 minutos e esse é o único limite temporal que conta para estratégias e reacções de protagonistas. Sem desfazer este facto indesmentível torna-se curioso comparar a performance das equipas entre os primeiros e segundos 45 minutos desta liga...

A primeira coisa que se constata é que a superioridade do FC Porto se verifica também nesta tabela, sendo esta particularmente marcante em relação a Benfica e Sporting. Os portistas têm, de resto, uma performance espantosa nos primeiros tempos das suas partidas, chegando 11 vezes ao intervalo a vencer e tendo sofrido apenas 2 golos nesse período do jogo – precisamente os 2 “encaixados” na última jornada em Alvalade. Fica ainda a curiosidade de, nos últimos 5 jogos, o FC Porto ter invertido esta tendência, tendo chegado em apenas 1 desses jogos em vantagem ao intervalo.

Ao contrário do Porto, os outros 2 grandes, Benfica e Sporting têm tido performances bem abaixo do esperado nos primeiros tempos das suas partidas. Se no caso dos encarnados o registo não é famoso, no Sporting a coisa torna-se quase desastrosa. De resto, esta tabela é a confirmação em números das más entradas dos leões nas suas partidas, conseguindo apenas metade dos pontos do FC Porto. Este é um problema que já foi abordado pelo próprio Paulo Bento e que, curiosamente, contrasta profundamente com o Sporting da última metade da época passada. Em termos relativos, o Sporting é a pior equipa da liga no primeiro tempo (o que é também um elogio às suas reacções no segundo tempo).

Nas restantes equipas, a principal surpresa vai claramente para a U.Leiria. Quintos nesta tabela, os Leirienses são um caso extremo de má performance nos segundos tempos das suas partidas, explicando-se nesse período o último lugar na Liga. Outro caso altamente positivo é o do Maritimo que tem alicerçado o seu campeonato positivo nos primeiros tempos – 7 vezes em vantagem ao intervalo. Pela negativa, destacam-se os minhotos Braga e Guimarães, bem posicionados na tabela global mas muito mais pelo que fazem nos segundos tempos das suas partidas. Curiosamente, as primeiras partes negativas destas 2 equipas foram recentemente evidenciadas nos jogos do Benfica em Guimarães e do Braga no estádio do Dragão.

ler tudo >>

7.1.08

Jornada 15

ver comentários...
- A jornada fica inegavelmente marcada pela perda de pontos de Benfica e Sporting. Curiosamente uma situação que surge imediatamente após uma paragem de campeonato onde muito se discutiu se o FC Porto perderia ou não mais pontos do que na primeira volta. A verdade é que para o reavivar da luta pelo título é, em primeiro lugar, necessário uma carreira dominadora de Benfica ou Sporting e esse parece um cenário difícil de antever, pelo menos nesta altura.

- Em Setúbal o Benfica tinha um teste complicado frente a uma das mais bem orientadas equipas da prova. O jogo teve várias caras e peripécias mas foi no segundo tempo que surgiu o episódio marcante da partida. O desentendimento entre Katsouranis e Luisão é, acima de tudo, um mau contributo para a imagem do grupo, mas só quem vive o dia a dia terá capacidade para testemunhar se este é ou não um caso preocupante (é importante saber se existia ou não um precedente entre os 2 jogadores). É que se este for apenas um descontrolo pontual é compreensível. Digo-o porque quem está com um ritmo cardíaco acelerado está muito mais vulnerável a “explosões” e esse é um facto que não pode ser ignorado. Questiono de resto até que ponto terá sido correcta a decisão de Camacho em substituir os 2 jogadores... É que se a troca de Katsouranis por Mantorras fazia sentido dentro do contexto dos interesses do Benfica no jogo, já a troca de Luisão por Edcarlos serviu apenas para “queimar” mais uma substituição. Se olharmos para a forma como o Benfica sofreu o golo do empate, fica fácil perceber o quanto teria sido útil o reforço do meio campo na fase terminal da partida...

