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15.6.10

Diário de 'Soccer City' (#6)

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Ao quarto dia, mais 2 candidatos. Holanda e Itália, cada uma das equipas encontrou a sua própria forma de não entusiasmar. Dos holandeses, espera-se que criem ilusão a abrir mas duvida-se do que possam fazer na hora das decisões. Dos italianos, o contrário. Um arranque aos soluços, mas uma presença temível na fase decisiva. Para já ambos estão a cumprir com o papel que lhes parecia ser destinado, mas duvido que a candidatura de qualquer uma destas selecções tenha saído revista em alta, seja por quem for.

Sobre os holandeses, ninguém duvida da sua potencialidade criativa. Mesmo que neste jogo a dinâmica estivesse abaixo do esperado. Essa é a força da “laranja”. É curioso, porém, verificar como a escola holandesa, que não se cansa de produzir talentos ofensivos, falha em conseguir o mesmo patamar para a metade traseira da sua equipa. A verdade é que o comportamento defensivo dos defesas holandeses não é o melhor. Frequentemente arriscam demais ou têm abordagens erradas. Isso verifica-se a todos os níveis e o jogo frente à Dinamarca acabou por dar alguns exemplos, ainda que escassos, disso mesmo. E é aí que reside o problema desta equipa.

O grupo é tão fácil que só uma Itália muito fraca ficará pelo caminho. Certo. Do que se viu, porém, fica ideia que para chegar a algum lugar perto da final de 2006, a Itália terá de evoluir muito. Frente a um Paraguai que foi um digno opositor durante um bom período de tempo, os “azzurri” mostraram-se incapazes de praticar um futebol fluído e dominador. Pareceram apenas aptos a aproveitar os momentos em que lhes foi permitido verticalizar o jogo. Quando lhes foi criado problemas de pressing, quando foi preciso mostrar qualidade para evitar a perda e empurrar o Paraguai sistematicamente para trás, aí, a Itália já não foi capaz de responder. Acabou por se ver forçada a dividir o jogo e a entrar num jogo mais físico. Pode ser que Pirlo seja a chave para uma boa parte do problema, mas... será suficiente?



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14.6.10

Diário de 'Soccer City' (#5)

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E ao terceiro dia, qualidade. Não qualidade individual, porque essa já tivéramos em vários momentos do Mundial. Qualidade colectiva. A Alemanha aproveitou a estreia para marcar terreno, para dizer que embora não seja a potência de outros tempos e embora não tenha a qualidade individual de alguns, está em África para defender a sua História. Não foi só a primeira goleada da prova, foi também a primeira exibição verdadeiramente consistente e digna de um sério candidato.

Não há muito de errado no que fez a Austrália se tivermos em conta o que já foi visto nesta prova. Não pressionou alto, é certo, mas definiu uma zona densa com o adiantamento da linha defensiva e reduziu muitíssimo os espaços entre linhas. O pior, claro, foi o comportamento da linha defensiva no controlo do espaço que havia nas costas. Mais um exemplo de quão importante pode ser a movimentação colectiva da linha mais recuada.

A verdade, porém, é que há mais mérito germânico do que demérito dos “Aussies”. Uma equipa organizada, paciente em posse, sempre procurando o momento e a movimentação certa para penetrar. Depois – e isto é importante – esteve também preparada para pressionar no momento da perda de bola, impedindo a Austrália de sair em transição e encurralando o jogo no meio campo contrário. Tudo coisas boas. Para futuro, porém, fica a reserva do uso de apenas 2 médios na zona central. Será difícil controlar o espaço entre linhas e manter pleno controlo do corredor central com apenas 2 jogadores. Uma opção de longo prazo, mas que, com algumas fragilidades individuais, será o calcanhar de Aquiles da equipa.

Individualmente, há 2 notas que não podem ser evitadas. Primeiro Ozil, para mim o melhor em campo. Fantástica exibição a jogar como falso avançado. Grande capacidade de movimentação, quer na profundidade, quer entre linhas e óptima qualidade, quer na execução quer na decisão. Aos 21 anos, podemos estar perante a grande revelação do Mundial. Depois Schweinsteiger. Ainda é jovem mas durante algum tempo pareceu perdido no que respeita ao seu papel no campo. O facto é que Schweinsteiger tem tudo para ser um jogador de construção, um médio que executa bem e seguro e que tem capacidade para crescer na leitura do jogo. É aí que se tem afirmado e é aí que poderá rapidamente tornar-se no sucessor de Ballack como líder da “Mannschaft”.

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12.6.10

Diário de 'Soccer City' (#4)

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Argentina e Nigéria têm origens distintas, mas é fácil prever que em qualquer dos casos será sempre a emoção a prevalecer sobre a razão. No caso ‘albiceleste’, a presença de Maradona só podia agudizar a tendência, mas havia a incerteza de qual seria, realmente, o produto do choque de mentalidades que se dava do lado nigeriano. Ora, se Lagerback foi “importado” com a missão de suavizar o efeito emotivo no futebol das “águias”, então bem se pode dizer que esteve longe de produzir os efeitos desejados. Tudo somado, tivemos um todo bem menor do que a soma das partes. Isto é, um golo foi pouco para tanto desequilíbrio.

Maradona pensou como era previsível: como um adepto. Quatro defesas e um médio defensivo não foram mais do que um requisito mínimo, porque os olhos estão colocados na ilusão de uma chuva de talentos criativos. De preferência com liberdade máxima, mesmo que isso implique uma irresponsável perda de equilíbrios tácticos.

O “ex-pibe” vestiu-se para a comunhão e a verdade é que a sua estratégia foi a que mais frutos colheu. Primeiro, claro, pelos efeitos do talento que tinha ao seu dispor. Depois, porque do outro lado o “efeito-Lagerback” pouco ou nada beneficiou os nigerianos.

Defender bem. A via do sucesso nigeriano teria de passar sobretudo por aí. Óbvio. Mas defender bem não é defender muito, nem se resume àquilo que as equipas fazem sem bola. Defender bem começa, precisamente, quando se tem a bola nos pés, na qualidade com que se decide cada passe e, sobretudo, na importância que é dada à segurança no processo de decisão. Mais do que erros tácticos, a Nigéria falhou porque não soube ser segura com a bola nos próprios pés. Decidiu irresponsavelmente e permitiu que os argentinos tivessem inúmeras transições. Proibitivo para qualquer estratégia.

Mas há mais. Lagerback resolveu adoptar o 4-4-2 clássico, com apenas 3 linhas defensivas. Ora, será difícil pensar em pior opção quando se quer parar alguém que tem como estratégia principal fazer aparecer Messi e Tevez entre linhas. Um desastre anunciado e que apenas foi disfarçado pelo festival de golos perdidos.

