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Regresso ao passado?

Quando o futebol europeu arranca para a sua fase decisiva da época, eis que surge uma notícia que pode indiciar um regresso ao passado e, também, uma súbita inversão no caminho que o futebol mundial vem levando nos últimos anos. A famosa intenção da FIFA de aplicar a lei dos 6+5 (ou seja em cada onze só podem estar 5 jogadores que não sejam eligiveis para as selecções dos países do clube em questão) ganhou nova força com a conclusão de um estudo feito por especialistas jurídicos em assuntos europeus. A posição da comunidade europeia foi contrária à aplicação desta regra mas, a confirmar-se a ideia (defendida neste estudo) de que pelo facto de não haver qualquer impedimento em relação aos suplentes ou à composição do plantel, esta é uma lei que não choca com as normas europeias, então a FIFA poderá mesmo levar em diante a ideia, provocando uma nova revolução, agora em sentido contrário daquilo que aconteceu com a “lei Bosman”.

A consequência de
sta, agora bem mais provável, medida não será um regresso ao passado, tal qual ele era. A globalização do futebol faz-se essencialmente, não pela livre circulação de jogadores, mas pelo acesso de várias ligas e de vários jogos ao mesmo adepto. Isso, como é óbvio, não mudará. O que mudará é a garantia de qualidade para algumas ligas que começavam a perder os seus valores pelo facto de não terem o mesmo poder económico de outros campeonatos. Neste caso, é claro, dificilmente se encontrará um campeonato com maiores benefícios que o português. Porque somos um país com muita qualidade individual mas cada vez menos dinheiro, os jogadores portugueses são um alvo fácil. Continuarão a ser, os clubes financeiramente não ganharão nada com isto, mas a consequência ao nível global ditará, forçosamente, um enorme arrefecimento na saída de jogadores nacionais dos seus países e, por consequência, uma manutenção de qualidade que hoje não acontece.

Mas há alguns perdedores evidentes com esta possível nova realidade, destacando-se os empresários de jogadores. A limitação do mercado implica uma diminuição de transferências e uma quebra no valor da maioria das transferências – sobretudo de jogadores que não pertençam aos principais países europeus – e isso, claramente é um revés para o seu negócio.

Esta mudança terá, por todas as implicações que envolve, algumas barreiras de relevo mas julgo que traria alguma ordem e, sobretudo uma “pureza” (não sei se o termo é o mais correcto) que foi, afinal, a base do futebol enquanto fenómeno social, mas que hoje parece tendencialmente afastada da realidade. Não se pense que os grandes europeus perderão o seu domínio, mas é certo que haverá um maior equilíbrio entre as equipas dos vários países, até porque pelo andar da carruagem o mais certo seria termos uma concentração cada vez maior das principais estrelas nos principais campeonatos, com particular destaque para a Premier League, cuja evolução mediática e económica ameaça deixar a anos luz todas as outras competições domésticas.

4 comentários:

jmbb disse...

Tenho muitas duvidas que está resolução venha beneficiar os clubes portugueses, porque a situação neste momento é muito diferente de quando iniciou a lei Bosman. Já há muitos clubes da Europa do leste que têm maior capacidade financeira que os clubes portugueses o que não acontecia na altura, não vejo como vamos conseguir segurar quem já não conseguimos segurar agora. Se não conseguimos segurar os jogadores portugueses e a nossa base de recrutamento que são os jogadores estrangeiros também diminuir vai ser muito complicado. Mas concordo que vai mudar completamente o figurino do futebol actual até porque os grandes clubes europeus apresentam o seu onze praticamente sem jogadores seleccionáveis.

joaodolobo disse...

Creio que isto levaria a um surto de mudanças de nacionalidade inigualável entre os jogadores. E essas mudanças afectariam sobretudo os jogadores de fora do espaço comunitário.

Pudget disse...

É uma mudanca mais que necessária, é premente e obrigatória porque salvaguarda principios de afinidade racional entre o jogador e o país onde joga, entre o jogador a camisola que veste. Obriga os empresários a repensarem a sua ganancia e necessidade especulativa que envenena os palcois do futebol; os seleccionáveis passam agora a sê-lo por esse princípio não tanto de pureza como dizes, mas de familiaridade intensa.

Acho que muitas vezes se "castiga" a liga inglesa pelo fosso de qualidade que apresenta relativamente às restantes congeneres europeias, mas se outras ligas tivessem o nivel de organização e acima de tudo o fomentar de uma relação fiel entre a honra qualitativa do espectaculo e o servir o espectador, não seria só a premier league a beneficiada. São demasiado profissionais e empreendedores aqui em Inglaterra quando comparados ao caos de boquinhas e apupos, guerrinhas medíocres e novelas que se alimentam em países como Portugal. A Premier Leage é um produto que se vende internacionalmente, não é com hipocrisias e batalhas de feirantes que gera qualidade.

A nossa liga é "amadora" porque é composta de dirigentes "amadores" e serve adeptos que foram ao longo dos anos impulsiuonados a serem mais amadores que os seus clubes..

Aprovo esta lei que vem salvar a imagem do futebol. Dinheiro e grandes transferências não é tudo, e vai-se criar maior empatia entre adeptos e jogadores.

Anónimo disse...

http://www.chezjulia.fr/?id=179841