- Sobre o confronto do Bessa quero, em primeiro lugar, deixar uma palavra sobre o Boavista. Como é hábito assistimos às análises “resultadistas” depois do jogo que fizeram do Boavista uma equipa que não foi no campo. A equipa de Pacheco respira mais confiança e isso é fundamental, mas voltou a mostrar-se uma equipa muito baixa em campo (mesmo quando ainda estava 0-0) e a partir dos vinte minutos foi completamente dominada pelo Sporting que esbanjou inúmeras oportunidades de golo. Sobre o Sporting, regresso 05/06 e às diferenças introduzidas por Paulo Bento quando substituiu Peseiro. O treinador apontou a concentração competitiva como factor fundamental e, embora nesse período o Sporting não praticasse um futebol vistoso, tornou-se eficaz cometendo muito poucos erros defensivos. Hoje o Sporting volta a ter dificuldade neste aspecto essencial, colocando em causa partidas em que até consegue claro ascendente sobre o adversário. Os lances de bola parada têm sido o espelho desta lacuna e, no Bessa, a equipa voltou a falhar ao nível da concentração. Nota ainda e, mais uma vez, para o desajuste das características de Purovic em relação à forma de jogar da equipa e para a gritante falta de qualidade que Ronny empresta ao flanco esquerdo da defesa, quer a atacar. Se há casos em que é evidente a necessidade de ir ao mercado este parece-me ser um deles.

ler tudo >>

10.10.07

Boavista: O preço de não questionar...

ver comentários...
Impensável! É o mínimo que se pode dizer da situação em que se encontra o Boavista no final da “era Loureiro” e apenas 6 anos depois de se ter sagrado campeão. O problema do penúltimo lugar na Liga não está na sua circunstancialidade mas sim na previsibilidade da situação face às dificuldades acumuladas, e o que mais custa perceber é como se chegou a esta situação após mais de uma década no topo.
O legado dos Loureiro deixa um estádio novo e um museu bem mais recheado no Bessa, mas a pergunta que deve ser feita é o que é que os Loureiro deixam para o futuro, na hora da saída? Na resposta à questão encontram-se os dois grandes falhanços de todo este tempo liderança... E que grandes falhanços! O primeiro – e na minha perspectiva, o mais importante, porque atinge o clube a médio/longo prazo – reside no facto de, apesar de todos os sucessivos sucessos desportivos, o Boavista chegar ao final de 2007 sem que a sua massa adepta tenha crescido significativamente. Este era um desafio difícil, tendo em conta a presença portista do outro lado da cidade, mas só uma gritante falta de visão pode explicar um não crescimento da massa adepta Boavisteira durante tanto tempo no topo. Este é um aspecto essencial, porque o que faz realmente a dimensão dos clubes (pelo menos no modelo Português) é o volume do seu apoio (afinal é por isso que os 3 “grandes” serão sempre “grandes” desportivamente). O segundo “pecado” é mais evidente e é aquele que afecta o actual momento desportivo: a situação financeira. O sucesso desportivo e as suas camadas jovens garantiram ao Boavista uma série impressionante de negócios aparentemente rentáveis, com vários jogadores a sairem quer para os 3 “grandes”, quer para o estrangeiro, não se percebendo bem qual a vantagem do clube com tantos estes negócio... Para além disso, o clube conseguiu algumas prestações bem relevantes na Liga dos Campeões (qualificando-se no seu grupo em 01-02). Se a presença na milionária prova pode fazer o boa parte do orçamento dos grandes numa temporada, o que dizer de uma equipa como o Boavista?

O grande problema do clube foi que durante todo este tempo os sucessos desportivos conseguidos tornaram intocável a gestão do Clube aos olhos dos sócios. O Boavista foi-se arrastando durante vários anos até ao ponto da “auto-chicotada” de João Loureiro que deixa nos sócios um problema difícil de resolver. O Boavista está agora a pagar o preço de não questionar!

Saídas significativas para os “grandes” ou para o estrangeiro desde 1990.