A Argentina, por seu lado, certamente sorrirá com a estreia. Messi esteve fantástico, e se o 1-0 é curto, tantas oportunidades perdidas servirão de consolo suficiente, quer para a critica, quer para a própria equipa técnica. A verdade é que vejo com muita improbabilidade o sucesso deste modelo argentino. Será difícil que encontre tantas facilidades para atacar e, por consequência, que não acabe por pagar, também, o preço dos riscos que assume. Coreia do Sul e Grécia serão já testes interessantes.



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Diário de 'Soccer City' (#3)

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Desilusão anunciada. No caso da França nem é preciso explicar porquê. Aliás, tão baixo desceram as expectativas em relação aos gauleses que quase se chegou ao exagero de desvalorizar o seu favoritismo. Um exagero, de facto. Não porque Domenech não o merecesse, mas porque do outro lado mora também outra desilusão anunciada. Não apenas o Uruguai, mas a generalidade dos conjuntos Sul Americanos, que julgo terem boas condições para deixar muito boa gente desiludida.

O Atlântico separa os dois Continentes, mas há bem mais do que um Oceano entre o nível táctico dos Sul Americanos e aquele que se pratica na Europa. Tabarez deu o mote com o disparate dos 3 centrais. Perdeu presença numérica no centro e nem sequer se deu ao trabalho de juntar linhas para aproximar a equipa. Não só tornou impossível criar problemas no pressing como ainda contraiu, ela própria, uma incapacidade gritante para fazer sair o primeiro passe. De repente, o trapalhão Domenech parecia um sábio da táctica.

E era tão fácil à França ter feito melhor! Sem apoios para a saída de bola, e com 3 jogadores na mesma linha recuada, o destino da posse uruguaia tinha de ser pela ala, pelo lateral. Era posicionar, pressionar e recuperar. Depois, com bola e sempre mais um apoio na zona central, bastava abrir no extremo, puxar o médio uruguaio para a ala e de novo procurar o interior, abandonado por uma presença excessiva de defensores na zona mais recuada. A França nunca o percebeu e foi aqui que começou a perder as suas hipóteses de vencer. Jogada após jogada, forçou a entrada pelas alas, onde facilmente os uruguaios garantiam boa presença com a ajuda do central mais próximo. Nunca quis, nem soube ver onde estava o “ouro” do jogo e por isso acabou com o justo prejuizo do nulo.

No meio disto tudo, há que realçar uma exibição: Forlan. Se o Uruguai sentiu dificuldades em jogar, só não mais as sentiu por causa do seu Diego. Veio atrás, buscou jogo e criou soluções de passe onde elas nunca existiriam por si só. Forlan foi a excepção de um jogo onde abundava potencial para muito mais.

E assim será, entre o talento individual e a mediocridade táctica se definirá o destino da generalidade dos sul americanos no Mundial 2010.



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10.6.10

Diário de 'Soccer City' (#2)

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Expectativas. A sensação de êxtase ou frustração que os adeptos sentem no final das competições são consequência dos resultados. Óbvio. No entanto, este é também um jogo a dois, e o sentimento final só fica definido pela natureza do outro elemento, a expectativa inicial, e do que resulta do choque entre esta e o desfecho final. Tudo isto se joga neste momento um pouco por todas as nações presentes na África do Sul, mas em nenhuma o fenómeno “expectativa” parece ter tanto interesse como em Espanha.

Enquanto estava a ver a ‘Seleccion’ a passar a ferro a Polónia e a aniquilar a úlitma réstia de dúvida sobre a sua superioridade qualitativa às portas do Mundial, questionava-me também sobre a utilidade do que se gera por trás de tanto e tão bom futebol. Não do optimismo, e muito menos da importantíssima confiança. Refiro-me antes a alguma sobranceria que inevitavelmente cairá em cima disso tudo. E digo “inevitavelmente”, porque é sempre assim. Porque o exagero toma sempre o seu lugar nesta equação. Um exagero que começa nos adeptos mas que quase sempre se transmite também para os jogadores, ainda que nuns casos mais e noutros menos.

Um bom exemplo, talvez mesmo o melhor de todos, seja o do Brasil em 1982. A reputação de um futebol divino não se construiu na própria competição. Aliás, nem haveria tempo para tal. O que aconteceu foi que em Maio de 1981 o Brasil fez uma digressão europeia e no espaço de 1 semana venceu Inglaterra, França e Alemanha, sempre em território alheio. Em Espanha, o mundo apenas confirmou a ideia que já tinha e rejubilou com uma equipa que acabou vitima de um misto de má fortuna e desleixo. Ser-se o “melhor” é naturalmente um bom sinal, mas ceder ao conforto desse estatuto pode também ser o mais perigoso dos pecados.

Uma coisa é certa, porém: o que se joga no Mundial é um título de “Campeão”, porque para distinguir o “Melhor” nem era preciso jogar.
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9.6.10

Diário de 'Soccer City' (#1)

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Com o Mundial prestes a começar, é tempo de definir como será o funcionamento do blogue nas próximas semanas. Motivos profissionais deverão condicionar a minha capacidade de oferecer o mesmo tipo de conteúdos que normalmente acompanham as análises e, por isso, apenas partilharei opiniões regulares – praticamente diárias – sobre a competição, que obviamente acompanharei com grande atenção. Assim deverá ser até às meias finais. Mas vamos às primeiras opiniões...

Nani não: 4-4-2... nem assim!
As capas que fez depois do jogo com os Camarões explicam, embora com exagero, a importância que poderia ter para os desequilíbrios. Portugal, o país dos extremos, vê-se agora reduzido a um único jogador que parece preferir o 4-3-3: Simão. Ainda por cima, Simão!

Não que pense que o sistema seja, em si mesmo, um factor que possa condicionar em absoluto a qualidade, mas porque a Selecção já mais do que provou a sua incapacidade para criar dinâmicas que a façam realmente forte dentro do sistema.

Ronaldo explodiu em Manchester e manteve-se espectacular em Madrid. Entretanto, na Selecção, continua incapaz de repetir o mesmo rendimento. Juntando todos estes dados, eu diria que algo deveria ser feito. Algo para mais do que invocar sucessivas justificações de circunstância ou, pior ainda, culpar o jogador.

Podia também falar de Liedson e da forma como este agradeceria jogar com mais alguém na frente, mas o outro motivo que me faz acreditar que a simples mudança de sistema implicaria, por si só, um salto qualitativo no jogo luso tem a ver com a proximidade entre os jogadores no meio. Com laterais como Coentrão, Duda, Miguel ou, agora, Amorim, o meio campo não precisa de se alargar para ter qualidade no apoio lateral. A forma de Deco, os movimentos de Meireles ou a classe de Tiago seriam altamente beneficiadas pela presença de um maior número de apoios. Portugal seria mais forte com bola e poderia estar igualmente bem preparada para a reacção à perda.

