30.7.09
14.11.07
Anderson - A rectificação de um erro de Casting?
Há muito que é comparado a Ronaldinho. Pelo talento, pelo penteado e pelo facto de ser mais um prodígio gaúcho do Grémio de Porto Alegre. Quem o viu jogar nas suas escassas aparições com a camisola do Porto, rapidamente se apercebeu das diferenças claras entre Anderson e Ronaldinho. Aliás, Anderson revelou-se diferente da maioria dos jovens talentosos que, pela sua técnica, enchem o olho de observadores e adeptos. É que o talento do miúdo não precisava de encontrar as zonas desafogadas do campo para aparecer no seu máximo explendor... Pelo contrário, com um físico invulgarmente desenvolvido, Anderson mostrava-se particularmente expedito a usar os confrontos característicos do centro do campo como arma para depois explodir em direcção à área contrária. O meio era, indiscutivelmente, o seu lugar. Apareceu o Manchester e levou o miúdo. No 4-5-1 de Ferguson, onde cabe o seu futebol? Em boa verdade e vendo bem, não se encaixa perfeitamente em lado nenhum... Isto porque Anderson não é (ou não era) um médio centro com funções de organização e balanceamento táctico. Por outro lado, todos sabemos que o jogador que alinha no espaço entre-linhas (ou atrás do ponta de lança) no esquema de Ferguson tem de ser, entre outras coisas, capaz de aparecer de trás a atacar a zona de finalização. Foi assim que actuaram McClair, Cantona, Scholes ou, agora, Tevez. Estão a ver Anderson desempenhar funções tão amarradas ao ponta de lança? Claro que não. É demasiado próximo da baliza para as suas explosões.
No primeiro jogo a titular, Ferguson lançou-o na frente, ao lado de Tevez. Anderson esteve irreconhecível na resposta ao equívoco do seu posicionamento. Constantemente amarrado a um central foi uma decepção. Estaríamos perante um erro de Casting de Alex Ferguson? Talvez, mas Anderson tem demasiado talento para que a história terminasse aqui e Ferguson também não é propriamente novato nestas coisas de lançar talentos. O jovem gaúcho joga agora no miolo numa função em que se lhe exigem maiores responsabilidades defensivas e posicionais. Anderson tem-se dado bem, com uma entrega fantástica, completada pelos seus dotes técnicos naturais. As explosões ficam para mais tarde e, se tudo correr bem, até pode dar um dos melhores e mais atípicos médios centro do mundo...
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6.6.07
Anderson, Sousa Tavares e a gestão da SAD Portista

Há muito que sigo o espaço “Nortada” no jornal “A Bola”, pelas opiniões de MST e, sobretudo, pelas reacções dos adeptos que as lêem. A verdade é que MST e as suas opiniões têm muitos seguidores entre os adeptos do Clube, servindo como uma espécie de “bússola” das suas opiniões, muito mais do que as declarações do próprio Presidente.
Pois bem, na sua intervenção de ontem, MST resolveu “partir o verniz”, entrando em ruptura declarada com a gestão da SAD portista. Tudo aconteceu, simplesmente, porque Anderson foi vendido. Num raciocinio profundamente influenciado pela paixão, MST traçou pintou a “transacção Anderson” como um negócio catastrófico, esquecendo-se, por exemplo, que o FC Porto actua no pouco reputado futebol português ou que o talento nem sequer jogou durante a maior parte de uma época em que o Porto foi Campeão e chegou aos oitavos de final da Champions.
Mas vamos à gestão da SAD e aos efeitos da venda de Anderson. A reacção de MST pode bem ter sido exagerada, mas tem fundamento. A gestão da SAD portista tem, de facto, sido demasiado má para ser sequer aceitável. A verdade é que esta é uma tendência de gestão que vem de há muito e só a gloriosa “era Mourinho” conseguiu adiar os seus efeitos inevitáveis (curiosamente, nesse tempo, a gestão da SAD portista foi apelidada de “Case Study” pelo mesmo MST). É que, como é sabido, o Porto encaixou muitos milhões, mas nunca chegou a enverdar pelo único caminho possível – o equilíbrio das contas correntes, nomeadamente dos custos com o pessoal.
Hoje a SAD azul-e-branca é uma empresa tecnicamente falida (tem capitais próprios negativos em vários milhões de euros) e continua a acumular prejuízos, quer líquidos, quer operacionais. Os custos com o pessoal continuam – inexplicavelmente – a aumentar e os investimentos em (muitos) jogadores questionáveis mantêm-se. A verdade, por tudo isto, é que a venda de Anderson apenas traz liquidez. O Porto continua a ter de reduzir a massa salarial e a ter de vender jogadores e, mais tarde ou mais cedo, esta situação vai ter consequências que, sinceramente, não consigo prever. Nisso MST tem toda a razão e é urgente que toda a nação portista se aperceba. Quanto à venda de Anderson, não tenho dúvidas que o Porto perdeu um talento mas ganhou um grande negócio – duvido que se consiga mais do que 30 M€ por um jogador que actua num futebol como o Português.
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31.5.07
Pára Tudo!
- 25 milhões de euros é muito dinheiro no futebol actual. Só a credibilidade de FC Porto (como clube prospector de talentos emergentes) e de Sporting (como clube formador de talentos) justificam tamanho investimento, principalmente tendo em conta a pobre reputação da liga portuguesa na Europa.
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11.5.07
Quaresma + Anderson: Quanto dá esta conta?