Guarda Redes
Ricardo (Sporting)
Costinha (Sporting)
Lemajic (Sporting)
Defesas
Perdro Barny (Sporting)
Rui Bento (Benfica e Sporting)
Litos (Malaga)
Mario Silva (Nantes)
Pedro Emanuel (FC Porto)
Quevedo (Sochaux)
Bosingwa (FC Porto)
Cadu (Cluj)

Médios
Nelo (Benfica)
Tavares (Benfica)
Sanchez (Benfica)
Delfim (Sporting)
Helder (PSG)
Petit (Benfica)
Raul Meireles (FC Porto)
Frechaut (Dinamo Moscovo)
Manuel Jose (Cluj)
Avançados
Isaias (Benfica)
João Pinto (Atl.Madrid e Benfica)
Nuno Gomes (Benfica)
Jimmy (Leeds)
Ayew (Sporting)
Silva (Sporting)
Moreira (Standard Liege)
Diogo Valente (FC Porto)
Paulo Jorge (Benfica)

ler tudo >>

3.2.07

A Arte do Desperdício!

ver comentários...
Não há nenhum manual para falhar golos e cada falhanço tem a sua história, é irrepetível! Será o "desperdício" uma arte? Certamente que não, mas que às vezes parece dificil, lá isso parece!
Entretanto aqui fica uma inevitável compilação... não confundam, o resumo do Benfica-Boavista está noutro 'Post'!

ler tudo >>

19.12.06

Braga - Boavista - Futebol, até que enfim!

ver comentários...
É raro mas de vez em quando ele aparece... O Futebol em todo o seu esplendor nos relvados portugueses! Depois de um longo bocejo no fim de semana, eis que surge o despertador futebolístico... Aos habituais casos, juntaram-se dois atributos que raramente combinam no nosso Futebol: qualidade e emoção!
O Braga chegou ao 2-0 através de Zé Carlos e um auto golo de Helder Rosário. Respondeu o Boavista por Zé Manel e Linz...


ler tudo >>

19.9.06

A "pós-rentré" dos 3 grandes

ver comentários...
Porto - A filosofia da transição
No Porto a introdução do 4x3x3 tem sido o rosto mais evidente de um bem mais vasto processo de adaptação a que a equipa tem sido sujeita. Jesualdo quer uma equipa mais consonante com a exigência dos grandes jogos e aposta na implementação da sua filosofia para atingir essa ambição. Os dragões têm apresentado uma formação mais equilibrada no momento da perda de bola e mais atenta às oportunidades oferecidas pelas descompensações posicionais adversárias. São, no entanto, ainda algumas as lacunas do jogo azul-e-branco: (1) a pressão pouco agressiva permite que os adversários tomem conta da bola durante períodos dilatados, conseguindo estes, por vezes, situações de finalização incómodas. (2) As acções ofensivas em ataque organizado não apresentam ainda uma grande eficácia colectiva. Neste último aspecto, Jesualdo Ferreira usufrui do grande talento individual existente na sua fase de criação como forma de contornar as dificuldades de entrosamento colectivo: A inteligência dos movimentos sem bola de Lucho Gonzalez, a irreverência precoce do talento de Anderson nos ¾ de campo e as incursões explosivas que Quaresma protagoniza a partir das alas têm sido as soluções mais evidentes.
Um Porto em velocidade de cruzeiro foi suficiente para um Estrela sem qualidade competitiva e uma Naval que, embora bem estruturada, foi demasiado inocente na forma como se lançou no ataque, tornando-se a presa ideal para os contra-ataques preconizados pelo “Professor”. A defesa do CSKA e aquele poste no Dragão constituem o único espinho da primeira fase da “Era Jesualdo”.

Lance Capital - De uma ponta à outra do campo
Se há um aspecto em que Jesualdo pode estar satisfeito é com a eficácia das transições. 4 dos 5 golos obtidos nos últimos 3 jogos resultaram da rápida e eficaz exploração da descompensação momentânea dos adversários. O mais interessante dos quais terá sido o que originou a abertura do marcador na Figueira:


- Mário Sérgio sobre a esquerda, precipitou-se no passe interior (1).
- Paulo Assunção, de primeira, serve (2) Lucho que com perspicácia deixa passar para Quaresma (3).
- Entretanto, percebendo o momento de transição Cech inicia a cavalgada pelo corredor esquerdo (4)
- O “cigano” faz uso da sua mais valia técnica para, ultrapassando um adversário directo, entrar em diagonal no espaço livre criado na zona central (5).
- Adriano em diagonal da esquerda para o centro disposiciona o central que estava a compensar a zona desocupada por Mário Sérgio (6).
- Cech aproveita o espaço criado para, após recepção do passe de Quaresma, abrir o activo (7).