Foi assim que tivemos os melhores 45 minutos da “era Queiroz”, na Dinamarca, e é por tudo isto que lamento o esquecimento do 4-4-2, meses depois do seleccionador ter repetidamente anunciado a sua descoberta.
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11.5.10

As escolhas de Queiroz e... as minhas!

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Queiroz escolheu e agora cada um de nós pode discordar das suas opções. Também não vou prescindir desse "gozo", mas antes quero reforçar que o mais essencial está por fazer: as tais 3 semanas. É na qualidade desse trabalho que se definirão as possibilidades de Portugal em chegar ao título. Muito mais aí, e muito pouco (mesmo muito pouco!) nas dúvidas e discordâncias que possam existir nesta lista.

Antes de deixar a “minha lista”, quero enquadra-la. Ela está pensada para um modelo em 4-4-2 losango, com 2 laterais agressivos e capazes de dar profundidade, com 1 “pivot” posicional e forte no jogo aéreo, com um meio campo criativo e um ataque móvel. É essa estrutura que julgo ser a ideal para Portugal, dentro das características dos seus jogadores. Uma equipa alta e pressionante, que tenha na bola uma ambição.


Porque penso que qualquer Selecção deve partir de um onze, parto (ou partiria) deste:  
Eduardo; Miguel, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Coentrão; Pepe, Tiago, Nani, Deco; Ronaldo, Liedson.


Por fim, dizer que quando penso num motivo válido para Portugal não se encarar como um candidato ao título, encontro... nada!

A "minha" lista:
Guarda Redes: Eduardo, Quim, Patrício
Defesas: Miguel, João Pereira, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Carriço, Coentrão, Duda.
Médios: Pepe, Meira, Moutinho, Meireles, Tiago, Veloso, Deco, Nani, Simão
Avançados: Ronaldo, Liedson, Hugo Almeida, Danny

Guarda redes: Não é muito relevante, mas é algo difícil de perceber a opção por Daniel Fernandes. Tem 26 anos e jogou emprestado no Iraklis desde Janeiro. Talvez o seleccionador tenha uma boa explicação, mas eu não a consigo imaginar.

Laterais direitos: Sem dúvida, levaria João Pereira em vez de Paulo Ferreira. Primeiro pelo perfil que idealizo para esta posição, que o lateral do Chelsea não preenche. Depois porque não tenho dúvidas de que João Pereira tem mais qualidade em termos globais. Espero que Miguel não volte a ter problemas físicos. Lembro-me sempre da final do Euro...

Laterais esquerdos: Levaria os mesmos que Queiroz levou. Mas tenho dúvidas que eles venham a cumprir o que Queiroz quer deles. Particularmente Coentrão. Se não lhe der ordens para defender alto e pressionar ao longo do corredor, se lhe pedir que fique preso aos centrais... Coentrão poderá ter muitos problemas. As dúvidas são tão claras que o próprio Queiroz levou um outro lateral esquerdo: Ricardo Costa. E vamos ver se não é ele quem vai jogar...

Centrais: Não há grande importância nas opções porque é indiscutível quem deve jogar e a qualidade das opções que haveria para levar como alternativa é bastante próxima. Já agora, parece-me óbvio que Zé Castro será o preterido se Pepe estiver em condições.

Médios defensivos: Porque não levaria Pedro Mendes? Porque no modelo que estou a idealizar neste exercício é preciso um “pivot” forte em termos aéreos. Pepe é a opção óbvia e a única alternativa dentro do mesmo perfil é Meira. Se não for para ser primeira opção, não me parece útil a presença de Pedro Mendes que é menos polivalente e fiável fisicamente do que Amorim e Moutinho, por exemplo.

Médios ofensivos: A principal critica que tenho a fazer é não levar Moutinho. Parece-me um jogador de enorme fiabilidade e polivalência que, para ser uma alternativa, mereceria mais confiança do que Veloso ou mesmo Meireles (que termina a época em muito mau momento). Dentro do modelo que estou a idealizar, seria uma alternativa útil para qualquer uma das 4 posições do meio campo. De resto, não me parece que haja muitas dúvidas.

Avançados: Apenas uma referência para Danny, que me parece ter sido uma opção importante de Queiroz. A sua polivalência e qualidade poderão fazer dele um joker importante para o Mundial.



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4.3.10

Porque há um seleccionador em cada um de nós...

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Diz-se, e com algum sentido, que há um seleccionador em cada um de nós. Pois bem, aproveito o ‘timing’ para dar, também, liberdade à minha costela de seleccionador, reforçando a ideia de uma impossibilidade de concorrência entre os pensamentos de cada um dos adeptos e os actos de quem realmente tem a responsabilidade de decidir. No meio de tudo isto, no entanto, mais importante do que a filosofia base é a forma como ela é aplicada, e é isso que mais se exige a Queiroz.

Sistema: 4-4-2
Queiroz parece dividido, provavelmente apostado em trabalhar 2 sistemas, mas creio que, pelas indicações recolhidas, irá manter a preferência pelo 4-3-3. Pessoalmente, acredito que ser-lhe-ia mais fácil atingir patamares de qualidade mais elevada no 4-4-2. Não é por aí, no entanto. Queiroz pode conseguir qualidade em qualquer estrutura, desde que a trabalhe bem. Sobre a alternância de sistemas, sou também pouco crente no sucesso da aposta. Já nutro algum cepticismo por esta via ao nível de clubes, e, no que respeita a Selecções, adquirir competência num só modelo já parece difícil, em 2 parece-me pouco menos do que impossível...

Laterais: profundidade
O modelo de Queiroz poderá ter sucesso com qualquer tipologia de laterais. Claro. No entanto, na minha interpretação, torna-se mais fácil e lógico se estes tiverem capacidade de dar profundidade ao flanco Isto, sobretudo, se tivermos em conta o tipo de médio defensivo que Queiroz vem preconizando. Isto é, de carácter mais posicional e com fortes limitações tácticas. Para mim, claramente, à esquerda levaria Coentrão e Duda e, à direita, juntaria a Bosingwa alguém de características idênticas. Lembro-me do que aconteceu no Portugal-Suécia ou, um pouco mais atrás, na final do Euro2004, quando laterais ofensivos se lesionaram e Portugal perdeu, a partir daí, grande capacidade ofensiva. Não foi por acaso. O principal candidato é Miguel, mas a sua evolução tem sido tão decepcionante que me parece mais segura a opção por João Pereira. Paulo Ferreira, para mim, seria carta fora do baralho, mesmo contabilizando toda a experiência e polivalência que garante.