Domingo, o Porto joga em Paços de Ferreira, talvez, a última cartada decisiva do campeonato. Proibido, apenas perder, mas o campeonato até pode muito bem ser conquistado já neste fim de semana. O “factor título” absorve todas as atenções, mas neste fim de semana voltam a juntar-se aqueles que são, para mim, 2 dos 3 mais desequilibradores criativos do campeonato (o outro é Simão): Anderson e Quaresma. Os portistas (e os que gostam de bom futebol, em boa verdade), naturalmente, exultam com esta parelha, mas qual o verdadeiro efeito da junção de 2 jogadores tão influentes no mesmo capítulo do jogo?
À primeira vista e se o futebol fosse uma mera “soma das partes”, esta seria uma questão sem qualquer sentido, mas o desporto que nos apaixona é mais complexo, sobretudo por esse aspecto dificilmente quantificável: o colectivo.
Se o talento não deixa dúvidas quanto às vantagens da utilização, em simultâneo, dos dois jogadores, vamos aos riscos. Na minha perspectiva há duas fases distintas a ter em conta: com bola e sem bola.
- No primeiro caso, sou da opinião que qualquer equipa só pode ter sucesso se souber hierarquizar o seu jogo. Ou seja, o seu modelo de jogo tem de privilegiar uma mais valia individual em detrimento de outras que aparecerão, sim, mas em alternativa. Pego no caso do Brasil em 2006, onde a falta de movimentos em que todos trabalhavam para aproveitar a característica de um desequilibrador, provocou um futebol protagonizado por grandes individualidades mas sem referências comuns, tornando-se colectivamente previsível. No outro extremo está, por exemplo, o Barcelona de Rijkaard. A equipa privilegia e respeita Ronaldinho enquanto elemento chave do seu jogo, havendo depois (mas só depois) espaço para que os outros possam aparecer. O Porto tem tido poucos jogos com Quaresma e Anderson para ter esta questão adequadamente resolvida e, em Paços de Ferreira, a arte será a grande resposta para contornar o problema.
- Sem bola, o problema está na sua recuperação. Cruyff dizia que não adianta ter grandes jogadores se não se tem a bola e a questão aqui é mesmo essa. Ao contrário do que alguns têm dito, Quaresma não defende mais. Pelo contrário, com Jesualdo a estratégia passa por dar força às transições ofensivas, libertando o extremo de tarefas defensivas para depois lhe endossar a bola no espaço, quando a recupera (no Braga era Wender quem tinha esse privilégio). Anderson, por seu lado, é um jogador batalhador e que vence vários duelos. O que Anderson não tem (pelo menos ainda) é um grande sentido posicional sem bola. Esta especificidade tira ao Porto capacidade de recuperação no miolo. Jesualdo contará, neste aspecto, com a boa organização colectiva da sua equipa e com a boa reacção ao momento da perda de bola que conseguiu sistematizar.
Este seria um bom problema com que Jesualdo gostaria de se ter deparado ao longo da época. No entanto, em 37 jogos, o treinador apenas apresentou 8 vezes Anderson e Quaresma a titular (5 vitórias, 1 empate e 2 derrotas) e não terá sido um dos aspectos de principal emfoque. Para além de Paços de Ferreira e de 06/07, fica a questão se esta será uma parelha mais alguma vez vista num relvado de futebol?
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8.5.07
Porto - Nacional: Mais perto...
Jesualdo frisou-o no final e estou de acordo. O conjunto equipa-público correspondeu à melhor das expectativas, jogando bem e não se enervando com o tardar do golo. Às ausências de Quaresma e Bruno Alves, Jesualdo respondeu com Anderson e João Paulo, contando ainda com os regressos de Lisandro, Assunção e Fucile ao onze. O treinador teve ainda a inteligência de não prender o 10 à linha, adaptando-o a uma posição mais interior, em conformidade com as suas potencialidades.
Para além da normal organização colectiva, o Porto apresentou-se intenso na partida, denotando uma grande vontade de o ganhar. A dinâmica do conjunto foi boa, mas do jogo do Dragão sobressaíram sobretudo algumas individualidades, das quais destaco: Bosingwa, Fucile e – claro – Anderson.
- Fucile é uma adaptação que se afirma a cada jogo que passa. Rápido e com uma grande intensidade nas partidas, coloca toda a sua determinação em cada acção, do primeiro ao último minuto – vejam o segundo golo do jogo, Fucile recupera na intermediária e vai depois finalizar no coração da área.
- Finalmente, Anderson. O menino é um prodígio invulgar. O que mais me espanta em Anderson não é a sua técnica, mas a forma como, em tão tenra idade, se adapta jogar no espaço entre-linhas. É um jogador que apesar do virtuosismo se dá bem com o contacto dos adversários, sabendo tirar o melhor partido disso mesmo. Vejam o lance do primeiro golo, roda sobre Patacas (que procura o contacto) criando aí um desequilíbrio que vai depois aproveitar após um explosiva arrancada (outra das suas principais características).
Sobre o Nacional, dizer que defendeu como pode (mostra algumas lacunas defensivas que não são de agora) e valorizou a posse de bola como poucos no Dragão. Utilizou Patacas e Alonso para circular a toda a largura, mas pecou por ser pouco incisivo e pela opção estratégica de usar preferencialmente Diego José sobre a esquerda, onde actuava o “super-sónico” Bosingwa.
O Porto ganhou mais do que bem e o título... até pode acontecer mesmo em Paços de Ferreira!
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28.11.06
Anderson o "Golden Boy"?
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