Benfica - Os Reús e os responsáveis
Está difícil a vida para Fernando Santos. O Benfica tarda em ver-se livre dos sintomas diagnosticados na pré temporada, apresentando nesta altura duas evidências preocupantes: (1) Os princípios de jogo delineados por Fernando Santos – que assentam, entre outros, numa pressão alta que visa recuperações constantes no meio campo adversário – demoram a ser assimilados pela equipa. (2) A “cabeça quente” demonstrada pelos jogadores desde a pré-época é indiciadora de intranquilidade e desfocalização nos objectivos da equipa. Se a origem do segundo ponto dificilmente poderá ser identificada por quem está “de fora”, o primeiro dos problemas enunciados terá certamente origem na qualidade (ou melhor, na falta dela) do trabalho de campo. Fernando Santos é um homem do balneário que entende e se faz entender na linguagem dos jogadores. É, para além disso, alguém que tem visões próprias e definidas sobre o jogo e como deve ser jogado. Há, porém, um aspecto em que o perfil de Fernando Santos não é rico: o conhecimento profundo dos métodos de trabalho de campo. O “engenheiro” precisa, por isso, de uma complementaridade forte nesta área. Bruno – filho de Rodolfo – Moura foi o escolhido para essa tarefa (curiosamente o anterior predilecto de Santos era João Aroso, entretanto “resgatado” por Paulo Bento) e será ele quem divide com Fernando Santos a responsabilidade pela já assumida lentidão de assimilação dos processos.
O Benfica melhorou com o Nacional. O apoio dos sócios e a qualidade extra emprestada pelo futebol de Simão inspiraram os jogadores encarnados. Foram já visíveis várias recuperações no meio campo adversário e alguma da intensidade pretendida pelo “engenheiro”. Há, no entanto, vários aspectos que estão notoriamente por aperfeiçoar, sendo a tranquilidade da vitória o melhor dos cenários para o fazer...

Lance Capital - A traição de Nelson

No muito dissecado “descalabro” do Bessa não faltaram réus. Entre eles terá emergido Luisão, por muitos responsabilizado no segundo golo de Linz. A defesa de Luisão é aqui justamente feita com uma análise rigorosa ao lance:


- O canto do lado direito do ataque do Boavista é primeiramente afastado, mantendo-se a bola na posse do “xadrez”. A organização defensiva do Benfica sai da zona de área, antecipando-se o isolamento de Luisão (1), face à pouca concentração revelada por Nelson (2).
- Enquanto Grzelak trava o duelo com Leo no lado direito (para onde a bola rápidamente circulou), Luisão levanta o braço reclamando com Nelson que o deixou só entre Linz e Kazmirczak (3), enquanto Anderson está a ocupar a valiosa zona do primeiro poste.
- Entretanto, ninguém apoia Leo no duelo com Grzelak (4) que tem tempo e espaço para trabalhar sobre o lateral brasileiro.
- Aquando do cruzamento, percebe-se que a recuperação de Nelson (5) é demasiado tardia para que Luisão se possa aproximar de Linz e impedir o que haveria de suceder (6).

Sporting - De David a Golias em 3 dias
Pouco tempo depois de ter surpreendido o Inter, o Sporting provou do mesmo veneno ao ser batido por um clube bem mais modesto. Os alertas de Paulo Bento encontraram justificação nos acontecimentos desse Sábado à noite – o Paços era merecedor da maior das concentrações. Na realidade e analisando bem os acontecimentos, não se pode dizer que o Sporting tenha estado propriamente mal. Apesar de não ter entrado com a dinâmica e agressividade aconselháveis, o “Leão” foi sempre equilibrado, nunca permitindo que o Paços encontrasse situações de finalização em zona privilegiada. Reagiu (mais uma vez) bem à inferioridade no marcador, criou situações de golo suficientes para a reviravolta, mas não teve a felicidade necessária.
De facto, não encontro na essência da derrota motivos de acrescida preocupação para os sportinguistas. A equipa tem os seus princípios definidos e assimilados, tem dinâmica, agressividade e grande capacidade de concentração colectiva. Há ainda assim algumas limitações perceptíveis na formação de Paulo Bento: (1) A equipa tem entradas “moles” no jogo, demorando a impor os objectivos do seu futebol no jogo, foi assim nos 4 jogos oficiais jogados. (2) Liedson não parece fisicamente a 100% e tarda em “resolver” – a equipa ressente-se, sobretudo numa altura em que a composição do ataque se encontra ainda em definição.