Extremos: Ronaldo, Simão, Nani e Danny... só!

Como já disse, orientar-me-ia para o 4-4-2. Ainda assim, obviamente, haveria lugar para desequilibradores que, habitualmente, jogam como extremos num 4-3-3. Daqueles que habitualmente são chamados, optaria por Ronaldo, Simão, Nani e, eventualmente, Danny. O primeiro para jogar na frente, os 2 segundos para a posição de ala interior e Danny, caso recupere o nível de há 1 ano, como solução útil para várias funções. Aliás, a polivalência creio que deve ser um dos aspectos a ter em conta na formação das escolhas e, aqui, Coentrão também encaixaria como uma dupla solução.

Ataque: Aposta em... Liedson
Queiroz dá ideia de estar a hesitar entre Hugo Almeida e Liedson, talvez pesando na escolha o sistema em que jogar. Pessoalmente, e como já aqui várias vezes referi, vejo em Liedson um jogador especialmente forte nos grandes momentos e creio que deveria, muito por esta razão, merecer uma aposta forte de Queiroz para o Mundial. Aliás, quando idealizo um modelo para a selecção não evito recuperar aquilo que Portugal fez na Dinamarca, ainda que com Liedson apenas na segunda parte. Um ataque móvel, com Liedson e Ronaldo na frente de um meio campo criativo e com os jogadores próximos entre si, é a ideia que me parece fazer mais sentido. Como alternativa, Hugo Almeida, claro, mas também Nuno Gomes que, aliás, me parece até melhor solução do que o próprio Hugo Almeida, embora isso possa depender muito do momento de ambos quando Junho chegar.



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4.12.09

"Quente e frio" para o sorteio (digo eu...)

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Do pior para o melhor, por pote:

Pote1: Espanha, Brasil, Inglaterra, Itália, Alemanha, Holanda, Argentina, África do Sul
Pote2: México, EUA, Austrália, Coreia do Sul, Japão, Honduras, Coreia do Norte, Nova Zelândia
Pote3: Costa do Marfim, Camarões, Uruguai, Paraguai, Chile, Argélia, Gana, Nigéria

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20.11.09

As 3 semanas de Queiroz: eu acredito!

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Não tinha o perfil que entendia ser mais adequado, tal como referi na altura, mas não me impede de sentir alguma desilusão com o primeiro ano da “era Queiroz”. Não pelas dificuldades que sentiu no apuramento, mas porque esperava que Queiroz conseguisse o que Scolari nunca conseguiu, ou seja, fazer evoluir o modelo de jogo nacional. E a verdade é que isso, em qualidade, não aconteceu. Queiroz invocou-o e por ter alguma legitimidade no argumento, julgo ser-lhe devida uma última oportunidade. Um benefício, que conquistou com o triunfo da “operação Bósnia”. Não, não tem a ver com os resultados. Tem, isso sim, a ver com o tempo de treino que Queiroz não teve de forma contínua, mas que agora terá, às portas do Inverno africano. 3 semanas.

O futebol é um jogo colectivo e, como tal, precisa sobretudo de um enfoque colectivo. As individualidades são sempre uma questão secundária em relação ao colectivo. Foi assim que, por exemplo, Scolari, conseguiu a superação de um todo, mesmo sem levar, em absoluto, aqueles que eram individualmente melhores. O problema, repito a ideia, é que o brasileiro se ficou sempre pela vertente psicológica do trabalho colectivo e nunca conseguiu nada em termos tácticos.

A focalização de Queiroz foi, desde o inicio, outra. Por isso criticou tantas vezes o facto de haver poucos jogadores com experiência na Selecção, e por isso também, se concentrou sobretudo em encontrar novas soluções individuais. Individuais. Não espanta que as coisas colectivamente tenham sido difíceis...

Mas algumas coisas foram mudando. Talvez tenha sido do choque dos resultados, agravado pelo traumatismo provocado pela goleada no Brasil, talvez tenha sido apenas pela natural estabilização das suas próprias ideias. A verdade é que a famosa frase de Queiroz sobre quem iria com ele para a selva, teve efeitos práticos. Escolheu os seus homens de confiança, colocou-os sempre em campo e, tal como Scolari, tirou proveitos a prazo. Pelo meio tivemos uma proveitosa experiência pelo 4-4-2, protagonizando a melhor exibição portuguesa da sua era, em terras dinamarquesas. Um momento curto e que espero possa ser apenas o aperitivo para Junho.

Fico, pois, à espera do produto das tais 3 semanas que Queiroz tanto reclama, na ilusão de que delas resulte um candidato ao título mundial. E eu acredito que é possível.
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19.11.09

Bósnia - Portugal: O saber, a arte maior

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Houve um tempo em que os confrontos decisivos eram, para Portugal, sinal de lição adversária. Tantos e tantos foram os jogos que ditaram essa regra que ainda hoje se recordam as excepções como momentos épicos do nosso futebol. Esse tempo é, agora, apenas passado. Portugal fez na Bósnia uma demonstração de maturidade e deu aos bósnios o mesmo veneno que provara durante décadas a fio. De nada lhes valeu a determinação, a agressividade e algum talento. O saber foi a arte maior.

Não se pode falar de “bom jogo” de alguém, numa partida com estas características. Foi, aliás, um péssimo jogo do ponto de vista técnico, sendo apenas salvo pela intensidade a que se disputou. Mas pode-se falar, da parte de Portugal, de um jogo sério e de grande lucidez. Esse foi o grande mérito de Portugal, a lucidez. Nunca arriscou a perda em zonas recuadas, nunca permitiu que a Bósnia jogasse em transição e, por outro lado, nunca facilitou o jogo directo adversário, que raramente protagonizou jogadas com alguma probabilidade de sucesso. E, assim, tudo ficou mais fácil.

Foi o final justo para uma qualificação sofrida. Justo, porque apesar das insuficiências verificadas em vários momentos, Portugal provou ser uma Selecção bem mais forte do que qualquer outra que defrontou. Sofrida, não só porque se alongou até tão tarde, mas pelos problemas que o seu futebol foi revelando em atingir o potencial que dele se espera. Algo que terá de ser melhorado até Junho, mas que agora passa para segundo plano. Para já, é tempo de respirar fundo...
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18.11.09

Que não nos falhem!

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Entre os inúmeros e variados cânticos das claques argentinas, há uma frase que sintetiza, afinal, aquilo que se pede desde as bancadas para o relvado. “No le falles a tu hinchada”. E esse é precisamente o pedido que se ajusta a este momento decisivo da Selecção. Que possamos estar também representados no mais importante evento futebolístico mundial, que façam também parte dessa História, que não nos cortem raso o sonho de ouvir repetidamente o hino pelos estádios da África do Sul. Que não nos falhem!

Se havia dúvidas sobre o que se vai passar na Bósnia, elas estão dissipadas. E, se calhar, foi melhor assim. Evita a surpresa no dia do jogo. Se nos tivessem passado a mão pelo pêlo e depois nos confrontassem com um inferno na hora da verdade, aí, talvez se pudesse falar em surpresa. Assim, todos têm de estar preparados.

Mas, para além da determinação, da agressividade ao limite, que estratégia podemos esperar por parte destes bósnios enraivecidos? Na minha opinião, será um engano pensar que se atirarão para cima de Portugal desde apito inicial. Tacticamente, isto é. Não faz sentido para a tipologia de jogo da Bósnia, adiantar linhas e tentar empurrar Portugal para o seu meio terreno. Não têm qualidade global para isso e, por outro lado, qualquer erro poderá ser-lhes fatal. Talvez tenhamos uma agressividade orientada para um zona pressing média-baixa e densa, para onde tentam atrair Portugal para, depois, recuperar e lançar rapidamente as suas transições, tirando partido do espaço e das características dos seus dianteiros. Quando tal não for possível, quando tiverem de organizar, não tenham dúvidas, virá “chuveiro”, directamente para o jogo aéreo dos 2 atacantes. Esta deverá ser a estratégia inicial de Blazevic, que terá nas dimensões reduzidas do campo e no estado do relvado, aliados de relevo.

Aqui ficam alguns pontos estrategicamente importantes para o jogo:
- A intensidade terá de ser outra, bem maior do que aconteceu na Luz. Isso é ponto assente.
- Evitar a todo custo que a Bósnia tenha condições para jogar em transição. Segurança em posse e equilíbrio táctico com bola serão as receitas para que este propósito seja bem sucedido.
- Em organização defensiva, contrariar o jogo directo adversário. Manter linhas compactas (particularmente o espaço entre centrais e médios) será fundamental para a controlar as segundas bolas e o pressing deve funcionar de forma a que o jogador que fizer o lançamento o faça sempre nas piores condições possíveis e o mais atrás possível.
- Se os pontos anteriores forem cumpridos, dificilmente algo correrá mal (há ainda o pesadelo das bolas paradas). Faltará a estocada final e aqui o “pressing” pode ser fundamental. O relvado será mau para os 2, mas pior para quem, mesmo quando ele é bom, tem dificuldades. Identificar momentos de pressão na construção bósnia poderá resultar em recuperações altamente perigosas e possivelmente fatais. Se tudo correr bem, o tempo transformará o entusiasmo em ansiedade e se Portugal não baixar a sua intensidade no jogo (com e sem bola, entenda-se), dificilmente não tirará proveito dessa situação.
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16.11.09

Portugal - Bósnia: Bom resultado, mau pronúncio...

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Começo pelo mais importante, o resultado. É para cima de bom. Para se ser eliminado depois de um 1-0 na primeira mão, eu diria, é quase preciso perder 2 vezes no mesmo jogo. Esta foi a melhor parte, porque se o resultado é em teoria bom, podia e devia ter sido muito melhor. Por culpa própria, e de uma intensidade baixíssima no seu jogo, Portugal perdeu a oportunidade de penalizar uma equipa globalmente fraca e que tem apenas 3 unidades que podem decidir. Isto, se a bola lhes chegar. Não foi isso que aconteceu e o que se viu abre mesmo margem para que na Bósnia se acredite que é possível fazer Portugal perder as tais 2 vezes que precisa para ficar de fora. É que, podem ter a certeza, a intensidade deles vai ser completamente diferente.

O jogo não começou brilhante, marcado por uma posse de bola com dificuldades para encontrar espaços, demasiado desligada e com poucas movimentações que libertassem os 3 da frente. Houve excepções, é certo. Alguns momentos de qualidade que resultaram da virtude técnica dos nossos jogadores, com Deco e Nani em evidência.

Mas não foi a posse e organização ofensiva o principal problema da Selecção.
Repetidamente a Bósnia saiu a jogar a partir de trás. Lentamente, de pé para pé, até chegar ao meio campo, antes de utilizar o pontapé longo para os 2 avançados. É, na minha óptica, inaceitável que uma equipa como Portugal tenha feito um jogo tão pouco intenso em termos de pressing, com destaque, sobretudo, para a linha média e para os 4 jogadores entre Liedson e Pepe. Se tivesse havido maior ligação e agressividade do pressing, é quase certo que os bósnios teriam sentido muitas dificuldades em sair a jogar, teriam perdido muito mais bolas e em zona perigosa. Não foi assim, a Bósnia tirou sempre partido disso para fazer passar os minutos antes de, na fase final, dar um ar do que será a segunda mão. Apenas um ar, porque a sua atitude será seguramente muito mais intensa e, sendo-o, Portugal terá enormes se não alterar a sua postura.

Um dos reflexos do que é o jogo de Portugal é o que aconteceu com Pepe. Foi dos jogadores mais importantes no jogo, mas correu demais. Ou melhor, deveria ter corrido demais, se Portugal tivesse um meio campo com a ordem que devia. O papel de Pepe pode ser importante e uma adaptação feliz de Queiroz, mas só faz sentido se a sua missão for de apoio e equilíbrio e não com a liberdade que assume, não cumprindo muitas vezes os propósitos tácticos da sua posição. O que se passa é que, sem bola, o restante meio campo trabalha tão pouco que as correrias de Pepe se tornam úteis, mesmo desguarnecendo a posição que devia cobrir. E, com bola, a movimentação dos médios é tão pouca que as aventuras do ‘merengue’ acabam por dar muito jeito, apesar de retirarem o equilíbrio táctico que, mais uma vez, a sua posição devia garantir. Nada contra Pepe, provavelmente o mais bravo de todos. Contra, isso sim, a falta de intensidade colectiva e, sobretudo, ordem táctica do meio campo.
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12.10.09

Portugal: Sorrir... de alívio!

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Não fosse a felicidade um sentimento que surge pela relatividade do momento, e a Luz não rejubilaria tanto no final deste angustiante capítulo da equipa nacional. Mas é. E como é, torna-se evitável juntar um sorriso ao mais justificado suspiro. Malta não conta, é apenas calendário e por isso vale a pena colocar os olhos no que ficou para trás na hora de antecipar o futuro, o Playoff. É que se a Selecção escapou à justa deste susto, pode ter a certeza de que o que vem a seguir não tem um grau de dificuldade inferior. Num tempo em que se falou tanto das probabilidades, convém esclarecer que a hipótese de Portugal ser eliminado em 2 jogos é bem maior do que ter falhado o apuramento directo num grupo como o que teve. E falhou.