Lance Capital - Sem mão na zona
O polémico lance do golo do Paços resulta do último de uma série de pontapés de canto que o clube da Capital do móvel conseguiu conquistar. Todos eles foram apontados da mesma forma, cortados ao primeiro poste e se os anteriores haviam sido resolvidos tranquilamente, aquele conseguiu passar o “obstáculo” do primeiro poste sobrando para uma zona morta e, por sinal, mortífera! O Sporting defende os cantos com 3 homens na “zona” – 2 no primeiro poste (um encostado e outro mais afastado) e outro à entrada da área – e os restantes na marcação 1x1. A zona do segundo poste é por isso deixada livre estando à mercê de situações como a que aconteceu no golo do Paços. Não pretendo provar que esta forma de defender os cantos é errada, apenas trazer para este espaço um tema actualmente muito discutido por muitos que defendem a colocação de um elemento na protecção exclusiva daquela zona (o Chelsea de Mourinho, por exemplo, aproveita muito esta situação – basta recordar o golo de Gallas no ano passado frente ao Liverpool).


- Nos momentos antecedentes ao canto é possivel ver os dois jogadores que marcam a zona do primeiro poste (1), a marcação individual iniciada à entrada da área (2) e tal zona desguarnecida, onde iria surgir o golo (3).
- O cruzamento parte e há um mau julgamento do jogador que marca a zona da pequena área (Miguel Veloso) que acaba por perder o lance que cai precisamente na sua área (4). Entretanto Polga, fora da zona da bola, tira os olhos de Ronny (5), que ganha posição.
- O pequeno desvio apanha Ronny solto na tal zona desocupada (6).

ler tudo >>

30.7.06

Época 06/07 - Os primeiros toques

ver comentários...
Para os adeptos é tempo de banhos, sol, sorrisos e sobretudo esperança! Para os que trabalham, o período é marcado pelo contraste entre o peso do fisico e a leveza da mente... uma leveza rara e atípica para os que têm na pressão um modo de vida. Para quem simplesmente anseia por futebol o tempo é de expectativa e de algum vazio proveniente da ausência de futebol propriamente dito. A formação dos planteis, as reportagens sobre os treinos e os ilusórios jogos de preparação podem pouco mais do que oferecer coordenadas dubias para o mapa futebolístico da temporada, mas... é tudo o que temos!

Nota: A análise feita às diferentes equipas tem por base informações sobre o trabalho das equipas que foram publicadas nos jornais desportivos.

FC PORTO
Na Holanda, mais do que os passeios de bicicleta e os já característicos episódios de disciplina à “moda de Co” – tudo em prol da concentração colectiva e disciplina de grupo – houve um estágio com muita bola e exercícios variados com um objectivo central: o desenvolvimento de um modelo que maximize a posse de bola. Para Adriaanse e o jogo do seu FCP houve e haverá duas palavras fundamentais – pressão e transição.

Sistema de jogo
Na época transacta os dragões começaram em 4x3x3, mas foi quando Adriaanse colocou em prática a sua defesa a 3 que, paradoxalmente, a equipa conseguiu defender melhor. Este ano tudo indica que teremos um Porto em 3x4x3 ou 3x3x4 em função do potencial do adversário, sendo que a limitação de recursos disponíveis para fomar uma dupla de atacantes pode condicionar a utilização do 3x3x4 (mais utilizado em 05/06).