O desafio
Há, na actualidade, um dado comum no futebol de Selecções, mais do que de clubes. A dificuldade que sentem as Selecções mais fortes perante blocos defensivos mais baixos e fechados. É normal. Não há tempo e sem tempo é mais difícil haver rotina, restando como hipótese o improviso. Improviso... diz alguma coisa quando nos lembramos de um jogo da Selecção? Deve dizer porque é aquilo que mais abunda. Se falar de iniciativas individuais forçadas e condenadas ao insucesso, talvez seja mais fácil. É isso que acontece quando se escoam as linhas de passe e não há plano colectivo para a posse, e é isso que tantas vezes se observa nos jogos da Selecção.
Melhorar a qualidade, muito mais do que debater o passado, fazer paralelismos estapafúrdios com o tempo de Scolari ou de tentar vender um azar divino como justificação. Melhor a qualidade é o que deve preocupar Queiroz. Introduziu, e bem na minha opinião, um novo sistema, mas mantém as oscilações. Mais valia não mudar o 4-3-3 e sistematizá-lo do que dançar entre os dois sistemas. Se Queiroz fixasse um sistema e tentasse desenvolver um modelo na base da sistematização, utilizando a menor rotatividade possível nos eleitos, talvez fosse mais fácil chegar à tal meta qualitativa. Assim, e pelo menos para já, estamos condenados ao improviso.

O Playoff
Já o repeti durante toda a qualificação. Houve quem tentasse ver na Suécia ou Dinamarca selecções fortes, de nível mundial. Nem de perto o são. Entre as Selecções que nos podem calhar em sorte é provável que qualquer delas possa ser adversário mais forte. Isto não faz de Portugal menos favorito, mas é bom que se tenha noção que se o potencial que temos é enorme, a nossa realidade só muito raramente lá tem andado perto...
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9.10.09

61%: o número que nos resta!

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As contas. De novo as contas. Já havia deixado aqui um exercício semelhante antes do jogo de Budapeste que dava a Portugal 42% de hipóteses de se manter na rota da África do Sul após o fecho deste grupo. Agora, e apesar de se manter dependente de terceiros, as hipóteses são positivas. Fazendo uma projecção das probabilidades teóricas dos resultados de cada um dos jogos em disputa, constata-se que, antes da jornada decisiva, há 62% de Portugal participar chegar pelo menos ao Playoff. 62%. É o número a que nos resta agarrar...

Um exercício igualmente curioso poderá passar por entender quais as hipóteses uma vez definido aquele que é, em teoria, o jogo mais imprevisível desta recta final. O duelo nórdico entre Dinamarca e Suécia jogar-se-á antes da recepção lusa à Hungria e, por isso, faz sentido contextualizar em que situação entrará Portugal para esse jogo. Os resultados são claros. Descontando a hipótese residual da diferença de golos favorecer a Suécia em caso de empate, há golpe radical que acontece nas hipóteses lusas, mesmo antes da Selecção entrar em campo. Se a Suécia vencer, as hipóteses baixam para 29%. Caso contrário, e seja qual for o resultado, as hipóteses de Portugal manter pelo menos o 2º lugar sobem para uns optimistas 76%. Esperemos que assim seja...
Há ainda a questão do 1º lugar, mas andar fazer contas sobre essa questão será pouco mais do que mero masoquismo...



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10.9.09

Hungria - Portugal: Valeu a pena o tédio

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Reforçar a importância de não sofrer, como que dando por garantido que se iria marcar, só pode ter sido uma forma de retirar pressão de um sector ofensivo com evidentes problemas de ineficácia. A verdade, porém, é que as especulativas palavras de Queiroz antes do jogo passaram a fazer todo sentido quando Pepe marcou de forma madrugadora. Se o seleccionador acertou em cheio, e até de forma surpreendente, neste primeiro prognóstico, falhou totalmente quando anteviu 90 minutos de elevada emoção. De facto, será difícil alguém se lembrar de um jogo tão entediante. Culpa primária para a postura húngara, mas também para alguma desinspiração das cores nacionais.
Se havia dúvidas, os primeiros minutos esclareceram. A Hungria foi para o jogo com uma estratégica conservadora, obcecada em tirar espaços e em manter equilíbrios. Defender, portanto. O outro lado do seu jogo, o ataque, resumia-se a um jogo directo de pouca qualidade (mais uma vez reforço a ideia, um adjectivo que abunda muito pouco neste grupo). As hipóteses húngaras, portanto, estavam praticamente reservadas para as bolas paradas que, a espaços, ia conseguindo nas imediações da área portuguesa.

Para esta estratégia, um golo madrugador como o que Pepe conseguiu é uma machadada séria. Já para Portugal, terá sido ouro. É que, mesmo tendo grande tempo de posse de bola, Portugal nunca revelou capacidade para criar problemas ao bloco defensivo contrário. Pouca qualidade na criação de apoios à posse, aliada a uma ausência de rasgos de inspiração explicam estas dificuldades para furar uma defesa densa, baixa e agressiva. Difícil de bater, portanto. O problema para Portugal foi sempre a ausência de espaços, com a equipa forçada a jogar sempre em organização e quase nunca em transição.

Curioso foi o inicio da segunda parte. Curioso e monótono. A Hungria, mesmo em desvantagem, manteve a postura e Portugal, perante esse cenário, preferiu chamar o adversário em vez de, cegamente, partir para cima. Na verdade, e apesar de desagradável para o espectador, esta terá sido uma atitude inteligente da equipa nacional. É que a Hungria pretendia precisamente que Portugal fizesse o contrário, que partisse em posse para a zona densa e que daí pudessem resultar, depois, pontos de partida para transições que aproveitassem o espaço que existia do outro lado do campo. A consequência, para além do tédio, foi o desmontar da estratégia húngara e um passo mais em direcção à vitória. O único senão, claro, foi não se ter resolvido o jogo de vez, tornando inevitável a ansiedade dos momentos finais.

Duas notas, finalmente, sobre as opções tácticas. Deco lesionou-se e daí resultou, outra vez, uma mudança de sistema. Não faz sentido. As opções devem ter a ver com uma opção estratégica e não com a disponibilidade de uma ou outra individualidade. Isso, e o pormenor de me parecer contra producente que uma equipa salte constantemente de sistema, acabando por não se consolidar, com qualidade, em nenhum. A outra nota tem a ver com substituição final. Tiago por Rolando. Lembrou-me o final do jogo em Alvalade contra a Dinamarca. Na altura, com outra moral, Queiroz optou por Moutinho para o lugar de Nani, quando tinha no banco Bruno Alves e a Dinamarca ia tentar evitar a derrota com um jogo mais directo. Como as coisas mudaram...