Princípios de jogo
Adriaanse fala sempre em golos e espectáculo, o seu modelo responde com uma obsessão pelo domínio da bola, tentando recuperá-la o mais cedo possível através da pressão e da superioridade numérica na zona da bola. Com bola, os laterais e extremos oferecem largura e os avançados e médios (através de movimentos verticais) fornecem a profundidade que torna o “campo grande”. Tudo isto com circulação, preferencialmente pelos corredores.

SPORTING
João Aroso, o complemento fundamental da equipa técnica e do próprio Paulo Bento é o responsável pela preparação da equipa e pela assimilação da filosofia definida pelo líder. O método parece ter sido o treino integrado, utilizando preferencialmente a bola para conseguir os objectivos dos exercícios que podem ser físicos ou tácticos. De resto, o objectivo parece simples: projectar para 06/07 a filosofia implementada na segunda metade da época transacta.

Sistema de jogo
Sem complicações nem invenções, o modelo de jogo de Paulo Bento é para evoluir em 4x4x2, sem extremos, ou seja o popularizado “sistema do losango”.

Princípios de jogo
Paulo Bento tem uma visão simples e pragmática do jogo. O equilibrio e a concentração em 90 minutos são as premissas essenciais da sua equipa. Os mais simplistas dirão que joga para o “um-zerinho” e o facto é que a procura de momentos de transição que possam explorar os espaços e a preocupação sistemática com o equilíbrio da equipa oferece muitas vezes razão ao prognóstico. O objectivo é controlar em lugar de dominar, dando presença e pressão à zona intermédia e esperando pelo erro inevitável do adversário.


BENFICA
No Benfica a pré época tem sido tempo de mudança e apreensão. Mudança na equipa técnica, no modelo, no sistema e na referência... Simão (se é que vai sair...), um extremo que oferece momentos de rotura e velocidade por Rui Costa, um 10 que tem na racionalização do jogo e na qualidade de passe as suas características principais. A preocupação advém naturalmente das prestações no Guadiana e principalmente do jogo com o Sporting. Ainda vamos começar Agosto e se é verdade que o Benfica tinha mais tempo de preparação, o Sporting tem uma forma de jogar que transita da época passada e seria realmente surpreendente se o Benfica se tivesse superiorisado nesta altura. Se for bem acompanhado (na equipa técnica) e se tiver estabilidade, Santos, estou certo, imporá o seu modelo convenientemente, como fez em todos os clubes em que passou (excepto no Panathianaikos)

Sistema de jogo
Santos escolheu o 4x4x2 “losango”, preparou o trabalho e o plantel para essa escolha que teve sempre um pressuposto: a saída de Simão. Porém, no caso do imprevisto acontecer, o sistema, podem estar certos, vai mudar...

Princípios de jogo
Santos gosta de ter a bola, por isso os avançados defendem pressionando bem alto e é a partir das recuperações no meio-campo que as suas equipas procuram e conseguem desequilibrar. De resto a circulação faz-se procurando os espaços entre-linhas e aproveitando a dinâmica entre laterais, médios e avançados. Uma referência para as bolas paradas: já se viu que Luisão poderá ser a referência dos pontapés indirectos, aparecendo “tarde” em zona de finalização e num espaço que lhe é criado por um companheiro.

BRAGA
Carvalhal é novo e terá eventualmente mais tempo, mas a oportunidade que lhe foi concedida em Braga é pouco menos do que um “tudo ou nada” para o jovem professor. Um amante dos métodos que Mourinho também preconiza, Carvalhal preocupou-se, segundo os relatos de quem presenciou, principalmente com os aspectos ofensivos, sendo que a “porta fechada” foi também um dos hábitos dos treinos de inicio de época... Estará a ser escondida a fórmula para o declarado ataque aos três grandes? Uma coisa parece-me evidente: por muitos e bons recursos que possua será já um feito se Carvalhal estiver, na primeira época, à altura do seu antecessor!

Sistema de jogo
Tudo indica que teremos um 4x2x3x1 com extremos e com João Pinto como “pivot” do meio campo ofensivo.

Princípios de jogo
Não foram dadas muitas indicações nas recolhas jornalísticas feitas, apenas o apoio ofensivo dos laterais nas rotinas ofensivas e, previsivelmente, uma equipa que procura assumir o jogo com bola e com a busca da sua posse.



BOAVISTA
Ultrapassado o período traumático do divórcio com o Braga, o “Professor” passou ao tempo das lições... Com um discurso revelador do seu conhecimento e esclarecimento em torno das problemáticas que envolvem a sua profissão, Jesualdo tem sido o principal destaque – digo eu – de toda a pré época, tendo definido e sustentando claramente o que pretende para a sua equipa. Não terá facilidades até porque os recursos não serão os de outros tempos numa equipa em que o exigido é sempre muito, mas não tenham dúvidas da sua capacidade para desempenhar o cargo que lhe é proposto.

Sistema de jogo
Jesualdo simplifica: 4x3x3, à Braga - complemento eu.

Princípios de jogo
Também aqui as semelhanças com o Braga das últimas temporadas não é mera coincidência: O objectivo é “defender (colectivamente) antes de atacar”, fazendo uma ocupação racional e zonal dos espaços e dotando a equipa da inteligência necessária para perceber os momentos em que pode explorar os espaços concedidos pelo adversário, criando assim vantagem ofensiva.


LEIRIA
Domingos é o debutante surpresa da temporada. Com um discurso ambicioso – “objectivo UEFA” – e definindo a ambição de rotura com o Leiria dos contra-ataques para dar lugar ao Leiria do ataque continuado e da posse de bola, Domingos tem tido o papel mais fácil da sua tarefa que é exactamente aquele que antecede o inicio da competição. Não sou futurologista nem ponho em causa as capacidades do ex-goleador – até porque não as conheço- mas infelizmente não acredito muito em discursos de futebol de domínio constante, principalmente em equipas que não os “grandes”...

Sistema de jogo
O que se viu até agora foi um 4x4x2 com dois avançados nas alas, mas não há ainda certezas.

Princípios de jogo
A posse de bola e o domínio constante do jogo foram as declarações de princípio do jovem treinador, ficando igualmente claro o enfoque no ataque lateral. É ainda pouco...


OS OUTROS
De forma genérica, os relatos sobre a pré-época descrevem, numa primeira fase, intensas sessões de treino fisico, dando lugar aos ensaios tácticos que são por sua vez rapidamente substituídos por uma panóplia de jogos de preparação com índices baixos de competitividade...
Em Coimbra, o desafio parece não ser fácil para o bem sucedido Manuel Machado, que já exprimiu as suas preocupações com a pouca evolução demonstrada pela sua equipa sobretudo no que respeita à ocupação colectiva e eficaz dos espaços e à ligação entre os sectores.
Jardel é a palavra mais ouvida para os lados de Aveiro. No entanto, para já Inácio tem dado enfoque à posse de bola e... aos treinos físicos.
Os relatos de Setúbal ecoam uma preocupação essencialmente direccionada para a auto-vitimação, sobretudo no que respeita às limitações orçamentais a que o clube está sujeito para a composição do plantel – não é um bom pronuncio, mais uma vez...
Dos Barreiros vieram algumas das histórias mais curiosas deste período inicial. Primeiro com os banhos em água gelada para ajudar à recuperação e depois o discurso curioso do peculiar Ulisses Morais – o treinador definiu 3(!) modelos opcionais para o seu jogo (para jogar em função do adversário) e, quando instado sobre o que pretendia para o seu Marítimo, Morais não podia ser mais esclarecedor: “uma equipa consciente, sólida e segura, que revele boa capacidade defensiva e ofensiva, em suma, uma equipa completa...”.
Uma das frases mais enigmáticas do periodo foi proferida por José Mota após o jogo com a Académica , afirmando que os seus jogadores tinham tido “Problemas de raciocinio” durante a partida...
Finalmente, da Vila das Aves têm chegado relatos que, embora escassos, deixam perceber a humildade assumida pela equipa de Neca – a ausência de um autocarro para transportar a equipa será mesmo um sintoma preocupante de escassez de receitas de uma equipa que disputa o primeiro escalão de uma liga que pretende estar entre as melhores da Europa.


ler tudo >>

AddThis