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9.9.09

As hipóteses de Portugal: 42%

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Portugal está praticamente fora do Mundial. Fora do ‘playoff’. Não é impossível, mas muito difícil. Tudo isto diz-se por aí. Mas será mesmo? E quanto é o “muito” que quantifica a dificuldade? 

O exercício é impossível de concretizar com total exactidão. É apenas teórico, sim, mas é também a forma que mais fielmente nos aproxima das possibilidades de cada uma das Selecções de chegar ao playoff. A proposta é a mesma de outros casos que já aqui trouxe. Ou seja, pegar nas probabilidades teóricas dos jogos e calcular as hipóteses para os diversos cenários. O resultado confirma que o “muito difícil” é-o, mas se calhar não tanto como isso. 42%.

Depender de si não significa favoritismo
A perda da dependência própria é um catalisador poderoso de ansiedade nos adeptos. Como se não bastassem os próprios jogos, há que esperar pelos outros. Mas depender dos outros não significa, forçosamente, que não se seja favorito. Neste caso há um exemplo mais do que evidente. Alguém se atreve a atribuir algum favoritismo à Hungria? Não. Mas os húngaros são quem depende apenas de si...

E se...
Curioso também é ver como variam as hipóteses depois desta jornada. Aqui fica clara a importância da visita à Hungria. É que se Portugal vencer na Hungria, mesmo com a mais do que previsível vitória sueca frente a Malta, mesmo com menos 1 jogo por realizar e mesmo continuando a depender de terceiros, Portugal passa, tendo em conta o grau de dificuldade teórico dos jogos, a ter um favoritismo marginal. De resto, este será, mais do que qualquer outro, um jogo de “tudo ou nada”. Basta ver o que acontece se os 3 pontos não regressarem na bagagem lusa...


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7.9.09

Dinamarca - Portugal: agora sim... dependentes!

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Fosse este jogo disputado há um ano e tudo seriam sorrisos. Empate no terreno de um concorrente directo e, ainda por cima, com bons indícios sobre novos caminhos para o futuro do modelo de jogo português. O “timing”, a que já me referira na antevisão, faz toda a diferença. De pouco interessam as melhorias se Portugal confirmar aquele que será, provavelmente, o mais escandaloso falhanço da sua história em termos de fases de apuramento. Da Dinamarca e de mais um jogo de ineficácia, desta vez, apenas quase total sobra sobretudo esse detalhe de se depender agora de terceiros. Uma novidade, portanto.


Primeira parte: qualidade e... ineficácia
Mesmo sem Liedson, o losango confirmou-se. Portugal não esteve bem em todos os aspectos na primeira parte, mas foi, sem dúvida, esse o seu melhor período em termos qualitativos. O futebol apoiado e a qualidade técnica dos jogadores foram suficientes para conseguir uma grande superioridade sobre uma Dinamarca objectivamente modesta. Aliás, se há coisa que neste grupo abunda é a modéstia.

Portugal não foi perfeito. Não soube ser muito inteligente na forma como evitou o jogo directo dinamarquês, por não o fazer através do pressing alto e, ao invés, tentar concentrar-se na disputa das bolas aéreas, mas já perto da sua área. E, também, nem sempre criou os apoios necessários para circular com mais qualidade, o que é normal para quem tem tão pouco tempo neste modelo. Mas, apesar de disso, o que se viu foi muito bom e poderá ser uma boa base de partida para um modelo melhor e mais forte. Ou seja, a mudança que há muito venho pedindo. Pena foi, claro, que tenha tido como pano de fundo a ineficácia do costume. Um aspecto sobretudo mental, que foi onde Portugal mais caiu no “pós-Scolari”. Previsível.

Segunda parte: alma e... Liedson
Queiroz voltou a revelar a sua falta de tacto. Um erro comum e de que falei, por exemplo, no último post sobre Guardiola e a supertaça europeia. Ou seja, na análise que foi feita ao intervalo pesou, mais do que uma perspectiva qualitativa, uma outra, mais resultadista. A consequência foi a necessidade de mudar, não por se estar a fazer algo de errado, mas porque se estava a perder. Não tem lógica e, naturalmente, a qualidade diminuiu muito na segunda parte. Não tem a ver com a entrada de Liedson, mas sim com a alteração táctica (4-3-3), que retirou apoio à posse de bola. O outro aspecto que poderia ser penalizador era o factor psicológico e a forma como os jogadores poderiam lidar com a frustração. Mas, aí, Portugal esteve brilhante. Não parou, reagiu e, mesmo sem a mesma qualidade da primeira parte, voltou a impor-se totalmente no jogo. Apareceu Liedson e por pouco que a vitória não aconteceu quando já ninguém esperava. Este aspecto, o mental, será fundamental para o próximo jogo. Portugal entrou frustrado na Dinamarca e mais frustrado saiu. Os húngaros terão, como todas as equipas neste grupo, uma motivação especial por jogarem contra Portugal. Convém que essa motivação não encontre do outro lado uma equipa prestes a baixar os braços, até porque isso ainda não se justifica.

Uma nota, finalmente, sobre Liedson. Não fez um jogo soberbo (isso foi mais com Deco), mas confirmou o meu prognóstico de que marcaria. Foi apenas um palpite que poderia, facilmente, não se ter verificado. A verdade, porém, é que há coisas inexplicáveis no futebol e um pequeno exemplo é precisamente a apetência que Liedson tem para aparecer nos grandes momentos. É um pouco como o factor casa: ninguém sabe explicar concretamente porquê, mas que existe, existe...


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4.9.09

Selecção: Remedeios e... optimismo!

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O losango, a ideia que Queiroz parece ter reservado para este período decisivo. A mudança do modelo actual, demasiado estático e dependente de desequilíbrios individuais há muito que me parece óbvio. Vem desde Scolari, e daí ter sido esse o desafio que sempre identifiquei para Queiroz. Uma evolução que não precisaria de passar forçosamente pelo sistema, mas que também pode fazer sentido que passe por aí. O problema, obviamente, é o timing.


Apresentar uma mudança tão grande sem praticamente ter sido testada em competição é, no minimo, pouco aconselhável para quem tem pela frente encontros tão decisivos. Tanto a adaptação pode acontecer com resultados esperados como, ao fim de meia hora, estarmos todos a depararmo-nos com problemas inesperados. É, no fundo, uma espécie de improviso táctico. Um remedeio para um trabalho que deveria ter 1 ano de solidez e não apenas meia dúzia de treinos.

Ainda assim... optimista!
O ambiente de recolhimento, semelhante às grandes competições, a qualidade e personalidade individual dos jogadores e a modéstia da oposição faz-me, apesar de tudo, pensar num desfecho positivo. Não pode ser nada muito racional porque, obviamente, não há muitos dados perante tanto improviso, mas é uma convicção. E já agora, vou mais longe. Se Liedson – outro remedeio para a circunstância – for utilizado, pode mesmo fazer a diferença. Se há coisa que o “levezinho” tem é queda para decidir nos grandes jogos. E na sua carreira poucos teve como aqueles que lhe estão pela frente!


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8.6.09

Albânia - Portugal: Mesmo a ganhar, o desespero contínua!

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Um pequeno milagre saiu da cabeça de Bruno Alves e resgatou Portugal de mais um resultado embaraçoso nesta desastrosa fase de apuramento. Dizer-se que este era um jogo de “tudo ou nada” é errado. Errado porque com a vitória Portugal não está minimamente do perto do “tudo” e porque mesmo que não tivesse ganho, não ficaria ainda, definitivamente, com “nada”. Tudo porque, minutos antes em lugar bem distante, a Dinamarca dava um passo que, esse sim, a coloca com praticamente “tudo” no que respeita ao primeiro lugar.

Enfim, esta foi uma vitória que, embora importante, teve o condão de voltar a evidenciar os problemas de uma Selecção que tem um rendimento muito aquém do que era possível e exigível. Algo que não pode continuar a ser negligenciado com uma fuga para a frente porque, mesmo que Portugal afirme a sua maior valia e se consiga apurar, com esta filosofia acabará, seguramente, por nunca encontrar o melhor rendimento...


Determinação individual e incapacidade colectiva
Há pessoas que teimam em levar os problemas do rendimento da Selecção para uma questão de atitude individual. Pode (e terá seguramente acontecido no passado) ser o caso de um jogo ou outro, mas não é esse o problema de fundo. Estes jogadores são quem mais ganha com a participação numa fase final de um Mundial e são eles os maiores interessados em garantir o apuramento. Isso foi bastante visível neste jogo, onde se sentiu sempre uma grande vontade individual dos jogadores, mas em que também ficou por demais evidente a dificuldade de Portugal levar a melhor sobre uma Albânia que manteve uma estratégia de jogo muito defensiva, mas completamente legitima, e que com ela conseguiu sempre ser mais forte do ponto de vista colectivo, acabando por, com o tempo, neutralizar a tal vontade individual e afastar Portugal do golo.

Os problemas...
Em contraste com a determinação, houve do ponto de vista individual uma normal e absolutamente compreensível ansiedade que aumentou com o tempo. Para além deste problema circunstancial e psicológico, Portugal teve outros, colectivos, tácticos e, esses sim, mais graves.

Em primeiro lugar, falar das opções de Queiroz. É óbvio que Pepe no meio campo foi prejudicial, não colhendo sequer o argumento da estatura para um jogo em que o domínio territorial era um dado adquirido. Pepe fazia, naturalmente todo o sentido como central, neste jogo mais do que nunca, por ser um jogador muito rápido a recuperar e por Portugal ser obrigado a jogar com espaço nas costas. Ainda assim, se a ideia for fazer desta uma estrutura permanente, então não posso ser muito critico, já que entendo que é importante voltar a uma aposta mais contínua. Questionável é ainda a utilização de Hugo Almeida, mantendo a ideia que não tem o perfil ideal para o jogo da Selecção, que retira mobilidade ao ataque, que não potencia o melhor de Cristiano Ronaldo e que há outras soluções mais válidas que estão a ser negligenciadas por Queiroz. O caso mais disparatado, no entanto, é Boa Morte. Só Queiroz poderá explicar o que pretendia com Boa Morte, mas a sua utilização neste jogo em particular tinha tudo para correr mal. Boa Morte é um jogador que se distingue dos outros extremos portugueses pela maior capacidade de choque e combatividade, e por uma maior verticalidade ofensiva. Num jogo em que o espaço seria, mais do que previsivelmente, encurtado pelos albaneses, que sentido faz a sua utilização?!

Se as opções não facilitaram a tarefa e se o momento de Deco também não ajuda uma equipa que se movimenta muito em função da capacidade criativa do “mágico”, há outros princípios que não foram respeitados e que merecem uma critica feroz. O que ficou sempre notório no jogo foi que a Albânia conseguiu sempre ter superioridade numérica nas diversas zonas onde a bola entrou. Portugal não pode estar dependente, por muito talentosos e criativos que sejam os seus jogadores, de situações de 1x2 ou 1x3 em pouco espaço. Foi quase sempre assim durante o jogo, destacando-se os momentos em que a bola entrou nas zonas laterais e onde houve sempre poucas soluções criadas ao portador da bola.

Nota para os golos. No primeiro, Bosingwa consegue levar a melhor num 1x1 e só consegue algum espaço para o fazer porque Ronaldo acabou por atrair os adversários para compensar um possível drible, acabando por libertar depois no lateral. No golo da Albânia, aconteceu precisamente o que Portugal nunca conseguiu no ataque. Ou seja, 2x2 na ala com muito espaço entre os jogadores nessa zona e os restantes defensores. A Albânia aproveitou, criou a situação de cruzamento e depois tirou partido da pouca aptidão de Duda no jogo aéreo, quando até tinha um posicionamento correcto, ganhando a frente do lance. Finalmente, no golo decisivo, nota para a mais do que reconhecida capacidade aérea de Bruno Alves. É um jogador praticamente imbatível quando tem tempo para ler a trajectória da bola, impondo-se pela estatura, tempo e capacidade de impulsão. Não é, no entanto, tão forte em cruzamentos tensos, por não ser particularmente rápido e ágil a reagir. O facto do cruzamento ter sido largo foi, por isso, fundamental.

“São Bruno Alves”... de novo!
O que dizer do momento deste jogador?! Foi considerado por muitos o melhor do campeonato e, se em termos técnicos tal eleição pode ser muito questionável, a verdade é que o seu impacto como líder foi enorme ao longo da época. Destaquei aqui a sua “palestra” para os adeptos no final do jogo da Figueira da Foz como o momento da época portista e, agora na Selecção, volta a ser decisivo no campo mas também fora dele. Saiu abraçado a Queiroz e se devia ser o treinador a ter a capacidade para motivar as “tropas” nos momentos difíceis, talvez Bruno Alves tenha conseguido aqui mais um momento marcante e uma prova do seu crescimento como líder...


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